terça-feira, setembro 20, 2016

Coluna: Admiráveis Bibliotecas Comunitárias: o senso-crítico dos lideres comunitários

Biblioteca Comunitária EJAAC Valo Velho
por  Sidnei Rodrigues de Andrade
Saudações, Profissionais da Informação!
Prazer em revê-los novamente, com mais uma série de reportagem sobre Biblioteca Comunitária, esta matéria era para ser compartilhada no mês de junho, mas foi mês de férias escolares. A Unidade de Informação Comunitária que fiz a visita presencial foi a Biblioteca Comunitária EJAAC Valo Velho no 14 de maio às 14h00, sábado.
Lembrando que as respostas que estão entre entre colchetes [ ] são interpretações que escrevi e parafraseei das reflexões e do senso-crítico dos articuladores e gestores da biblioteca comunitária nesta entrevista. As perguntas que estão em fonte azul são aquelas perguntas-temáticas que havia anunciado na apresentação dessa série de reportagem.

1-) O que é a Biblioteca Comunitária EJAAC Valo Velho?
[Um local comunitário onde está inserida numa instituição religiosa que a comunidade possa ter acesso a informação pelos itens informacionais. Nosso público alvo são as crianças e os jovens, tendo a preocupação em compartilhar e aprender em sermos uma tipologia da unidade de informação social de referência no bairro. Não temos uma definição para essa biblioteca comunitária, porque cada individuo têm uma vivência muito particular e a percepção humana é aberta. Portanto estamos sempre abertos para inovações em prol da comunidade].
Fonte: Google
2-) Contextualize esta Biblioteca Comunitária?
[Um grupo de jovens frequentadores do Espaço Jovem da Paróquia São Francisco de Assis sempre participava dos eventos dessa instituição religiosa. A década de 1980, Alexandre Araújo, o idealizador responsável, percebeu em vários encontros em conjunto com os moradores da região, que não tinha um espaço de entretenimento para que os jovens possam exercitar suas habilidades e competências, cuja finalidade era um local de convivência e compartilhamento de ideias.
O bairro do Valo Velho da região da zona sul da Cidade de São Paulo, não havia muitas opções de eventos culturais voltados para comunidade local, então foi planejado um espaço que poderia apenas arrecadar os livros, seria um bom começo, mas era um “pensamento” muito pequeno e curto prazo. A principal finalidade da biblioteca comunitária que gerassem maiores oportunidade de desenvolvimento econômico, social e cultural na região. A primeira parte do acervo da biblioteca comunitária foi criada na casa do Padre Norberto, numa sala bem pequena, por meio disso nasceu essa tipologia de unidade de informação social. Essa é a principal essência da biblioteca comunitária ser um espaço de convivência, que proporciona diversão, entretenimento pelo habito da leitura, jogos e música, etc.
Conforme desenvolvimento do acervo da biblioteca comunitária, fomos obrigados a se mudarem para um ambiente maior que possa atender a necessidade informacional da comunidade e a preservação do acervo, o local escolhido pela equipe de colaboradores dessa unidade de informação social, foi umas das salas da Paróquia São Francisco de Assis onde estamos atualmente. Os primeiros oito anos de funcionamento da biblioteca não tínhamos uma gestão-administrativa pré-estabelecida porque em sua maioria a estrutura dos recursos humanos era baseada por trabalho voluntários dos jovens da comunidade local, alguns abandoaram seus cargos representativos devidos aos seus desenvolvimentos profissionais e educacionais, por isso que aconteceu o fechamento da biblioteca.
Já na década de 1996 uma nova reabertura da biblioteca comunitária em 24/03/1996, o idealizador Alexandre Araújo Chaves faleceu com um câncer no cérebro, não conseguindo ver seu sonho sendo realizado, por isso que esta unidade de informação social tem seu nome: Biblioteca Comunitária Espaço Jovem Alexandre Araújo Chaves Valo Velho, como singela homenagem.
