sexta-feira, novembro 15, 2013

Por uma contínua valorização dos afro-descendentes


Riachão se apresenta no Museu Afro
Vozes da África

Deus! ó Deus! onde estás que não respondes?
Em que mundo, em qu'estrela tu t'escondes
Embuçado nos céus?
Há dois mil anos te mandei meu grito,
Que embalde desde então corre o infinito...
Onde estás, Senhor Deus?...
Castro Alves, 1868.


“A cada novo 20 de novembro, Zumbi se espraia, amplia o seu território na consciência nacional, empurra para os subterrâneos da história seus algozes, que foram travestidos de heróis".



A Lei 10.639 de 2003 estabelece que no dia 20 de novembro seja comemorado o Dia da Consciência Negra, em referência ao aniversário da morte de Zumbi dos Palmares (1655-1695), líder dos quilombos dos Palmares no período colonial brasileiro. A data foi criada através de esforços dos movimentos sociais para evidenciar as desigualdades que afligem os negros no país, sua cultura e sua colaboração para a nação que temos atualmente.

A escravidão não é apenas uma mácula na história do Brasil. É também uma estrutura oficialmente sepultada cujas sombras teimam em determinar o presente. Durante quatro séculos, foi uma coluna que sustentou o crescimento de um grande e complexo país e, passados mais de cem anos de sua extinção, impõe a ele tributos.

A questão continua em carência de equiparação, pois, seguido a um processo abolicionista que não adotou medidas que assegurassem direito pleno a cidadania, observamos a marginalização dessa parcela da população.

O Brasil abriga a segunda maior nação negra do mundo, atrás apenas da Nigéria, e é inegável que o país tem uma divida histórica com negros e indígenas.  As cotas raciais são um modelo de ação afirmativa implantado em alguns países para amenizar desigualdades sociais, econômicas e educacionais entre raças. Em 1960 foi a primeira vez que essa medida foi tomada, nos Estados Unidos. No Brasil, ganhou visibilidade em 2000 quando universidades e órgãos públicos começaram a adotá-las em vestibulares e concursos.

Dentro da disciplina de Linguagens Documentárias Pós-Coordenadas, a Professora Andreia Gonçalves Silva nos propôs a construção de um tesauro sobre uma área específica do conhecimento. Optei pelo tema de escravidão negra no Brasil para conhecer melhor um período de barbárie dentro de nossa história.  As facetas escolhidas para este tesauro foram: Doenças, Escravidão, Resistência, Castigo e Legislação. Além disso, quis, de alguma forma, contribuir para uma maior visibilidade da herança africana na sociedade brasileira, onde o negro tem que resgatar a sua história, raízes essenciais para a valorização dos afro-descendentes e a conquista de espaço efetivo e participativo em igualdade de direitos.

Para a criação do Tesauro foi consultado o acervo da Biblioteca Clóvis Moura da FESPSP, com o auxílio de Cristiane Laudemar e equipe,  em busca de obras de referência pertinentes ao tema escolhido e ao uso da Norma ISO 2788 de 2013, que estabelece os padrões para tesauros.

Sugestões de leitura:
COETZEE, J. M.
COUTO, Mia
GORDIMER, Nadine
MAHFOUZ , Naguib
ALMEIDA, Ndalu de (popularmente conhecido como “ONDJAKI”)
PEPETELA.

Para saber mais:




Referências

MOURA, Clovis. Dicionário da Escravidão Negra no Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2004.


Onde ir no feriado:

Veja as comemorações do Museu Afro Brasil para este Dia da Consciência Negra em São Paulo

Museu Afro Brasil celebra Dia da Consciência Negra com espetáculos e exposição “A Nova Mão Afro-Brasileira”
Em 20 de novembro, no Dia Nacional de Zumbi dos Palmares e da Consciência Negra, o Museu Afro Brasil celebra os 25 anos da exposição e do lançamento do livro “A Mão Afro-Brasileira – Significado da Contribuição Artística e Histórica”. O museu realiza ainda um encontro com os artistas convidados para a exposição “A Nova Mão Afro-Brasileira”, um show do sambista baiano Riachão e uma apresentação do Maracatu Bloco de Pedra.
Confira a programação completa.
Museu Afro Brasil, Parque Ibirapuera - 20 de novembro de 2013

11h - Teatro Ruth de Souza


 Encontro e Debate com os artistas convidados para a exposição A Nova Mão Afro-Brasileira
Claudinei Roberto, Advânio Lessa, Sônia Gomes, Eustáquio Neves, Rener Rama, Pedro Marighella, Anderson Santos, Ayrson Heraclito, Arjan Martins, Heberth Sobral, Lippe, Marcos Dutra, Renato Matos, Izidorio Cavalcanti.
13h30 - Abertura da Exposição
 A Nova Mão Afro-Brasileira

Homenagem à 1ª edição do livro “A Mão Afro-Brasileira”, com salas especiais e retrospectivas com obras de artistas dos séculos XVIII e XIX, modernos e contemporâneos. O livro foi lançado durante exposição homônima no Museu de Arte Moderna de São Paulo, em 1988, o ano do Centenário da Abolição da Escravatura.
14h - Teatro Ruth de Souza
 RIACHÃO E SUA MÚSICA

Riachão, 92 anos, cantor e compositor baiano, nasceu em Salvador. É um dos mais importantes e populares sambistas da Bahia, autor de grandes composições da música brasileira, como “Vá morar com o Diabo”, gravada por Cássia Eller, e “Cada macaco no seu galho”, gravada por Caetano Veloso e Gilberto Gil.
Zirig Dum do Além
 Performance de Renato Matos
14h30 - Apresentação do Maracatu Bloco de Pedra – Homenagem ao professor Ary de Rezende (1940 – 2012), ex-diretor da E.E. Prof. Antônio Alves Cruz, ex-presidente
da Associação Fênix para o Desenvolvimento da Educação e Cultura e ex-conselheiro do Museu Afro Brasil.
16h - Teatro Ruth de Souza
Apresentação do filme Hereros – Angola, de Sérgio Guerra.
18h - Coquetel
 Batidas e licores, acarajés e abarás.







Roselene Mariane de Medeiros, 4º sem. Noturno


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