sexta-feira, outubro 19, 2012

O livro da minha vida

Sagarana
O depoimento da série “O livro da minha vida" desta semana é de Ivan Russeff, Professor da FaBCI.

 

Ivan Russeff ministra as disciplinas de “Análise Textual” e “Produção Textual” na FaBCI/FESPSP, além de atuar como coordenador do Trabalho Temático (1º ano).



MC - Que livro você consideraria 'O Livro da sua vida'?

Uma obra que causou forte impacto em minha vida (então um jovem de 20 anos) foi "Sagarana", de João Guimarães Rosa; é um livro de contos ambientados no sertão do brasil.


MC - Por que ele tem/teve essa importância? (Que efeito essa leitura causou em você no seu dia-a-dia?)


Ivan Russeff
Esse "impacto" de Sagarana proveio de dois fatores: o primeiro de ordem estética, pois fiquei encantado com a força do estilo do autor, marcado por um certo artesanato verbal que me lembra o texto bíblico. O segundo fator, foi de ordem filosófica, pois levei um susto ao perceber a profundeza das reflexões de Guimarães Rosa em contos como "o burrinho pedrez" e "a hora e vez de augusto matraga". Até hoje, ao me defrontar com problemas aparentemente insolúveis, reporto-me ao exemplo de vida daqueles personagens 'roseanos' que, na simplicidade de suas vidas caboclas, transmitem-nos força e determinação.


MC - Normalmente, que gênero literário 'sacia seu apetite'?

Bem, como a pergunta já circunscreve a resposta a 'gêneros literários' (pois também gosto muito de obras de filosofia), prefiro a prosa (romances e contos), muito embora, alguns poemas me toquem profundamente a alma. Por exemplo, a poesia de manoel de barros, um poeta, ainda vivo, lá do mato grosso do sul.


MC - Dos livros que você indica na sua bibliografia, qual é o seu favorito? (Nome e autor)

Novamente defronto-me com um foco preciso: obras de referência bibliográfica e, portanto, teóricas e doutrinárias. Sendo assim, gosto muito de um artigo do Antonio Candido, chamado "o direito à literatura" (in: vários escritos). Aqui, o autor nos convence de que a literatura não é um luxo, mas uma necessidade, para que nos tornemos verdadeiramente humanos.
 

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