Em 2006 aconteceu novamente uma reinauguração tendo ainda sua estrutura administrativa de gestão feita pelo trabalho voluntário dos jovens da comunidade local, com uma pequena diferença: reuniões periódicas para divisão de cargos e responsabilidades. Em 24/03/2008 uma nova reinauguração da biblioteca comunitária, com a responsabilidade de Jair Pires, a partir desse fato que esta unidade de informação social inicia seu processo de disseminação coletiva dos itens informacionais para comunidade local. Os frequentadores da biblioteca comunitária que são as crianças e os jovens sempre reivindicam atualização dos itens informacionais, por exemplo, livros novos, para atender sua necessidade informacional desta demanda, os responsáveis por esta biblioteca comunitária se inscreveram no edital cultural: Programa de Valorização de Iniciativas Culturais da Secretária Municipal de Cultura da Cidade de São Paulo (VAI) têm como objetivo promove o apoio financeiro e subsídio para instituições sociais e culturais que visam o público jovem, de baixa renda, de regiões carentes de recursos e equipamento culturais.
Fonte: Caçadores de Bibliotecas
3-) Quais foram as maiores dificuldades da Biblioteca Comunitária EJAAC Valo Velho?
[As maiores dificuldades da biblioteca comunitária foram: nos primeiros anos os horários de atendimento não tinham pessoas responsáveis pela abertura, divulgação e comunicação dessa unidade de informação social, principalmente no período matutino e o noturno que o publico local pensava que a biblioteca comunitária estava fechada, como foi dito anteriormente a gestão-administrativa é feita por trabalho voluntário em sua maioria por jovens.
O processo de empréstimo de itens informacionais principalmente dos livros era feito por um livro de ata e ficha de empréstimo manuscrito, por parte dos leitores da biblioteca não havia uma “disciplina” na devolução dos livros, porque havia uma “confiança” na entrega dos livros, isso aconteceu um enorme extravio no acervo da biblioteca.
O desenvolvimento do acervo da biblioteca não estava muito bom, porque não tínhamos muita experiência nessa parte técnica em várias reuniões planejamos a contratação de um Bibliotecário, não houve essa possibilidade por causa da distância do local. As bases de dados que utilizamos foram dois softwares livre para automação de biblioteca: Biblioface e o PHL, não tivemos êxito na migração dos dados que ocasionou a perda muitas informações neste processo.
A participação dos Estudantes da FaBCI – FESPSP (Bruna Gomes, Daniely Ninna, Léa Nascimento, Marcelo Leandro e Milena Braz) realizando um trabalho de pesquisa e a Bibliotecária Fernanda Sachetti mudamos toda a política administrativa e o layout da biblioteca comunitária. Atualmente estamos muito satisfeitos com o desenvolvimento do acervo que contém um tratamento técnico na informação (Classificação CDD e a Etiquetagem) e o BibliLivre que ajudou muito na localização dos livros na realização do empréstimo e a disseminação seletiva da informação nas mídias sociais.


4-) Como está a educação continuada dos gestores da Biblioteca Comunitária?
[Os articuladores da biblioteca comunitária para estarem sempre atualizados em suas habilidades e competências fazem cursos de mediação de leitura (Rodas de Leituras) para atender a necessidade informacional do público local: Maikon Vasconcelos fez um curso sobre inovação e voluntário e graduando em Ciências Contábeis, Ana Claudia está fazendo sua graduação em Psicologia na FMU e participar de palestras na Biblioteca de São Paulo, Jair Pires sempre participa do seminário Conversas ao Pé da Página, fez um curso de Fotografia e graduando em Design Gráfico].
Fonte: Caçadores de Bibliotecas
5-) Qual é a observação dos lideres comunitários sobre a Biblioteconomia (Biblioteca Escolar, Biblioteca Pública e a Biblioteca Comunitária) na Sociedade Brasileira Contemporânea?
