segunda-feira, novembro 16, 2015

Coluna Música e Livros por Bruno Carvalho

Música e Livros é uma coluna escrita por Bruno Carvalho, ex-aluno de Biblioteconomia da FESPSP, que fala a respeito de bandas e o que elas leem, mostrando que música e livros tem tudo a ver!

Elisa Gargiulo é vocalista da banda hardcore Dominatrix e também é uma militante feminista autônoma do campo da comunicação, das artes e da tecnologia. Pessoal vale a pena ver também essas entrevistas em que a Elisa fala sobre a sua carreira musical, no Blog Apologia Musical.


Elisa Gargiulo
Fonte: Facebook
Bruno de Carvalho: Qual a influência literária nas suas composições?

Elisa Gargiulo: As vezes quando estou lendo um livro, as palavras na minha frente montam um novo significado na minha cabeça, e é quando eu tenho ideias pra músicas também, além das inspirações políticas.


B.C.: Quais livros que você costuma ler?

E.G.: Gosto de ler coisas variadas, mas principalmente autoras mulheres, como as clássicas Clarice Lispector, Virginia Woolf, e filósofas feministas como Joyce Trebilcot e Ivone Gebara.


B.C.: O rock incentiva a leitura dos mais jovens?

E.G.: Acho que existiu e ainda existe uma quantidade boa de artistas que fazem referências literárias, e isso fez com que muita gente passasse a ler livros e procurar por autores e autoras.


B.C.: Você considera válido a utilização de músicas de rock no ensino de história e literatura?

E.G.: Eu acho que isso acontece bastante nos EUA, por exemplo, inclusive com letras de hip hop. Acho muito válido, afinal música é linguagem.
Dominatrix
Fonte: Facebook - Foto de Rafael Passos


B.C.:  A música incentiva a leitura?

E.G.: Se a música for política, é bem provável incentive na maioria dos casos.


B.C.:  Você acha que as bandas de rock de hoje são preocupadas com o conteúdo da letra, em relação a escrever uma boa composição? ou só aparência, preocupação com a vestimenta? Você acha a década de 80 (rock nacional) a que mais valorizava o conteúdo das letras?

E.G.: Aqui no Brasil não consigo ver ninguém do mainstream muito preocupado com autenticidade. Sinto que no aspecto do questionamento dos papéis de gênero os anos 80 foram mais interessantes.


B.C.: Comente sobre a importância do fanzine como incentivo a leitura. Como está a produção de fanzines no rock feminino em São Paulo? Os fanzines feministas? Qual é a temática deles? E a temática das músicas da banda Dominatrix?
E.G.: Acabei de lançar um zine com alguns amigos e amigas, se chama "Não Caia!" (naocaia.tumblr.com), e tem o Clit Zine, da Cely (clitzine.blogspot.com.br/)


B.C.: Tem alguma música sua que fala de algum livro? Ou alguma música que tem trecho de livros?

E.G.: Tem umas músicas que falam sobre livros. Uma chama "No Make Up Tips", em que eu canto a frase "não aprendi nada hoje, não quero ir pra escola, eu posso aprender vendo o noticiário, eu posso aprender lendo um livro". Escrevemos essa com uns 14 anos, porque sentíamos que conseguíamos mais informação através de livros, e não da escola. E outra que chama "Pagan Love", em que eu canto que "esse amor não está nos livros, talvez nas notas de rodapé". Existe aqui e ali referências sobre leitura no Dominatrix.

Nenhum comentário:

Postar um comentário