sexta-feira, agosto 16, 2013

Resultados do PIBIC 2013-2014



Um tema de pesquisa não surge do nada na cabeça de um pesquisador: é construído através de longos períodos de observações e conjecturas. Este é o caso dos dois projetos contemplados pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica da FESPSP (PIBIC), que tomaram forma depois de cuidadosa maturação. As duas alunas do segundo semestre matutino, Nilda Maria Leite e Lourdes Regina Porto, explicaram para a Monitoria Científica (MC) como desenvolveram suas ideias de pesquisa:



 

A chamada Geração Y, que inclui os jovens super antenados na faixa etária entre18 a 30 anos, tambem tem outras facetas: a geração Nem-nem-nem e a Millenials. Investigar como estes jovens usam a biblioteca e o que os atraem naquele ambiente é a proposta do projeto de iniciação científica da aluna Nilda Maria Leite, do segundo semestre matutino. Entitulado “Geração Millenials: como as
Nilda Maria Leite
bibliotecas públicas da cidade de São Paulo interagem com a Geração Y”, o projeto se desenvolveu à medida que sua autora fazia co-relações entre suas leituras e conversas com amigos. “
Eu vinha desde o início do ano em uma série de reflexões sobre o ambiente biblioteca para essa faixa etária e em uma conversa com um amigo ele a classificou como Geração Y. Ele tinha lido a respeito da Geração Y e estava compartilhando comigo. E para entender a Geração Y eu fui entender as gerações anteriores. As diferenças entre elas são discutidas entre os estudiosos. Percebi essa lacuna que poderia ser estudada e consegui fazer o recorte a partir da indicação de uma outra amiga. O diálogo e a troca de ideais entre pessoas com mais experiência e outras visões foi ponto determinante para a minha definição do tema do PIBIC”, afirma Nilda.

Nos seus planos, fontes de pesquisa diversas para iluminar algumas proposições: “Eu tenho contribuições de uma pesquisa da Telefônica com jovens nessa faixa etária em 24 países, que é muito interessante; tenho uma contrapartida sobre a Geração Nem-nem-nem, de uma pesquisadora da FGV, e tem até uma notinha sobre este trabalho dela no Valor Econômico desta semana (leia abaixo), e que é um população que não está interessada nem em estudo, nem em trabalho, nem em nenhuma outra coisa. E quero contrabalançar com essa Geração Y, que é uma categoria de jovens intelectualizados com outra dinâmica de percepção do mundo. Como trazer isso para as bibliotecas públicas municipais da cidade de São Paulo?”, indaga a aluna.

Ciente do desafio que se desenha, já tem algumas perspectivas bastante positivas para suas conclusões: “Acho que vou descobrir que já existe um trabalho bem interessante na Biblioteca de São Paulo, eles já têm uma experiência que abarca essa proposta. É importante entender que a biblioteca não pode ficar para trás em relação a esse avanço dessa geração. Ela é determinante, como foi visto nas ruas, meses depois que eu entrei com o projeto de pesquisa para o PIBIC, (as manifestações de junho)”, explica.
Não sem razão, faz o alerta: “Temos que prestar atenção: é uma nova mentalidade que deve ser ouvida, inclusive no ambiente da biblioteca. Quem sabe, criar atrativos para essa geração Nem-nem-nem, especificamente, seja uma solução”, diz, esperançosa.


Regina Porto
Rizoma da modernidade: informação, memóriadocumentária e árvore do conhecimento no acervo HJK”. Este é o projeto de Lourdes Regina Porto, colega de Nilda no período matutino, que traz uma história muito interessante de guarda de acervo. Regina explica: “Este projeto começa com uma pesquisa minha de mais de 10 anos em torno de um acervo pessoal histórico importante.Hans-JoachimKoellreutter (1915-2005), o HJK do título, é o autor intelectual, foi quem produziu esse acervo.”

