sábado, fevereiro 22, 2014

Digital x Físico

A discussão entre físico e digital não é nova, muito pelo contrário, já discutida em diversos meios de comunicação (inclusive na própria monitoria) ela se torna pauta novamente, desta vez com uma visão para acervos diferentes dos que geralmente lidamos.
Primeiramente é importante retomar onde essa discussão tem inicio: com a evolução da tecnologia o suporte físico começou a compartilhar sua função com leitores digitais, máquinas avançadas que forneciam programas de visualização de materiais em telas planas, sendo ela do seu computador, celular ou tablet.
O que antes era uma moda se tornou um nicho de trabalho, hoje dificilmente você encontrará livros que lancem sem a sua versão digital, as vezes os mesmos vem somente em versão online, caso do famoso 50 tons de Cinza que só ganhou sua versão impressa após o sucesso estrondoso nos Estados Unidos.
Porém, não foram só os livros que ganharam versões completamente digitais. A Adobe, uma famosa produtora de programas de computador não vende mais qualquer CD ou DVD de seus produtos, todos eles podem ser adquiridos após uma rápida compra online com seu cartão de crédito. Após realizar a negociação lhe é entregue um link para download assim como uma key, ou seja, uma chave de acesso intransferível que registra o seu IP, fazendo com que você possa desinstalar e reinstalar o programa em seu computador sem problemas, porém, se você tentar fazê-lo em duas máquinas simultâneas o código de acesso se tornará inválido para uma delas.
Esse tipo de avanço tecnológico é incrível e assustador, sabendo que estamos sendo registrados por programas o tempo todo, nos faz perguntar até que ponto a rede nos conhece?
Um programa estrangeiro promoveu uma pegadinha com transeuntes em que prometia “ler o futuro deles”. As pessoas entravam na tenda do suposto vidente e davam o seu nome, em seguida o vidente começava a lhe passar diversas informações: nome dos pais, lugares em que a pessoa visitou, até mesmo recados íntimos! Assustados as pessoas perguntavam ao vidente como ele sabia tanto  e então a pegadinha revelava seu segredo. Ao lado, em uma parte oculta da tenda, um homem estava com um notebook e o facebook aberto, através da rede social e do nome do entrevistado ele conseguia todas as informação adivinhadas.
O problema do digital é exatamente este, você se torna exposto a uma rede instável e insegura.
Insegura sim, porque por mais que você tenhas cuidados, anti-vírus e outras diversas formas de proteção, hackers, crackers e programas maliciosos estão infestando a rede somente esperando por um pequeno deslize para invadir a sua máquina, contaminá-la e, por que não, apagar todo o conteúdo da mesma?
Pensando menor também podemos falar da instabilidade de servidores, seu desaparecimento de uma hora para outra, assim como as informações que se perdem nos confusos caminhos até as nuvens.
A insegurança versus o conforto e a praticidade, porque não podemos ignorar que o digital vem para fazer exatamente isso, tornar prático.


Para que levar um livro pesado de 800 páginas quando pode-se acessar de forma rápida, leve e compacta em seu celular ou tablet? Esses são os desafios de hoje, mas não estamos aqui para falar apenas de livros.
A plataforma digital se tornou popular em outros setores também, podemos citar o da música, por exemplo. Apesar da compra de CD’s ainda existir, ela está aos poucos se tornando obsoleta, já que, os aparelhos sonoros dos dias de hoje não fazem a leitura desse suporte, e ele se torna – assim como os amados LP’s – apenas um item de coleção para os mais apaixonados por um determinado artista ou banda.
O download de material digital, e aqui estamos ainda falando de música, já é uma praticamente extremamente popular. No começo era uma forma de pirataria, usuários poderiam fornecer em servidores músicas para download de forma gratuita, assim privando os artistas de qualquer lucro em cima de seu trabalho.
Percebendo que tal prática se tornava cada vez mais popular as grandes gravadoras pensaram em uma forma de combater a pirataria digital criando o download oficial das músicas de seus artistas conveniados. De forma legal e com preço muito mais acessível, a nova forma de comércio musical se popularizou, apesar de ainda existir o download não permitido de material com direitos autorais.
Outro local em que a mídia digital ganhou mercado foi o de games. Hoje é normal que consoles de ultimas gerações ofereçam seus jogos de forma física (por meio da compra em lojas) ou então digital (por meio de um loja do próprio console).
Através do uso da internet pelo vídeo-game, o jogador pode entrar na loja online da produtora do console onde os jogos estarão disponíveis para download após o pagamento de um valor muito abaixo do que o da mídia física.
Baseada nesses mesmos conceitos uma empresa criou uma loja totalmente digital para jogos com a plataforma PC (personal computer). A Steam oferece jogos gratuitos e pagos, sendo os pagos muito mais baratos do que a mídia física original. Todos os jogos são legais, respeitando os direitos autorais das fabricantes, e depois de muitos eles finalmente resolveram oferecer a opção de pagamento em real, devido a grande demanda de consumidores brasileiros.

Estamos passando por um período de transição com essa nova era tecnológica em que novos recursos surgem a todo o instante visando maior conforto, isso não quer dizer que devemos abandonar os velhos utensílios que usamos por décadas, na verdade se fosse escolher uma resposta adequada para a pergunta: “Digital ou físico?”, essa seria “Nenhum dos dois!”, pois não acredito que eles existam sem o outro, penso que seu equilíbrio está no fato de se complementarem. 

Se interessou? 
Confira o link da pegadinha do falso vidente: http://www.youtube.com/watch?v=0TdHj9vruwU

2 comentários:

  1. Interessante o post, mas creio que estamos todos muito assustados com as novas mídias e estamos nos esquecendo de uma questão que talvez seja mais simples e que independe se o suporte é físico ou digital. A classificação e a catalogação destes acervos não muda e os bibliotecários tem total condições de trabalhar com ambos. Os ambientes digitais estão muito carentes de profissionais da informação com habilidades para organizá-lo e me parece que os bibliotecários estão ainda, enxergando o suporte digital como uma barreira, quando na verdade, uma pequena adaptação (e que não passa por grandes conhecimentos em tecnologia) bastaria para explorar este mundo tão vasto.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito bem colocado Giancarlo. Infelizmente ainda temos muitos bibliotecários que se negam a trabalhar com a tecnologia, o que é uma pena, principalmente quando pensamos em integração e acesso.
      A adaptação é sempre necessária, afinal, somos seres em constante evolução, certo?
      Logo teremos uma matéria sobre os profissionais do meio digital.

      Obrigada por acompanhar o blog!

      Excluir