terça-feira, fevereiro 04, 2014

Comissão da verdade: 50 anos do golpe militar de 1964.

Na sexta-feira, 31 de janeiro, a Comissão da Verdade da FESPSP encerrou a semana de recepção dos calouros de 2014 com Luiza Erundina debatendo os 50 anos do golpe de 1964. A aluna Magali Machado de Almeida (monitora científica 2013) fez um relato do que rolou no debate.

No ano em que o Brasil relembra o golpe militar de 64, que instaurou a mais longa ditadura no país, em uma terceira quebra da democracia que aboliu violentamente direitos políticos, sociais e civis, o clamor de todas as manifestações e eventos referentes à triste efeméride é um só: que o acontecimento nunca mais se repita.

Para garantir essa minimização do risco, as gerações que viveram este último regime de exceção brasileiro apostam todas as suas fichas nos jovens de hoje, expondo a todos eles as mazelas e consequências de dias turbulentos e cruéis. A informação como arma estratégica neste embate é o argumento inconteste para o convite à discussão e novas proposituras de ação.

Alinhados com esta visão, os centros acadêmicos da FESPSP fecharam na última sexta-feira a semana de recepção aos calouros de 2014 reverberando a importância de se levantar questões daqueles anos para o melhor entendimento de nossa realidade e vivência democrática.

Sob a coordenação do aluno de Sociologia Dyego Oliveira, da Comissão da Verdade da FESPSP, o Centro Acadêmico Florestan Fernandes (CAFF), representado pela aluna de Sociologia Mayara Amaral, e o Centro Acadêmico Rubens Borba de Moraes, representado por Eliana Gaiga, aluna de Biblioteconomia, recepcionaram a Deputada Federal Luiza Erundina (PSB-SP) à mesa temática “50 anos do golpe de 64: Nunca Mais!”.

Da esquerda para a direita: Eliana Gaiga, Dyego Oliveira, Luiza erundina e Mayara Amaral. 


Em sua fala, Luiza Erundina repassou os principais eventos de sua trajetória política, desde sua atuação junto aos trabalhadores rurais no sertão paraibano no final dos anos 60 como assistente social militante pela reforma agrária até sua chegada à São Paulo na década de 70 para atuar como assistente social da prefeitura. Em princípio, pensou ter abandonado a luta da reforma agrária de seu estado natal, mas, trabalhando junto aos moradores dos cortiços e favelas da capital, entendeu que a questão agrária continuava na agenda de sua luta política, com os imigrantes nordestinos, como ela, como protagonistas.

Sofreu perseguições políticas com o golpe de 64 que a impediram de atuar plenamente na carreira acadêmica. À época de seu mestrado em Sociologia na FESPSP, em 1968/69, militava profissionalmente e estava ligada apenas à Pastoral da Terra, segmento da Igreja Católica em oposição à ditadura, no “rescaldo das Ligas Camponesas”, como explicou ao público.

Luiza Erundina criticou novamente a Lei da Anistia pois “anistiou todo mundo”, beneficiando também aqueles que torturaram, estupraram e assassinaram. E afirmou que os relatórios finais das Comissões da Verdade no país inteiro, ao apontarem os responsáveis pelos crimes de lesa-humanidade, devem se converter em processos judiciais para se fazer justiça às vítimas desses atos cruéis.

A Deputada terminou sua fala elogiando os centros acadêmicos da FESPSP por destacaram a importância de se fazer política e que os jovens que estão na rua “não são os black blocks, mas sim, jovens indignados que não aguentam mais a mesmice e querem protagonizar a história.” E atualizou o cenário: “Isso não é só para reparar o que aconteceu no passado, é para reparar o que acontece hoje nas delegacias de polícia. Os jovens desaparecem, as torturas que acontecem todo dia, os “amarildos” da vida, e outros tantos, sem se dar sequer satisfação. A polícia mata adoiado e não acontece nada. E os comandantes, superiores e governantes dizem “Vamos apurar”. E nunca apuram coisa nenhuma. Porque quem morre é o filho do pobre, é o negro, é o jovem. E isso é resquício de um período militarista”, concluiu Luiza Erundina, entre aplausos da plateia.

Saiba mais sobra a Comissão da Verdade FESPSP e participe:

A Comissão da Verdade FESPSP foi instalada em junho de 2013, em consonância com o mesmo movimento em outras instituições educacionais públicas e privadas, com o fim último de apoiar a Comissão Nacional da Verdade.
Desde então, a Comissão tem reunido documentos em arquivos públicos, como o arquivo do DOPS e o Centro de Documentação da FESPSP, que retratassem qual foi a participação da instituição no período da ditadura militar e, diferentemente de outras escolas, a Comissão quer lançar luz nos escusos financiamentos estabelecidos.

Entre os casos a serem investigados está o teor do convênio que a FESP fez com a Escola Superior de Guerra e a intrigante presença de um capitão do exército americano, altamente graduado, entre os alunos de Sociologia. Charles Rodney Chandler foi morto em 1968, na porta de sua casa, no bairro do Sumaré, justamente quando estava indo para sua aula na FESP. Qual seria sua ligação com a instituição?

Apoio dos alunos e profissionais de Biblioteconomia
A Biblioteconomia da FESPSP, representada pela coordenadora do curso, Professora Doutora Valéria Valls, dará apoio à Comissão na pesquisa dos documentos, com coordenação do Professor Francisco Lopes Aguiar. O CEDOC da FESPSP e o CA Rubens Borba da Moraes também participam do processo e o convite está a aberto a todos os alunos da graduação e da pós que tenham interesse em auxiliar nesta fase de investigação.

Ficou interessado? Então confira os links abaixo que falam mais a respeito do golpe de 64:



Colaboração da matéria: Magali Machado de Almeida.

Nenhum comentário:

Postar um comentário