terça-feira, junho 26, 2012

O incentivo à leitura através do Rock

Bruno de Carvalho Trindade, aluno do 3° semestre matutino da FaBCI, realizou uma pesquisa sobre o incentivo à leitura através do Rock. Confira!

Fanzine é uma revista baseada em uma história já existente criadas por fãs para fãs. Bruno de Carvalho Trindade, aluno da Faculdade de Biblioteconomia e Ciência da Informação (FaBCI), nos apresenta esta modalidade de leitura.



O Rock é, por natureza, um estilo musical que critica algo. Seja o padrão da sociedade, os estilos de vida, as escolhas políticas, etc.  Toda música bem estruturada, bem escrita que contenha um objetivo político ou fundo histórico, que conte uma história influencia a leitura. Umfã que se interessa pelo o que a banda que admira escreveu irá atrás das influências literárias presentes nas músicas. 
As letras do rock nacional atual estão vazias de conteúdo há um bom tempo começou a decair nos anos 90, infelizmente quem não segue as regras ditas pelas grandes gravadoras fica excluído. As bandas de rock de hoje mesmo as que são boas fazem um apelo comercial excessivo, afinal todostodos desejam ganhar um bom dinheiro para pagar suas contas, não? O que as bandas vestem é mais importante do que a preocupação em escrever uma letra de música com conteúdo, sendo preferido o que é assimilado rapidamente.  Muito diferente das bandas nacionais dos anos 80 (Biquíni Cavadão, ZERO, Plebe Rude, Legião Urbana, Capital Inicial , Coléra, Inocentes, etc., que faziam musicas que criticavam a Ditadura ( a época favorecia isso), expressavam suas impressões sobre o período, anseios de liberdade...
Se o rock nacional que está presente na mídia atualmente passa por essa situação de perda de essência musical, há um bom tempo, existem  bandas presentes no cenário underground brasileiro que se preocupam em escrever boas letras de músicas como por exemplo: Noskill (Paraíba) , Dominatrix (São Paulo),  Contraparte (Duque de Caxias / Rio de Janeiro), Canto dos Malditos da Terra do Nunca ( Salvador), Psicose (São Paulo),  etc. Os fanzinesde bandas de rock do underground brasileiro podem incentivar os jovens a ler, fazem os leitores tomarem gosto pelo assunto que estão lendo, e não  sendo apenas disseminador de novas ideias e bandas.
Os fanzines de bandas de Rock são específicos e direcionados a um público determinado, portanto seu alcance está restrito. Se eles gostarem das ideias, dos assuntos, do fanzine vão procurar novos textos ou livros sobre aquilo. Nos anos 80 eram xerocados, feitos artesanalmente (baixo custo), com ideias, poesias, letras. A internet potencializou os fanzines atráves de blogs, do Twitter, Facebook. O fanzine é de leitura rápida, prática e objetiva.




Bruno Gouveia - Vocalista do Biquíni Cavadão  (Perguntas realizadas por e-mail)
1) Quais livros que você costuma ler?
Tenho um blog chamado TRAÇA no site do Biquini. Basta ir em Blogs e escolher esta opção no menu a direita. Lá estão listados os livros que estou lendo.
De um tempo pra cá, deixei de ler romances e ficções, me concentrando em biografias e livros de curiosidades gerais.

2) Tem alguma música sua que fala de algum livro? Ou alguma música que tem trecho de livros?

Mas meu desejo não era sua vontade/ e a mão que me afagava é a mesma que me afoga (Dança Tonta), do CD A Era da Incerteza 1987 - parafraseando com certa liberdade Augusto dos Anjos.
Também musicamos em 1994 no cd Agora o poema das 7 faces de Carlos Drummond de Andrade: Mundo vasto mundo, mais vasto é o meu coração/ se me chamasse Raimundo/ seria uma rima, não seria solução.

*Bruno Castro Gouveia é vocalista da banda Biquini Cavadão desde 1983.



