sábado, setembro 21, 2013

Especial TCC: Bruno e os fanzines nas bibliotecas públicas



Bruno de Carvalho



Neste mês de celebração da cultura independente na rede municipal da cidade, Bruno de Carvalho, do sexto semestre matutino, prepara seu TCC sobre a inserção de fanzines nos acervos de bibliotecas públicas. A MC conversou com Bruno sobre o desenvolvimento da sua pesquisa:











MC: Por que você escolheu este tema?

BRUNO: O tema de meu trabalho é a biblioteca pública e a possibilidade de inserir os fanzines impressos de temática  alternativa em seu acervo como um dos produtos da cultura underground, para este estudo foi escolhida a Gibiteca Henfil, localizada no Centro Cultural São Paulo. O interesse em abordar o tema surgiu por gostar de fanzines e a diversidade de temas que eles abordam, por divulgarem a cultura que não está presente na grande mídia e biblioteca pública, denominada alternativa, underground. O contato com participantes da cena alternativa, a participação em fã clubes de bandas alternativas de rock, a ida a shows e por ter interesse em bibliografia sobre rock, despertaram a atenção em estudar um objeto que tem ligação direta com o rock em relação à divulgação e valorização das bandas alternativas, que mantém seu papel contestador fora da grande mídia: O fanzine. 

Em relação à área da Biblioteconomia o que levou a escolha do tema é buscar entender: Porque o fanzine alternativo não está inserido no acervo das bibliotecas públicas? Qual o motivo dos bibliotecários rejeitarem esse material nos acervos? 

MC: como o fanzine está resistindo ou enfrentando o meio eletrônico? Ele ainda é impresso com sempre foi?

BRUNO: O fanzine impresso migrou para o meio eletrônico, sendo disponibilizado em formato PDF e também nos blogs como por exemplo: http://arquivoriotgrrrlbrasil.wordpress.com/category/zines/ (O arquivo Riot Girrrll Brasil) referente a zines de bandas hardcore /  punk feministas, ele continua sendo impresso o que mudou foi o suporte em que está disponibilizado. Há também os e-zines 
(fanzines digitais), com essa evolução o zine impresso teve uma queda de produção até meados da década de 90 , o zine impresso teve seu ápice de produção editorial a partir do movimento punk na década de 80 no Brasil (divulgou inúmeras bandas que se tornaram conhecidas nacionalmente: Cólera, Plebe Rude, Replicantes, Biquini Cavadão, Legião, etc). Com a internet o fanzine potencializou sua divulgação nas redes sociais ( facebook).

Podem ser baixados gratuitamente para quem quiser ler. Mas o ideal é pedir autorização para quem fez o fanzine e avisar que vai distribuir que não há problemas. O mais importante é divulgar o fanzine e a cultura Underground, mostrar a sua importância para a cultura como um todo, isto também vale para a poesia marginal, enfim a literatura cinzenta disponibilizada fora do esquemão comercial. O que não pode é quando alguém que faz fanzine e se dispõe a  deixar uma pilha deles para serem lidos e ninguém ler, por isso o bibliotecário e quem tem interesse tem de abrir os olhos para essa cultura e incentivar a presença da literatura cinzenta nas bibliotecas nos mais diversos suportes informacionais. 

MC: O que você está lendo?

BRUNO: Em relação a fanzines estou lendo artigos da área da Comunicação do professor Henrique Magalhães, que é uma autoridade na área,  um dos maiores especialistas no país e no mundo em fanzines e quadrinhos,  do Edgard Guimarães, Gazy Andraus,  tenho contato com fanzineiros (pessoas que fazem fanzine), pois ter vivência na cena é fundamental: Marcio Sno, Law Tissot, Gabriela Gelain, entre outros.  Na área da Biblioteconomia tem os artigos do Waldomiro Vergueiro, para que eu entenda a relação do fanzine com as Histórias em quadrinhos. É necessário também falar da Biblioteca Publica e democratizações do acesso à informação destacam-se: Luis Milanesi e Tadeu Feitosa, sobre cultura alternativa/Underground tem o Raymond Willians, Bourdieu, Canclini, John D. H. Downing autor do livro Mídia Radical.


MC: Quais as conclusões preliminares que você já elaborou?

BRUNO: Os fanzines devem ter espaço no acervo das bibliotecas públicas, o bibliotecário tem que primeiro entender o que é zine. Depois reconhecer o seu valor documental. E depois encarar o maior desafio que é: como catalogar e organizar esse acervo. É necessário enxergar além das Histórias em quadrinhos e fanzines de quadrinhos, disponibilizando fanzines de outros assuntos: Música, meio ambiente, poesia, etc. Pois  o centro Cultural São Paulo e a Gibiteca Henfil são espaços frequentados também pelo público alternativo e não só apreciadores de Gibis e Histórias em quadrinhos,  ao disponibilizar fanzines de outras temáticas na Gibiteca e em outras bibliotecas públicas, é necessária a compreensão dos bibliotecários que toda informação merece e deve ser disponibilizada ao público em geral.

O fanzine é uma publicação de caráter alternativo e amador por si só, lançado, geralmente, em pequena tiragem e que é impresso de forma artesanal, não seguem padrões editoriais formais como os periódicos. Os responsáveis por sua produção e edição são, na maioria das vezes, indivíduos,grupos ou fãs-clubes de determinado segmento (arte, música, cinema, literatura, política, HQ, poesia etc), podem ter um único assunto ou vários assuntos num mesmo fanzine, possibilitando uma liberdade criativa do editor em relação a escrita e imagem e padronização formal.

MC: Quem é o seu orientador ?

BRUNO: A professora Tânia Callegaro  

MC: Você pretende seguir um mestrado, ou publicar artigos em revistas científicas e participar de congressos da área?

BRUNO:  Este é um tema que vai possibilitar ampliar meus horizontes em relação a outros temas que tenho interesse em estudar no futuro, Mídia, Recepção e Consumo Cultural e Informação ou História do Rock. Ainda não pensei em relação a apresentar esse trabalho em congressos ou escrever artigo.



3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Muito legal saber sobre a pesquisa do Bruno. Já fui leitor e divulgador de fanzines em papel, mantive contato por carta com um pessoal que escrevia zines relacionados a cultura punk e ajudava na divulgação de alguns. Tentarei assistir sua apresentação, parabéns pelo tema. Abraço.

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  3. O tema do Bruno é realmente único, Well, e uma pesquisa muito interessante, vai atrair muito a atenção nas apresentações dos TCCs. Obrigada pela sua participação!

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