Figura proeminente da música erudita brasileira, Koellreutter foi professor, compositor, regente, além de flautista. Musicista e jornalista, Regina destaca a importância do teuto-brasileiro com quem conviveu: “Ele já é falecido e em 2015 ele faria 100 anos. É músico e maestro alemão, radicado no Brasil desde os anos 30, e é o mentor de todas as vanguardas eruditas e também, de certa maneira, populares. É o cara que mudou a história da música no Brasil ao longo de 60 anos. Ele foi professor de todo mundo que você possa imaginar: Júlio Medaglia, Cláudio Santoro, Tom Jobim, os concretos têm ele como referência, todo mundo tem ele como grande referência. E eu fui aluna dele durante muito tempo, estudei análise musical, estética, regência, e também fui produtora dele na Rádio Cultura. Fiz vários projetos com ele e escrevi muito sobre ele”, explica.

Preservar a memória de seu legado já era um dos objetivos de Koellreutter e Regina sentiu que
Koellreutter
poderia para fazer isso. Ela lhe fez a proposta: “Em 1998/99, ele já estava preocupado com a posteridade. Ele era organizado na sua arte, mas faltava o tratamento da informação. Então, eu lhe propus um projeto de pesquisa sobre os documentos que ele tinha na sua residência aqui em São Paulo. Acabei apresentando esse projeto para a Fundação Vitae e consegui uma bolsa Vitae de pesquisa, de um ano. Nesse momento ele me delegou, textualmente e juridicamente o acesso a esse material até a publicação. Então, eu tenho um documento que me autoriza a isso”, afirma.

Com este material acessível,  surgiram as descobertas de um brilhante história de vida e que daria mais e mais pesquisas: “Á medida que eu fui levantando o material dele eu levei um susto, por que aparentemente era tudo organizado, mas não tanto, e era de uma riqueza muito maior do que eu imaginava. Fui organizando isso de uma maneira  muito empírica, intuitiva, sem cientificidade: fui fazendo listagens, fui separando o material por tipologia. Ao todo, eu tenho algo como 2000 itens de documentos. Tenho um pré-inventário disso tudo. Tive, então, o tempo todo essa preocupação memorial com esse material e a ideia toda sempre foi publicá-lo”, diz a jornalista.

E porque o rizoma? “Por que o pensamento dele é multidisciplinar, não é linear. E quem começou a enxergar como rizoma, como árvore do conhecimento, antes mesmo de eu ter a professora Andreia Gonçalves como orientadora, foi a professora Maria Rosa Crespo. E a escola está me dando todas as respostas que eu nem sabia (que poderia ter)  E o que pretendo com o PIBIC é fazer a indexação e o resumo desse acervo, com a orientação da professora Andreia”, conclui.



O que é o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica da FESPSP, (PIBIC):  uma iniciativa de auxílio à pesquisa

Ele nasceu em 2008 e está consolidado como um grande incentivo à pesquisa na FESPSP. O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC)  está voltado para o desenvolvimento do pensamento científico e iniciação à pesquisa de estudantes de graduação. Distribui bolsas de iniciação a pesquisa científica concedidas pela FESPSP com valor de R$ 400,00 e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, no mesmo valor. A vigência das bolsas é de 12 meses, iniciando em agosto de cada ano e finalizando em julho do ano seguinte, período em que os pesquisadores cumprem com um cronograma de obrigações, sob a orientação de seus professores. Entre as obrigações, está a apresentação do projeto no Seminário de Pesquisa da instituição.
O PIBIC tem como Coordenadora Institucional a Profª. Msª. Carla Regina Mota Alonso Diéguez e no Comitê Institucional de Iniciação Científica estão os professores Prof. Ms. Silvio José Moura e Silva, Prof. Dr. Rafael de Paula Aguiar Araújo e Prof.ª Dr.ª Valéria Martin Valls.


Os que nem trabalham nem estudam

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Cerca de 1,5 milhão de jovens entre 19 a 24 anos, concentrados nas faixas mais pobres da população brasileira, não trabalham, não estudam, nem procuram emprego - e o número de pessoas que se encaixam nesse perfil cresce. É o que mostra estudo feito por Joana Monteiro, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, batizado de "Os Nem-Nem-Nem: exploração inicial sobre um fenômeno pouco estudado". O levantamento, baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2011, mostra que o grupo de jovens desalentados (exclui donas de casa com filhos) já representava 10% da população nessa faixa etária. Com pouca escolaridade e baixa renda, eles podem elevar o desemprego se buscarem trabalho após os 24 anos ou serem permanentemente dependentes do governo.

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