domingo, fevereiro 26, 2017

Entrevista: O Engajamento Social dos Profissionais da Informação: Abraço Coletivo no Centro Cultural São Paulo e as Bibliotecas Públicas. Jan/2017. Por Sidnei Rodrigues de Andrade (*)

E em pleno feriado de carnaval uma matéria que fala sobre Política? É isso mesmo, e tem um propósito claro esta escolha: marcar 1 mês (completado ontem), deste ato que mobilizou grande parte da nossa classe e independente de ideologias, demonstrar o que está acontecendo no cenário político do nosso país que vem de encontro direto à todos nós enquanto profissionais da informação.

Nada melhor que um relato de alguém que esteve presente no ato como a seguir teremos da aluna Julia Alves e a matéria especial do nosso monitor voluntário Sidnei Rodrigues de Andrade com uma ótima entrevista com os dois principais líderes do “Abraçaço”. Não poderia deixar de citar a maravilhosa reportagem para o Jornal GGN da nossa querida docente Maria das Mercês Pereira Apóstolo que segue neste link, uma base mais do que sólida para se entender todo este contexto. Confiram! 

Depoimento para a MC da aluna Julia Alves (5º Sem./Not.)
Como estudante de Biblioteconomia e Ciência da Informação, usuária e frequentadora das bibliotecas públicas do Sistema Municipal de Bibliotecas e suplente no Conselho Municipal do Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (PMLLLB) fiquei surpresa e temerosa com o anúncio em Janeiro do Secretário Municipal de Cultura André Sturm, de que as 52 bibliotecas e o Centro Cultural São Paulo (CCSP) passará a ser administrados por Organizações Sociais (OS), deixando de ser público, pois, as OS são entidades privadas sem fins lucrativos que recebem auxílio do governo para prestarem os serviços. Apaixonada pela leitura, pelos livros e principalmente pela profissão, decidi militar e somar forças contra a Privatização das bibliotecas e do CCSP, além disso, incentivar outros alunos a participarem e entenderem que essa ação do governo não é a solução, podemos ver o exemplo de corrupção na Fundação Theatro Municipal de São Paulo sob a gestão do Instituto Brasileiro de Gestão Cultural (IBGC). Por isso, acredito que devemos nos unir estudantes, bibliotecários, movimentos culturais e da periferia, profissionais do setor público, sindicato, conselhos e sociedade civil contra a Privatização do que é público, mostrando que a solução não é essa. Se você está interessando venha participar das plenárias abertas no Sindsep, a ação já começou tivemos o abraçaço ao CCSP no aniversário de São Paulo e muitas outras estão por vir! Porque eu amo minha biblioteca pública e vou lutar por ela!
#euamominhabibliotecapública

Saudações, Profissionais da Informação!
 por Sidnei Rodrigues de Andrade

Fonte: Facebook Oficial "Eu amo a minha Biblioteca Pública"
No dia do aniversário de umas das maiores cidade da América Latina, São Paulo, houve uma manifestação cultural e educacional, bem inovadora e com muita inteligência: Abraço Coletivo ao Centro Cultural São Paulo e as Bibliotecas Públicas. Aconteceu no dia 25 de Janeiro – Quarta-feira, a partir 13h00 na entrada principal da instituição cultural, participei deste engajamento cultural e social, com ilustres participações de grandes BiblioAmigos e BiblioColegas que estavam juntos comigo.

Nesta oportunidade, resolvi fazer esta entrevista exclusiva para o blog da Monitoria Cientifica FaBCI – FESPSP, conversando com os principais líderes-representantes do movimento: a Bibliotecária Luciana Santoni e o Ativista Cultural Netto Duarte. Acompanhem as respostas da liderança desse movimento em prol da nossa cultura e educação.

1-) Como você ficou ciente desta informação sobre a privatização das Unidades de Informação Públicas e o Centro Cultural São Paulo? 

Luciana Santoni: Soube pela imprensa, mas já imaginava algo nesse sentido, pois durante toda a campanha eleitoral o Dória já falava em privatizar e desestatizar o máximo possível, imaginávamos que isso atingiria a cultura, pois faz parte do ideário de Estado mínimo. A cultura não é um bem mensurável, por isso mesmo não pode ser mercantilizada, mas mesmo assim veio à declaração oficial nesse sentido e já começaram as ações. Pensamos em estratégias para chamar a atenção da opinião pública para isso, por meio do uso de redes sociais e da criação do abraçaço. A proposta de parceria com as OS num primeiro momento pode parecer como algo bom, como um aumento de investimento na área, mas, sabemos que são melhorias superficiais que vêm acompanhadas de precarização na qualidade do serviço oferecido à população e ao trabalhador, além de todo perigo à autonomia de uma programação cultural pública que abarque a diversidade e a complexidade que permeiam a cidade.
  
