quinta-feira, novembro 21, 2013

Especial TCC: Cris Laudemar e o Núcleo Clóvis Moura


Cris Laudemar 
Cristiane Laudemar, aluna do oitavo semestre noturno,  escolheu o Núcleo de Pesquisa Clóvis Moura como tema do seu TCC. Principal figura feminina do Núcleo, naturalmente desenvolveu o interesse pelo assunto a partir da convivência e atuação na biblioteca desde 2010. Saiba o que a aluna vai explorar em sua pesquisa:









CRIS: O Núcleo tem tomado uma proporção desde quando foi criado e o TCC vai falar sobre o impacto do Núcleo sobre os alunos da FESPSP: como o núcleo influenciou nos trabalhos, como ele é visto pelos alunos, pelos professores. Ele vai dar essa visão da importância do Núcleo aqui dentro da instituição.

MC: O que você tem visto de reação?

CRIS: Eu apliquei um questionário para a comunidade FESPSP. Foram distribuídos 100 questionários para alunos e professores dos três cursos e da pós-graduação, ex-alunos e funcionários. Fiz dez perguntas referentes ao Núcleo e à cultura afro-brasileira, já tabulei, tenho um gráfico e o resultado foi muito legal, já fechei o TCC. Estou muito feliz.

MC: Você pode adiantar alguns resultados?

CRIS: Não, eu prefiro falar no dia, acho que é mais interessante (risos). Tem muita coisa que dá margem para outros estudos. Encontrei um autora maravilhosa, a Virgina. Eu estava trabalhando com outros autores, como o Florestan Fernandes, e na reta final, graças ao Adão (para variar), ele me apresentou uma autora chamada Virginia Leone Bicudo, uma negra, que estudou aqui na ESP nos anos 40 e fez parte do Projeto UNESCO junto com o Florestan. A Virginia Leone tem uma tese sobre negros, pardos e mulatos no Estado de São Paulo, é psicanalista e mudou muito o meu TCC: a conclusão tem a ver com ela.

MC: O que você leu especificamente da Virginia?

CRIS: “Atitudes raciais de pretos e mulatos em São Paulo”. Ela faz uma pesquisa em diversas camadas da população negra. Uma negra estudando aqui nos anos 40, psicanalista! É a coisa mais difícil! Ela vem de uma família pobre, onde o pai era escravo em uma fazenda..tem uma história linda. E ela resolve estudar Ciências Sociais por causa do preconceito que ela sofria na infância, ela queria entender o porquê daquele preconceito. Ela faz o relato dessa tese de mestrado, e tem o Donald Pierson, que foi uma figura importantíssima na história da ESP como orientador. Então, eu mudei muito o TCC nessa reta final: eu tinha colocado o Florestan Fernandes muito em destaque. Agora eu coloquei-o em uma secundária e deixei a Virginia falar mais. E a história dela tem muito a ver comigo.


MC: É praticamente um TCC institucional?

CRIS: Não deixa de ser porque retrata como os alunos vêem o Núcleo, como ele mudou alguns pensamentos, como ele foi utilizado por alguns alunos para fazerem seus trabalhos, tanto que a minha bibliografia sai praticamente toda daqui: o tesauro da Roselene Medeiros, o trabalho do Rafael Balseiro sobre o Luís Gama, que saiu de uma palestra do Núcleo feita pelo professor Ivan Russeff. E o Rafael está indo para o mestrado na PUC no ano que vem falando de uma outra autora negra, a Maria Firmina dos Santos.

MC: Quem é seu orientador?

CRIS: Maria Rosa Crespo.

MC: E você apresentar em quais Congressos, Seminários, etc?

Cris e a professora Tânia Callegaro
CRIS: Eu quero muito fazer isso, e o meu mestrado já está voltado para a Virgínia. O fato de ela ser psicanalista veio muito de encontro com o meu trabalho porque eu mexo muito nesse psicológico do negro, a questão da baixa auto-estima, e você ouvir que você é feio, que o seu cabelo é feio, claro que não tem como você não trazer isso para a sua vida. Você não deve depender do outro para se achar bonita, a sua essência é muito maior do que isso.




5 comentários:

  1. Cris você é uma pessoa linda, um exemplo a ser seguido, uma guerreira... Parabéns!

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  2. Parabés Cris....Beijos...Vai dar

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    1. Esqueci o vai dar tudo certo do seu TCC.
      Fernando 8 semestre

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  3. Rose, Fernando e Marisa, obrigada pelas mensagens! A trajetória da Cris é belíssima e vamos continuar acompanhando!

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