domingo, fevereiro 08, 2015

Coluna: Onde estão os Bibliotecários? Por Grazielli de Moraes





“A FESPSP... não forma apenas profissionais, mas cidadãos conscientes de como exercer a sua profissão dentro de seu contexto social, parece simples mas não é, porque se trata de um projeto que vai muito além da academia, abrange toda a sociedade, falo por experiência própria, pois me tornei mais humano, melhor ouvinte, melhor debatedor e conhecedor dos problemas sociais que rodeia a Biblioteconomia e o seu exercício, e constatei isso quando terminei minha graduação e iniciei a Pós, a diferença como me engajei neste novo processo, e acredito que é exatamente isso o que essa Escola desperta em seus formandos uma necessidade de engajamento, pela profissão, pelo outro, pela sociedade, pela busca de conhecimento científico, por mais aprimoramento e pelo desejo de aplicar o que aprendemos na melhoria do meio em que vivemos”.


Para darmos inicio ao ano de 2015, na coluna “Onde estão os bibliotecários?”, trazemos um profissional engajado com a questão cultural... Lourival Lopes Cancela (44 anos), formado em 2013 pela FESPSP, finalizando sua pós-graduação em Gestão Arquivística (sua dissertação abordará o descaso com os documentos do cidadão por parte do Estado, a origem dos documentos pessoais e os descuidos com os documentos, por parte do próprio cidadão).

“É um tema bastante complexo, porém muito interessante e desafiador, e isso é o que me estimula a pesquisar”.


Atualmente, trabalha na Secretaria de Estado da Educação, como Analista Sociocultural, tal função refere-se ao bibliotecário atuante em Salas de Leitura das escolas estaduais, responsável por “implantar e organizar uma biblioteca no Núcleo Pedagógico da Diretoria de Ensino, onde atuamos e ainda coordenar e orientar os professores responsáveis pelas bibliotecas escolares, eles cuidam da parte pedagógica e nós o capacitamos para o cuidado de toda a parte biblioteconômica”.

Ele atua em uma Diretoria onde são, 92 escolas e cerca de 130.000 alunos, e apenas ele para acompanhar todo o processo, fator esse que por vezes parece desmotivador, afinal, o cenário das escolas públicas está cada vez mais precário, no entanto, ele se mostra totalmente motivado e engajado com a área em que atua.


“... poucos recursos e uma infraestrutura comprometida, nos esforçamos para que os alunos sejam atraídos a utilizarem o acervo e os espaços disponíveis com frequência e satisfação, e para que os professores possam criar e produzir alternativas que despertem o interesse e o prazer pela leitura e a sede de conhecimento nos jovens...”


Se tratando da biblioteconomia, para Lourival, é a “arte da instrução” tão importante quanto educar, afinal “instruir é, lidar com alguém por meio de lições e conhecimentos, dar ciência das coisas obscuras, esclarecer com provas. Esse é o papel relevante do bibliotecário: comprovar o que se têm dúvida, criar e conduzir por meios probantes... e ao mesmo tempo tornar-se sabedor dos fatos, desenvolvendo sua própria instrução”. Fator esse que torna a biblioteconomia uma das ciências mais importantes da atualidade, ainda mais com a “computação”.

“(a biblioteconomia) Indica o caminho a se seguir e ainda nos reboca até o ponto de chegada que é a informação tratada e disponibilizada para o deleite da sociedade”

Já houveram muitas mudanças na biblioteconomia, no entanto, para Lourival não é diferente do que outros profissionais já mencionaram em entrevistas já realizadas, ainda é preciso mudar.

“... a biblioteconomia tem que permanecer em mudança, nunca deve existir um ponto de parada onde se diga que não há mais o que alterar. Com a tecnologia e a economia em constante mutação, não devemos desejar isso e nem nos acomodarmos com esta ideia. Diante desta realidade, o novo profissional tem que ser inquieto, ousado, gostar de novidades e ao mesmo tempo saber lidar com o antigo, e como bem disse o Fernando Modesto que busque com idealismo e alegria ser bibliotecário e não estar bibliotecário”.

Aos novos integrantes da profissão, Lourival deixa um recado:


“Ser bibliotecário em um país onde o investimento em bibliotecas, arquivos e espaços de leitura nunca foi prioridade e que está há pelo menos meio século atrasado em relação aos grandes países, no tocante à valorização da leitura e no desenvolvimento da educação e que ainda não dá a devida atenção à sua imensa diversidade cultural, é ser um desafiante, um contestador, do tipo que não aceita esta situação, mas que não fica na zona de conforto criticando sem tomar uma atitude e parte pra cima, enfrenta o dragão, com uma ideia na cabeça e um projeto na mão. Não basta buscar mudanças nesse mapa, é preciso realizá-las, e um profissional bibliotecário consciente pode e deve fazer a diferença”. 


Contribui para esta matéria a bibliotecária Grazielli Moraes.

2 comentários:

  1. Sou suspeito pra falar do Lourival, pois além de ser amigo! Acredito no potencial de ser humano que ele é! Um excelente profissional, no qual me espelho. Conheci-o no projeto dele no Arsenal da Esperança e vi o quanto pessoas determinadas em sua missão podem alcançar tudo! Só basta querer.

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    1. Denis reallmente pelo pouco que conheço dele me parece ser um profissional e tanto.
      Sou meio suspeita pra falar neh rsrsrs!!!

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