sexta-feira, abril 05, 2013

Deixando a zona de conforto: oportunidades para bibliotecários



Mesa debatedora de "Deixando a zona de conforto"
No último dia 28 de março, aconteceu um excelente momento de discussão sobre lideranças e formação de líderes em Biblioteconomia e Ciência da Informação na Biblioteca de São Paulo.

  A ação se dividiu em duas partes: na primeira, via videochat, Maureen Sullivan, presidente da ALA (American Library Association, ou a Associação Americana de Bibliotecas), apresentou o tema “Deixando a zona de conforto: oportunidades para bibliotecários” e logo em seguida Adriana Ferrari, vice-presidente da FEBAB e coordenadora de Unidade de Bibliotecas da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, Adriana Ferrari; Sueli Nemem Rocha, diretora da Biblioteca Monteiro Lobato e coordenadora do curso técnico de Biblioteconia do SENAC e a adida  cultural do consulado dos Estados Unidos, Danna Van Brandt, debateram o tema com o público de aproximadamente 70 pessoas.




Maureen Sullivan em videoconferência
   Maureen colocou a inteligência emocional como o fator preponderante da liderança. Baseando-se nos trabalhos de Warren G. Bennis e John Goldsmith, a presidente da ALA fez uma apresentação baseada em slides com informações muito objetivas, aplicáveis à qualquer gestão. Reforçou a bandeira da Associação de Liderança e Gestão em Bibliotecas (LLAMA, na sigla em inglês), uma divisão da ALA, que coloca a auto-confiança como combustível para uma liderança de sucesso. Para o pensamento americano, o fomento de lideranças e treinamento para líderes é fator culturalmente associado à oferta de serviços de qualidade e o que pode fazer a diferença no sucesso de uma organização. Não é de se surpreender que a LLAMA concorre com diversos programas de treinamento de lideranças para bibliotecários que existem aos montes nos Estados Unidos.

  Ao fazer a abertura da mesa, Adriana Ferrari, arrojada, festejou, em primeiro lugar, a saída do
Adriana Ferrari
presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Galeno Amorim, anunciada no dia anterior. “A gente lutou muito para isso acontecer”, afirmou. Logo em seguida, puxando a sardinha para a sua área, congraçou-se com os presentes que trabalhavam em bibliotecas públicas, destacando o sentimento comum de insatisfação com o trabalho que se alastra entre servidores públicos. Identificando esse desconforto, conclamou: “Não se acomode na zona do desconforto.” 




Ao que Sueli, representante da área municipal e do terceiro setor ao mesmo tempo, replicou que aquela situação de insatisfação no trabalho não era exclusividade da área pública e colocou o dedo na ferida: “Somos individualistas”. Incisiva, Adriana foi além: “Sinto um imobilismo, o “aguardar a oportunidade.”

    

Danna Van Brandt
     Danna Van Brandt teve alguma dificuldade em se colocar na discussão, com observações já bastantes conhecidas, mas sua presença demarcou o diálogo com a corrente de pensamento americano da atualidade.

   Apesar do foco do evento se desdobrar prioritariamente para as bibliotecas públicas,
algumas fragilidades do profissional que foram levantadas também dizem respeito à outras áreas de atuação. Entre elas, Sueli destacou que o líder em biblioteconomia é um líder de caráter servidor, que pensa na coletividade, porque afinal, se ele não trouxer os benefícios para a comunidade, de que serve esse líder? Também afirmou que a zona de conforto que deve ser atacada é a da liderança tradicional, aquela de caráter vertical, e sugeriu que é essa liderança que devemos combater, para estimular as lideranças compartilhadas, horizontais.

    Os movimentos associativos também foram expostos. E Ferrari voltou a tocar na ferida do desempenho do servidor público: afirmou que este profissional dever ter em mente que o trabalho dele só faz sentido se tiver um valor para o outro, não apenas para ele mesmo. “A ALA é o que é porque as pessoas não perguntam “o que vamos ganhar com isso?”, como aqui no Brasil”. Isso também reflete, talvez, o acanhamento do profissional na divulgação de sua ação. Ferrari citou que pequenas ações de indivíduos isolados em bibliotecas foram primordiais para uma virada na integração com a comunidade, mas nada disso é promovido para a sociedade, que fica sem saber sobre as especificidades de cada unidade e como isso poderia ser benéfico para a rede.


  Aluna da FESPSP em sintonia com as lideranças em Biblioteconomia

Nilda gostou bastante da discussão
“Eu achei muito pertinente”, afirmou Nilda Maria Leite, aluna do primeiro semestre noturno, ao sair da palestra. Nilda citou que no dia anterior leu sobre a repercussão da saída de Galeno Amorim da Fundação Biblioteca Nacional em uma reportagem do Estado de São Paulo e demonstrou estar acompanhando todo o jogo de xadrez por trás de orgãos de peso político na área de bilbioteconomia. E ficou muito contente com o que foi debatido na videoconferência:











Ouça aqui o áudio do debate do evento (para o áudio da apresentação de Maureen entre em contato com a Monitoria Científica):



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