segunda-feira, setembro 12, 2016

Relato: Palestra com Alberto Manguel e Robert Darnton

A aluna Rosângela Batista, do segundo semestre do período matutino, nos enviou seu relato da palestra com Alberto Manguel e Robert Darnton, divulgada aqui no blog recentemente.

Vamos conferir?


Rosângela Batista
2º semestre - matutino

No dia 30 de agosto de 2016, o Sesc Vila Mariana realizou uma palestra, como parte das comemorações pelo 30º aniversário da Editora Companhia das Letras e o 70º aniversário do SESC.

Alberto Manguel, argentino, escritor, tradutor, atual diretor da Biblioteca Nacional De Buenos Aires, e Robert Darnton, americano, escritor, jornalista e atual diretor da Biblioteca de Harvard foram os palestrantes convidados, e o escritor brasileiro Sérgio Rodrigues foi o mediador.

 “Livro e leitura” foi o tema da palestra proferida em inglês, com tradução simultânea.

Darnton é um especialista da história do livro do século XVIII e seu mais novo trabalho trata da censura aos livros, um dos temas desenvolvidos na palestra. Uma de suas obras mais conhecidas entre nós é “O beijo de Lamourette”. Atualmente, ele é o diretor-bibliotecário da maior biblioteca privada do mundo, a de Harvard, além de dirigir a biblioteca pública de Nova York.

Manguel, que vivia na França até alguns anos atrás, vive agora na Argentina onde assumiu a direção, como bibliotecário, da Biblioteca Nacional de Buenos Aires, onde o escritor Jorge Luis Borges já foi diretor.

O primeiro tema levantado por Rodrigues foi relacionado ao tema da censura aos livros no Ocidente, lembrando que o último caso ocorrido foi o dos “Versos Satânicos”, de Salman Rushdie, cuja censura não veio do Ocidente.

Darnton ponderou que os censores dão um status maior à literatura, já que ao censurá-la demonstram o quão importante ela é; por outro lado, citou os recursos criados pelos escritores para burlar a censura, usando como exemplo a Enciclopédia de Diderot, que, graças às referências cruzadas, permitiam uma leitura de crítica à Igreja, nas entrelinhas.

Manguel disse que Darnton conseguia ver um lado positivo nos censores e acreditava mesmo que ele tinha um certo fascínio por eles. Darnton confirmou essa teoria dizendo que foi conhecer os censores da Alemanha Oriental justo na época da queda do muro e que ficou impressionado com a metodologia deles, assim como eles ficaram impressionado por ver um americano pela primeira vez. Também citou os críticos literários na França [do séc. XVIII] que nunca diziam o verdadeiro motivo da sua censura. Eles referiam-se ao fato de o livro estar mal escrito, ser ruim, etc., e com isso estarem defendendo a honra da literatura francesa.

Manguel falou sobre seu novo livro “História natural das curiosidades” e comentou que as pessoas têm curiosidade por aquilo que elas podem imaginar. Disse também que a literatura nos dá melhores respostas para as perguntas que queremos formular, ou seja, que a literatura nos provoca.

Darnton falou sobre a internet como catálogo e disse que ela é um pesadelo se você não consegue encontrar o que precisa. Disse que é um traço humano pensar em categorias, e etiquetar e classificar livros se encaixa neste traço. Já Manguel vê um tipo de censura nos bibliotecários quando estes selecionam e classificam os livros que devem ou não entrar em sua biblioteca.

Outro tema levantado foi o dos livros digitais. Darnton sente-se positivo quanto ao livro digital e vê isso como a democratização do acesso. Em Harvard, livros do século XVII estão sendo digitalizados e disponibilizados ao público. E, segundo ele, dentro de três anos, onze milhões de volumes farão parte da Biblioteca Digital dos Estados Unidos.

Manguel diz que acredita no futuro digital, porque acredita no presente digital e crê que haverá muita mudança no mundo tecnológico ainda.

Quando perguntados sobre como levar o leitor até a biblioteca, Manguel brincou dizendo que esperaria Darnton responder e copiaria sua resposta. Darnton contestou dizendo que os bibliotecários do bairro do Bronx, nos Estados Unidos, têm as bibliotecas cheias porque eles funcionam como mediadores da pesquisa digital para pessoas que buscam trabalho, por exemplo.

Manguel disse que discordava um pouco sobre este papel do bibliotecário como auxiliar para toda obra, mas que quando passou a ser o Diretor da Biblioteca de Buenos Aires entendeu que essa também era uma função do bibliotecário e, agora, sua biblioteca oferece workshops aos usuários sobre como procurar emprego no mundo digital, entre outras ações.

Essas são minhas anotações sobre o que ouvi na palestra. O intuito é criar curiosidade sobre esses escritores e os assuntos tratados. Conheci a obra de Manguel em julho passado, com o livro “A biblioteca, à noite”, que está em nossa biblioteca da FESPSP, assim como “Uma história da leitura”, do mesmo autor, e “O beijo de Lamourette”, de Darnton, que ainda não li.

Haverá outra palestra, em 20 de setembro, no Sesc Vila Mariana, com Mia Couto e Julián Fuks, dentro das comemorações da Companhia das Letras.

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