quinta-feira, setembro 26, 2013

O olhar e o pensar de Claudio Marcondes


 
Cláudio Marcondes de Castro Filho, bibliotecário formado pela FESPSP, mestre e doutor pela ECA/USP, foi o pioneiro a aplicar no país o modelo espanhol CRAI. Em entrevista exclusiva gentilmente concedida à MC por email, o professor Claudio falou sobre o projeto CRIPE, perspectivas em pesquisa na área de Ciência da Informação e o lançamento de seu livro “Olhares sobre a atuação do profissional da Ciência da Informação”:








MC: Como responsável pela implementação aqui no Brasil do modelo CRAI, como o senhor avalia os resultados do CRIPE, modelo aplicado na biblioteca da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP de Ribeirão Preto?

CLAUDIO: Bem, O CRIPE foi o resultado de um projeto enviado para o CNPq e aceitado para seR implantado, mediante o modelo CRAI, estudado e pesquisado para o meu doutorado. Nesse aspecto o CRIPE tem alguns objetivos, funções e características bem similares que o CRAI, que foram implantados na Espanha. Avalio que os resultados são ótimos, uma vez que estão tendo uma boa repercussão com os alunos e professores do curso de Ciências da Informação e da Documentação da FFCLRP. 

MC: Quais as perspectivas de implementação em outras bibliotecas?
CLAUDIO: Alguns estudos estão sendo elaborados por algumas Faculdades da USP e no momento que eu tenho conhecimento, é a Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo – campus São Paulo, que tem um projeto aprovado e está em fase de implantação.  

MC: Como este projeto pretende impactar a formação de alunos de Biblioteconomia?
CLAUDIO: Acredito que o impacto maior é que podemos elaborar outros projetos com a participação dos alunos, seja elaborando ou implantando projetos. Outro aspecto é apresentar um novo modelo de biblioteca universitária, que existe em outros países, como também o modelo brasileiro. Acredito que conhecer “in loco” o CRIPE é de suma importância, para que os alunos avaliem os produtos e serviços oferecidos e se estão em consonância com os objetivos dos usuários.

MC: A respeito do lançamento do livro em que o senhor é o organizador "Olhares sobre a atuação do profissional da Ciência da Informação", a integração entre academia e a atividade profissional está satisfatória para uma atuação comprometida, responsável e criativa?
CLAUDIO: O livro apresenta várias possibilidades de atividades do profissional da informação, ou seja, do bibliotecário. O livro aborda, de maneira didática e aprofundada, importantes conceitos, revisão de literatura e pesquisas científicas que traçam um panorama do bibliotecário e seu campo de atuação. É claro que o campo é bem mais vasto do que o livro apresenta. Os textos têm como fio condutor o profissional bibliotecário e suas facetas. Os olhares são diversos e o resultado foi um escopo amplo e diverso, buscando a compreensão do bibliotecário, como agente mediador da informação e transformador da sociedade.


MC: Quais são os maiores desafios que o recém-formado de hoje encontrará ao sair da faculdade?
CLAUDIO: Os desafios serão muitos, mas acredito que serão atingidos, pois os cursos de biblioteconomia e Ciência da Informação, de maneira geral, apresentam uma grade curricular que atinge as necessidades do mundo de trabalho. Acredito também, que o recém-formado, tem que ter uma maior preocupação com os usuários da unidade de informação em que for atuar, pois na questão da organização da informação, existem suportes para resolver essa questão. Outra questão que considero como desafio é a disseminação da informação para os usuários, pois sem esse serviço de nada adianta uma unidade de informação organizada.

MC: Quais são as questões mais importantes que a Ciência da Informação coloca para a pesquisa nos próximos 5 anos?
CLAUDIO: Particularmente acredito nas pesquisas com relação às bibliotecas escolares, públicas e comunitárias. São muito pouco estudadas no Brasil e estamos carentes desses estudos, pois, a nossa sociedade ainda desconhece essas áreas e faltam ambientes de informação dessas tipologias. As grandes capitais estão organizadas nessas áreas, mas no interior desse Brasil ainda tem muito que se fazer.


Lançamento do livro “Olhares sobre a atuação do profissional da Ciência da Informação", amanhã, na Livraria Martins Fontes da Avenida Paulista, às 15h30. 

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