[A Biblioteca Escolar alguns docentes dessa instituição escolar pública desconhecem que têm uma biblioteca comunitária aqui na região e não sabem dos nossos itens informacionais que proporcionamos para as crianças e os jovens. A percepção dos alunos dessa unidade de informação escolar não é um local acessível e limitado para proporcionar desenvolvimento do senso crítico. Há vários livros didáticos que não ajuda no hábito da leitura e o acesso á informação sempre é restrito para qualquer individuo, não têm característica de acesso ao conhecimento para os alunos, docentes, funcionários e a comunidade local. O que observamos que os alunos são “obrigados” a lerem os livros didáticos este processo de habito da leitura está totalmente “errado”. Só existe uma biblioteca escolar que aproxima um pouco do nosso ideal que é a Biblioteca Escolar do CEU, mas foge desta análise critica que estamos mencionando.
A Biblioteca Pública é fácil acesso, mas não têm uma atualização do acervo. Os mobiliários dessa unidade de informação pública têm característica de “museu” parece um filme de terror quando vamos assistir numa sala de cinema que é bastante assustador, e não têm uma personalidade de unidade de informação pública. Existem apenas duas bibliotecas públicas que gostamos de visitar: uma na região central e a outra na região da zona norte da cidade de São Paulo.
A Biblioteca Comunitária sempre nos acompanha neste contexto contemporâneo, poderia ser inserida como uns dos principais pontos de cultura neste paradigma brasileiro, mas é muito difícil porque não temos reconhecimento da comunidade local. Fizemos 20 anos de existência, não somos reconhecidos pelo bairro que é bem complicado explicar isso, alguns indivíduos não têm consciência que fazemos isso pertence a eles (a comunidade). Reconhecemos que o acesso ao conhecimento é muito difícil, mas precisamos sempre melhorar nosso processo de gestão-administrativa mesmo sem ter apoio financeiro. O Ingrediente dessa unidade de informação social é a persistência, determinação, força de vontade e o incentivo financeiro que são conjunto necessário para desenvolver este contexto brasileiro contemporâneo. Para todos nós do Coletivo Biblioteca Comunitária Alexandre Araújo Chaves Valo Velho é um avanço para esta sociedade civil extramente positivo, porque vemos outros colegas no mesmo barco, isso criamos um fundo de esperança para qualquer ser humano que idealizar em viver num Planeta Terra mais humano e afetivo].


6-) Qual é a sua “imagem” que vocês têm do Bibliotecário?
[Alguns profissionais da informação estão mais preocupados em status financeiro e profissional, observamos na hora do atendimento parece que é um robô, quando estão atendendo determinado público e não têm plena disposição em compartilhar seu aprendizado com outras instituições culturais e sociais. Quando fizemos atualização do desenvolvimento do acervo, instalação do software livre gratuito BibliLivre e a mudança no layout da biblioteca comunitária pela orientação da Bibliotecária Fernanda Sachetti, alguns colegas profissionais da informação nos instruímos na parte da catalogação dos livros (aquisição, seleção, catalogação, armazenamento e a localização) que é um assunto  técnico e a participação dos Estudantes da FaBCI- FESPSP ajudaram muito no afeiçoamento da comunicação interna, nos esclareceu no tratamento da informação e o marketing da biblioteca comunitária.
A disseminação seletiva dos itens informacionais nas mídias sociais que nos obrigou mudar nossa postura “conservadora” foi muito importante na contribuição deste processo de desenvolvimento desta tipologia de unidade de informação social. Por essas atitudes dos Bibliotecários percebemos que estão sempre abertos para dialogo constante essa é a imagem positiva que tivemos dos profissionais da informação].
Fonte: Caçadores de Bibliotecas
7-) Como está a Educação no Brasil neste Século XXI?