Guilherme Isnard- Banda ZERO  ( Perguntas realizadas por e-mail)

1) Quais livros que você costuma ler?

Dinho Ouro Preto e Guilherme Isnard
O prazer pela leitura vem dos tempos das bibliotecas escolares, onde me abrigava durante o recreio pra escapar do que hoje chamam de bullying. Assim, os livros foram meu primeiro refúgio e assim permanecem. Eu não li por temas, mas por prateleiras, como traça. O hábito persiste, meu campo de interesse continua vasto e os amigos me chamam de Visconde de Sabugosa.
Leio prosa e poesia (esta menos do que deveria e gostaria), biografia e ficção, livros técnicos e de história natural, ciência e geografia, etc. e isso inclui desde bula de remédio até composição química e rol de ingredientes de produtos comerciais. Onde houver uma frase, eu vou ler.
Não poderia deixar de dizer que a digitalização de arquivos é o que possibilita a permanência da minha compulsão por música e cinema. Senão precisaria de várias casas pra guardar tantos LPs, CDs e DVDs. Mas dos livros não abro mão. São os mais pesados, os que ocupam mais espaço, mas leitura digital ninguém merece!

2) O rock incentiva a leitura dos mais jovens?

Depende de qual rock você estiver falando. Se é dessa coisa que hoje chamam de rock... não. Mas se você se refere ao movimento que inventou uma linguagem poética nacional, na difícil paroxitonicidade da língua portuguesa, sim. Nossa geração produziu um conteúdo que excita o mesmo pensar, imaginar e descobrir que os livros proporcionam.

3) Comente sobre a importância do fanzine como incentivo à leitura.

O Fanzine, por definição é uma leitura inserida na realidade do seu público alvo. Na tradução Revista (magazine) do Fã.Trata dos assuntos de interesse de uma determinada tribo e, portanto, traduz a produção intelectual daquela área de expertise para um jargão familiar aos potenciais leitores. Tudo o que decodifica um conhecimento para alguém que não o possui, presta um serviço de introdução à leitura e, nesse sentido, é sim uma excelente ferramenta de introdução ao livro. Eu mesmo fui colaborador de fanzines. No início dos anos 80s criticava e resenhava música e artes plásticas no SPALT, editado pela Fernanda Pacheco e a Wop-Bop


Elisa Gargiulo - Vocalista da banda Dominatrix( Perguntas realizadas por e-mail)
1)Tem alguma música sua que fala de algum livro? Ou alguma música que tem trecho de livros?
Elisa Gargiulo
Tem umas músicas que falam sobre livros. Uma chama "No Make Up Tips", em que eu canto a frase "não aprendi nada hoje, não quero ir pra escola, eu posso aprender vendo o noticiário, eu posso aprender lendo um livro". Escrevemos essa com uns 14 anos, porque sentíamos que conseguíamos mais informação atravez de livros, e não da escola. E outra que chama "Pagan Love", em que eu canto que "esse amor não está nos livros, talvez nas notas de rodapé". Existe aqui e ali referências sobre leitura no Dominatrix.


Andrea Martins - Vocalista da banda Canto dos Malditos da Terra do Nunca
1) O nome da banda foi inspirado em livro?
Bruno de Carvalho Trindade e Andrea Martins
 Assim, não exatamente, digo… não no livro em si, mas eu estava lendo na época o "Canto dos Malditos" e junto com "Terra do Nunca" a gente achou que o nome conseguia nos representar, representar a sonoridade da banda.
2) Comente sobre a importância do fanzine  como incentivo a leitura.
 Acho superinteressante por ser um meio de transporte de comunicação da geração, onde você entra em contato com essa troca de ideias de vários universos diferentes por um acesso fácil e rápido… fora essa construção "do it youself" que é essencial como incentivo das pessoas colocarem em prática suas ideias e projetos principalmente nos tempos atuais onde as coisas são geradas nessa correria independente.

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