sexta-feira, outubro 11, 2013

Especial TCC: Linguagens documentárias, com Millian Piche

Millian Piche
 Millian Felipe Batista Piche, aluno do oitavo semestre matutino, está levantando questões sobre a escolha de termos na indexação. Na sua pesquisa de TCC, Millian tem se deparado com organizações que não aplicam políticas de indexação, ou até nem a desenvolvem. Quem sofre, claro, é o usuário. Veja a entrevista:











MC: Qual é o tema do seu TCC?

MILLIAN: Linguagens documentárias: por que padronizar?

MC: E por que padronizar?

MILLIAN: Eu percebi que muitas pessoas acabam fazendo adaptações na hora de fazer a classificação de um documento. Quando a pessoa faz isso a gente às vezes perder documentos. Em muitas bibliotecas em que eu fui fazer pesquisa eu tive que garimpar o livro por que não estava indexado corretamente. Então, eu percebi que tem pessoas que indexam erroneamente ou por uma questão pessoal, ou por discriminação contra um livro, por exemplo, um livro que fala de homossexualismo, a pessoa propositadamente indexa errado.

MC: Mas, estamos falando de biblioteca pública, especializada, qual tipo?

MILlIAN Encontrei problemas de indexação em bibliotecas universitárias, e em bibliotecas de empresas.

MC: Você trabalha com as duas?

MILLIAN Eu fiz estágio na biblioteca do Metrô, e lá eu percebi uma certa tendência na indexação, e até na sua exaustividade. Isso tem a ver tanto com a linguagem que é escolhida quanto com o comportamento do profissional. Eu vou procurar abordar a linguagem em sim, mas eu vou pegar um pouco desse viés, que quero falar sobre isso, essa questão do pessoal. Nós sabemos que a neutralidade é muito difícil, mas ela tem que ser buscada, não se pode apenas aceitar e você indexa como você quer. Eu realmente tive dificuldade para encontrar as obras, e elas estavam lá. Então, você tem que ficar imaginando uma estratégia de busca, imaginar que palavras o profissional usou para indexar, e ele usou palavras muito pobres.

MC: Essas instituições não têm um vocabulário controlado ou um tesauro?

MILLIAN: Muitas vezes eu vejo que não há isso, seja por falta de recursos humanos ou por falta de recursos financeiros.

MC: Ou por falta de conhecimento?

MILLIAN: Não sei se é falta de conhecimento por que o profissional já recebeu esse conhecimento na sua formação. Então, houve uma decisão pessoal. Eu acredito que até há uma decisão política da instituição quando não adota uma lista de cabeçalhos de assunto ou tesauros que já existem. Quanto eles não adotam, houve uma decisão pessoal. Em entrevistas, eles não admitem isso, mas eu tenho essa suspeita.

MC: Você vai tocar em um vespeiro então?

MILLIAN: Não, não vou chegar a mexer no vespeiro, mas vou citar que ele existe.

MC: O que você leu para sua pesquisa?

MILLIAN: Algumas coisas da Tálamo,  são muito interessantes. A maioria dos trabalhos são antigos, como do Langridge (Derek Langridge “Classificação: abordagens para estudantes de biblioteconomia) ,que é de 1977, mas ele fala muita coisa interessante, é muito bom. Encontrei na ECA alguns trabalhos atuais, são duas teses de mestrado, muito interessantes, que abordam um pouco dessa questão da linguagem documentária, adaptações, problemas que estão sendo encontrados...Tem um trabalho da Maria Eugênia que eu encontrei em um livro sobre organização do conhecimento, em que ela fala que a CDD não tem uma palavra específica para micro e pequena empresa, mesmo agora na 23ª edição. E eu pesquisei e não tem uma palavra para micro e pequena empresa.

MC: Quem é seu orientador?

MILIAN: A professora Andreia Gonçalves.

MC: E você pretende levar o seu trabalho para algum congresso, seminário, participar de algum prêmio, etc?

MILLIAN: Eu nunca imaginei isso, não sei se eu poderia fazer isso no futuro. Eu estou muito preocupado agora com a qualidade, com a clareza, com a coerência do trabalho. 

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