[O Sistema Educacional Brasileiro Contemporâneo é complicado de analisar, porque pelas grades curriculares das instituições escolares alguns representantes da política e da educação estão mais preocupados pela quantidade de alunos do que uma instrução de qualidade, que seria mais eficaz. Por isso que este sistema educacional não funciona atendendo a necessidade informacional da sociedade civil. A Revolução Educacional Brasileira precisa ser planejada num processo em longo prazo, é agradável para Estado (Federal, Estadual e Municipal) que tenha vários indivíduos alienados para a vida. É fundamental que o cidadão brasileiro (ser humano) pelo habito da leitura crie e pratique este simples ato em seu âmbito pessoal, familiar e profissional.
Observamos que são poucos Professores que sempre estão motivando os sonhos e objetivos dos seus alunos, querem ver seus aprendizes mudarem sua história de vida e provocar várias questões deste contexto contemporâneo. Pelos meios de comunicações vemos que há muita desorganização por partes dos representantes da política brasileira contemporânea, qual seria “menos” pior entre todos eles? A resposta para essa provocação reflexiva está em nossa contextualização histórica-social que vem desde período colonial percorrendo numa linha linear bem fechada e conservadora demais, nas esferas econômicas, sociais e educacionais. Apenas uma parcela bem menor das pessoas da sociedade civil sabe quem são os protagonistas sociais e os “vilões” deste roteiro da história brasileira.
Os representantes da política brasileira contemporânea não sabem ou fingem que conhecem este conceito “solução” para curar os males da sociedade contemporânea: EDUCAÇÃO, não existe estes dois adjetivos: respeito e o reconhecimento aos professores, a maioria das crianças e os jovens não têm um alicerce familiar e educacional totalmente sólido, porque essas são as principais conseqüências graves e horríveis sobre nossa percepção social e cultural.
Não adianta fazer reclamações e criticas atual gestão-administrativa do Chefe de Estado (a Presidente), somos todos nós culpados pela decadência do sistema político brasileiro contemporâneo, a medida preventiva para resolver essa problemática é a Educação Familiar, próprio individuo precisa ter consciência e escolhe qual é o caminho quer seguir: “mal” ou “bem”?Nossas recomendações que as crianças e os jovens aprendam ouvirem seus principais professores da vida: seus pais.
8-) O que os líderes da Biblioteca Comunitária pensam sobre o futuro das crianças e os jovens no Brasil?
[Nós do Coletivo da Biblioteca Comunitária Espaço Jovem Alexandre Araujo Chaves – Valo Velho está fazendo a diferença neste contexto brasileiro contemporâneo. Porque estamos “instruindo” vários futuros cidadão brasileiro consciente. Quando uma criança frequenta a nossa unidade de informação comunitária e social, quando está lendo um livro por livre espontânea vontade. Para nós é uma recompensa grandiosa que não daria para explicar em palavras, é um adulto brasileiro que pode fazer a algo diferente por nossa comunidade.
Fonte: Caçadores de Bibliotecas
Nosso trabalho de mediadores de leitura e culturais fazemos a diferença para vida destas crianças e os jovens, seria extramente positivo cada um ter um sentido de vivencia singularidade. Não gera uma “liderança singular”, mas aplicar ato de compartilhar amizade e afeto num âmbito coletivo para todos por exemplo, quando estamos brincando com as crianças somos seres humanos únicos como mesmo propósito de vida que é: união e propriedade para qualquer segmento da sociedade civil. Não somos “donos da informação”, mas estamos formando seres humanos para ter prazer em buscar pelo saber do conhecimento humano].
Fonte: Caçadores de Bibliotecas
Para saber mais, sobre esta biblioteca comunitária, acessem estes links:
Quando comecei a fazer esta série de reportagens para blog da Monitoria Científica FaBCI – FESPSP, nunca imaginei como acesso ao conhecimento poderia transformar os seres humanos para melhor, fico muito feliz e honrado em compartilhar essas lindas e magníficas histórias da Escola da Vida. Leiam e compartilhem essa reportagem, nas próximas reportagens teremos mais novidades, por enquanto temos plenas condições de sermos uma sociedade do conhecimento humano, porque não sonhar? Até a próxima reportagem, abraços e muito obrigado.

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