Bibliotecária: Luciana Santoni
Fonte: Facebook

Netto Duarte: Assim que o novo secretário assumiu, comecei a ler e ouvir, em diversas mídias, críticas ao atual modelo de gestão das bibliotecas e seu desejo de parceria com a iniciativa privada. Apesar de estarmos falando de um governo privatista, pensei que isso não seria cogitado, até por conta de exemplos que já existem na cidade e que não deram certo, como por exemplo, o Teatro Municipal, que contabilizou um desvio de mais de 18 milhões de reais. Nesse tipo de parceria, o controle fiscal não costuma ser tão rígido.
Ativista Cultural: Netto Duarte
Fonte: Facebook
2-) Como você observa o engajamento social e cultural dos profissionais da informação (Bibliotecários, Arquivistas e Museólogos) e ativistas culturais neste contexto contemporâneo?
Luciana: Falta unidade, há muitas pessoas interessadas em melhorar as coisas, mas ainda temos dificuldade em nos articular como grupo, perceber a função social do trabalho bibliotecário.
Netto: Na verdade, eu não conhecia o engajamento dessa específica categoria, mas o resultado dessas últimas ações, como o abraçaço, por exemplo, me deu a certeza de que se não eram tão engajados, agora são (RS). Mas o que é legal mencionar, é que eu nuca vi uma galera tão organizada como a da cultura. A cidade de São Paulo pulsa cultural! 


Netto Duarte, Luciana Santoni e Ativistas Culturais
Fonte: Facebook
 3-) Porque fazer uma manifestação em forma de Abraço Coletivo no CCSP? Onde surgiu essa ideia?
Luciana: A ideia do abraçaço surgiu para chamar a atenção da opinião pública sobre essa questão de se passar a gestão das bibliotecas e do CCSP para as organizações sociais. Um abraço simbólico que representasse que aquele espaço pertencia ao povo e deveria continuar assim, um espaço público de qualidade e sob gestão da administração direta da prefeitura.
Netto: Pensamos em realizar esse abraçaço especificamente no CCSP por conta de sua representatividade na cidade, e consequentemente, sabíamos que teríamos um apelo maior do que se fosse realizado em outro equipamento mais afastado da região central. Mas é bacana frisar que esse ato foi um imenso abraço em todas as bibliotecas espalhadas pela cidade, principalmente nas periféricas e em seus profissionais. A ideia partiu da querida Luciana Santoni que me ligou dividindo suas aflições caso o ato fosse um fiasco. Eu disse que se fosse pra passar vergonha, passaríamos juntos. A nossa sorte é que a sociedade civil abraçou e quando ela abraça, nenhum governo segura rs. 
Fonte: Facebook Marcelo Herbest Ferreira

4-) A informação contemporânea é ideologia ou utopia?
Luciana: A informação contemporânea é sempre ideologia, ela traz consigo uma bagagem de uma "verdade" imposta pelo Estado e pela grande mídia para manutenção da ordem burguesa e do status quo.
Netto: A informação contemporânea veiculada nos meios de comunicação é de ordem ideológica. É a principal ferramenta, ao lado da polícia, para a manutenção do estado burguês.


5-) Segundo Bezerra de Menezes “a política contemporânea é a ciência de criar o bem para todos”. Está acontecendo isso?
Luciana: Claramente que não. A cultura está sendo tratada como mercadoria e não como um bem público que deve contemplar a diversidade da sociedade e que tem um valor imensurável.
Netto: Nunca aconteceu e nem vai acontecer. Esse país que renega a sua verdadeira cultura, a política “é para o bem de toda a burguesia”. Por isso nos negaram o estudo, e por isso a passividade. A revolução virá através da cultura, é por isso que através do mandato do vereador Toninho Vespoli do PSOL, lutamos ao lado de tantos coletivos por uma política cultural mais democrática, onde todos e todas que produzem cultura nas “quebradas” tenham um maior acesso.

Fonte: Facebook Oficial "Eu amo minha Biblioteca Pública"

6-) Como você observa a Lei de Acesso a Informação no Brasil?
Luciana: A Lei de Acesso à Informação é fundamental. Por meio dela soubemos quantos bibliotecários atuam na cidade, quantos entraram nos últimos concursos públicos e ainda seguem, qual a demanda. Além de facilitar a transparência da gestão pública, podermos acompanhar como o dinheiro público está sendo investido.
Netto: É de vital importância A Lei de Acesso à Informação!  É um mecanismo que reforça o modelo democrático de sociedade. Por meio dela sabemos com exatidão dados específicos de algumas áreas, além de podermos acompanhar como o nosso dinheiro público está sendo gasto ou investido.

7-) Como você observa a Educação no Brasil neste Século XXI?
Luciana: Essa é uma pergunta muito complexa. Percebo um sistema que não está interessado em formar cidadãos críticos e por outro lado muita gente boa, engajada procurando brechas nesse sistema pra melhorar a vida de todos.
Netto: Com muita tristeza. A política de sucateamento no Brasil é um crime hediondo. Sucatearam a saúde, o transporte público, a educação, assim o empresariado vende mais planos de saúde e vagas em escolas particulares  e as montadoras  mais carros. Nos negaram direitos básicos mas reclamam  do aumento da violência.  Mas a Casa Grande fez um grande trabalho, esse atraso não é por acaso. A educação transforma, empodera, mas eles precisam de mão de obra, por isso a alienação. Mas eu sou um sonhador. Eu sonho com a revolução, seja ela através do lápis ou do fuzil.

8-) Qual é a sua percepção sobre o cenário brasileiro contemporâneo: ausência de afeto e engajamento na sociedade civil?
Luciana: Creio que seja um cenário complexo. Há pessoas muito engajadas, que lutam por uma sociedade melhor em suas comunidades, em seus bairros, em suas associações, partidos políticos; e há outras que não sentem necessidade desse engajamento, talvez por alienação ou por falta de interesse. São imediatistas, têm dificuldade de pensar de uma maneira mais ampla, coletiva e desconstruir a "verdade absoluta" que escutam na mídia, mas isso é um processo. Temos muita gente bem intencionada, precisamos é de mais união e articulação para juntar forças.
Netto: É desolador! Existe sim, uma grande parte da sociedade civil engajada, tanto nas suas ações individuais, quanto nos diversos coletivos culturais espalhados pela cidade, mas é pouco, muito pouco. A grande maioria da massa sofre de uma alienação crônica, causada em grande parte pela ausência de uma educação pública de qualidade e consequentemente pelos meios de comunicação que está a serviço das elites. Não por acaso, sofremos recentemente um golpe de estado, e mesmo com diversas reformas contra o povo (ou espectadores) como a reforma do ensino médio e a reforma da previdência, não vemos uma mobilização em massa como deveria ocorrer. A Casa Grande fez e continua fazendo um grande trabalho de alienação.

Fonte: Facebook (campanha)
Para maiores informações sobre este movimento cultural e social, acessem esta página oficial no Facebook.
Video-Reportagem sobre Abraço Coletivo no Centro Cultural São Paulo no link.
Antes de finalizar esta reportagem especial, gostaria de mencionar os BiblioColegas e BiblioAmigos que participaram ativamente e estavam presentes neste movimento: Profes Cristina Palhares (UNIFAI), Fernando Modesto (ECA-USP) e Maria das Mercês Apóstolo (FaBCI-FESPSP). Biblioparceiros: Paola Marinho e Julia Alves da FaBCI–FESPSP. BiblioColegas e amigos:  Isabela Martins, Natalie Sugisawa, Rosana Santana, Marina Macambyra, Tais Bushatsky Mathias, Luciana Maria Napoleone, Carolina Martins Tenório, Cinthia Mendes, Luba Melo, Beatriz Cristiane de Araújo e Janaina Silva Macedo.


Mi Passos, Cintia Mendes, Isabela Martins e Sidnei Rodrigues
Fonte: Facebook
Quero agradecer por gentilmente cederem esta entrevista a Bibliotecária Luciana Santoni e o Ativista Cultural Netto Duarte por compartilharem este movimento cultural e social que beneficia à TODOS nós neste contexto contemporâneo.
Agradeço vocês que estão lendo esta reportagem especial, abraços e muito obrigado.

(*) A matéria apresenta a opinião das pessoas envolvidas.

 
Sidnei Rodrigues é Bibliotecário formado pela FaBCI - FESPSP em 2014. Idealizador e Administrador do Blog e Página no Facebook das Atividades Complementares FaBCI - FESPSP. Atualmente trabalha numa Instituição de Ensino Superior, Consultor e Coordenador de Implantação de Unidades de Informação. Contato pelo email: sidsapiens@hotmail.com

Coluna: Filme da semana. Por Ana Beatriz Cristaldo

Fonte: Banco de imagens do Google
E a MC 2017 tem o prazer de anunciar mais uma reedição. Também do ano de 2012 com a monitora Rebeka Savickas, traremos a coluna Filme da Semana, que era escrita pelo Rafael Reche, em que a cada semana teremos a indicação de um filme, sua sinopse e análise feita pela aluna Ana Beatriz Cristaldo do 5º semestre/matutino. Nesta primeira postagem um especial de carnaval com uma seleção fantástica que me atrevo a dizer pode agradar a “gregos e troianos”, rsrs. 
Aproveitem ao máximo!

Primeiramente, SEJAM TODOS BEM-VINDOS À COLUNA FILME DA SEMANA.

Como vocês bem sabem, o ano do brasileiro só começa depois do carnaval. Mas nós bibliotecários dedicados que somos, montamos uma listinha para você: que não gosta de pular carnaval e vai passar o feriadão fazendo marca de corpo no sofá; que vai ficar de ressaca com dois litros de água do lado e um açaí, e pra você que adora ver uns filminhos.

FILMES


-Ficção




A chegada: Esse filme não é só mais um filme sobre extraterrestres, é O FILME sobre extraterrestres e linguística. Naves aparecerem do espaço e pairam sobre países específicos de grande importância econômica e política, os governos entram em estado de pânico e vigilância. Em busca de respostas o governo dos Estados Unidos recruta a linguista Dra. Louise Banks (Amy Adams – maravilhosa) para tentar se comunicar e desvendar a mensagem que a raça alienígena quer passar e é claro que as coisas não são tão simples assim.
MARAVILHOSA AVIMARIAMEAJUDA
Informação importante: O filme é do diretor Denis Villeneuve, que também dirigiu “O Homem Duplicado” que é baseado no livro de José Saramago e merece MUITO ser apreciado, pois temos como protagonista, nada mais e nada menos, que Jake MARAVILHOSO Gyllenhaal.
Nota: 10/10
TÁ DISPONÍVEL ONDE!?: Cinema


- Animação

Lego Batman: Mais uma magnífica megaprodução da Lego para o cinema (vale pontuar que eles têm séries, filmes e curtas para a TV que são igualmente incríveis) que traz o queridinho do povo: o Batman. Nesse filme o justiceiro da noite está passando por mais uma de suas crises existenciais e terá de enfrentar um motim de vilões liderados por seu arqui-inimigo Coringa, para isso ele precisará da ajuda de Barbara Gordon e Robin. O filme além de divertido e bonito traz referências das histórias do personagem (Batman) ao longo dos anos, o que torna o filme atrativo para crianças, adultos, idosos e animais.
Informação importante: Indico que assistam a versão legendada pois quem faz a voz do Batman é o ator Will Arnett que também faz a voz do personagem Bojack da série animada exclusiva da Netflix Bojack the horseman e...
Assiste Bojack the Horseman também, MARATONA ESSA SÉRIE SEM FALTA.
Vai ver Bojack, agora.
Nota: 9/10
TÁ DISPONÍVEL ONDE!?: Cinema


- Drama

Estrelas além do tempo: Trazendo um empoderamento feminino absurdo e situações de racismo que causam desconforto (mas que são muito reais, atuais e com certeza a realidade era um pouco pior) o filme se passa no auge da corrida espacial entre Estados Unidos e Rússia durante a Guerra Fria e conta a história dos computadores – pessoas, em sua maioria mulheres,  que faziam os cálculos necessários para os protótipos e estudos da NASA – e o mais importante: retrata um grupo de mulheres negras que foram cruciais para a maior vitória da história norte-americana. Entre elas temos: Mary Jackson, Dorothy Vaughan e Katherine Johnson.
Preparadas pro feriado de Carnaval!!!
Informação importante: O filme é baseado no livro Hidden Figures – The American Dream and the Untold Story of the Black Women Mathematicians Who Helped Win the Space Race (Ufa!).
Nota: 8/10
TÁ DISPONÍVEL ONDE!?: Cinema

  

Sunny Pawar
Lion – uma jornada para casa: O novo crush do momento, o ator Dev Patel interpreta, já adulto, Saroo Brierley o indiano que se perdeu em Calcutá do irmão mais velho e que enfrentou situações delicadas e complicadas demais para uma criança tão pequena, até ser adotado por um casal australiano. Aos 25 anos Saroo, obcecado com o que pode ter acontecido com sua família, inicia uma busca para encontra-los. Vale muito ressaltar a atuação do ator mirim Sunny Pawar (que interpreta Saroo Brierley quando criança) que é tocante, sufocante e maravilhosa.
Nota: 7/10
TÁ DISPONÍVEL ONDE!?: Cinema
 

Manchester à beira mar: Após a morte precoce de seu irmão, Lee Chandler (Casey Affleck – sim irmão do Batman Ben Affleck) é forçado a voltar para cidade onde cresceu para cuidar de seu sobrinho adolescente (Lucas Hedge). Esse retorno deixa toda a cidade tensa, pois desperta antigos sentimentos e mostram o real motivo de Lee ter partido e cortado os laços com sua família. Casey Affleck foi indicado para melhor ator, Lucas Hedge para ator coadjuvante e Michelle Williams para atriz coadjuvante (MARAVILHOSA).

Informação importante: O ator Casey Affleck tem dois processos de Assédio (SHAME OF YOU CASEY!), PORÉM, separando o artista de sua obra, ele é um dos favoritos para receber o prêmio.

 Nota: 10/10
TