domingo, novembro 30, 2014

Coluna Música e Livros por Bruno Carvalho

Música e Livros é uma coluna escrita por Bruno Carvalho, ex-aluno de Biblioteconomia da FESPSP, que fala a respeito de bandas e o que elas leem, mostrando que música e livros podem ter tudo a ver!

Entrevista com Tony Babalu.
1) Tony Babalu, quando você decidiu ser músico?
No final dos anos 60, quando comecei a aprender violão de forma tradicional, com professora. Esse período, porém, durou pouco, e cerca de 3 meses após o início das aulas eu já seguia sozinho após aprender alguns acordes básicos.
Com o tempo formei minha primeira banda, que no entanto só iria se apresentar profissionalmente cerca de 2 anos depois.


2) Na época do Made in Brazil anos 70, para escrever as canções vocês se inspiravam em alguns livros? Quais?
Nessa época a literatura que consumíamos era quase toda de contracultura, baseada na negação de valores e padrões estabelecidos e enraizados socialmente, fossem políticos ou comportamentais. Um exemplo do que líamos é o cultuado "Pan América" (1967), de José Agrippino de Paula, cujos personagens eram ícones da cultura de massa da época, como Marlon Brando, Che Guevara, Marilyn Monroe, entre outros… Jack Kerouac, Allen Ginsberg e Jean-Paul Sartre podem ser citados como outros exemplos de autores influentes e formadores de opinião dessa geração.


3) Tem alguma música sua que fala de algum livro? Ou alguma música que tem trecho de livros?
Não explicitamente, mas é certo que algumas músicas foram fortemente influenciadas pelo que eu lia ocasionalmente no momento em que foram compostas… posso citar como exemplo "Halley 86", feita durante a passagem do cometa homônimo pela Terra em 1986, época em que eu era praticamente viciado em livros sobre astronomia, que lia vorazmente na biblioteca da USP, onde fui aluno de História no começo dos anos 80.


4) Como era o convívio com as bandas nos anos 70? Comente um pouco sobre o rock na região da Pompéia na época, as apresentações das bandas, os lugares que tocavam, etc.
Nos anos 70, o rock era tocado em teatros como Brigadeiro, Aquários, TUCA e outros, em temporadas de duas a três semanas, de quarta a domingo, muitas vezes com sessões extras nesses dois últimos dias, algo difícil de se acreditar hoje em dia. As bandas da Pompeia (Made in Brazil, Mutantes, Patrulha do Espaço, Tutti Frutti, Pholhas e outras...) tinham como referência o rock inglês e norte-americano, e isso atraía a parcela da juventude mais interessada em música do que em contracultura ou política, embora ambas com frequência se interligassem na estética e atitude. Com seus ensaios abertos e simultâneos, que frequentemente terminavam em audições coletivas de discos novos e importados que alguém conseguia a cada semana, a Pompeia funcionou como um polo cultural-musical da cidade durante uma boa parte dos anos 70, especialmente no início da década. Uma característica curiosa desse período é o fato de não haver uma estrutura comercial de entretenimento na região (casas noturnas, cinemas, livrarias ou restaurantes inexistiam), e as discussões apaixonantes e intermináveis sobre música eram realizadas em plena rua ou em casas particulares dos músicos do bairro. Tudo era improvisado e decidido em cima da hora, mas o interesse comum garantia a certeza de que qualquer que fosse o evento, o tema central seria rock and roll.


5) Quando decidiu seguir carreira solo?
Essa ideia coincidiu com meu interesse crescente pela música instrumental a partir de 2003, quando gravei o CD "Balada na Noite", registrado artesanalmente e lançado exclusivamente na web, em uma época em que o mercado digital ainda era visto como uma incógnita em termos de venda. A conquista e barateamento dos meios de produção foram determinantes para essa decisão, por propiciarem uma independência real de produtores, gravadoras, interesses comerciais e até mesmo de outros músicos, se fosse o caso. Ficou possível e acessível gravar e lançar sozinho um trabalho autoral, o que serviu de incentivo e estímulo na hora certa.


6) Quais livros costuma ler?
Costumo ler muito, priorizando a diversidade de gêneros. Entre os autores com quem me identifico, cito Elio Gaspari ("A Ditadura Escancarada"), Peter D. Ward//Donald Brownlee ("Sós no Universo?") e Isaac Asimov ("O Livro dos Fatos"). Nos últimos tempos, porém, tenho lido só biografias (autorizadas ou não) de músicos e artistas que me influenciaram e me influenciam ainda, em alguns casos. A de Pete Townshend, guitarrista ícone da banda inglesa The Who, foi a última.


7) Fique á vontade para deixar uma mensagem aos leitores do blog, indicar livros, falar sobre seu novo disco…
Agradeço as perguntas e espaço concedido e convido os leitores do blog a visitarem meu site (www.tonybabalu.com), que contém as informações sobre o meu recém lançado CD, "Live Sessions at Mosh".



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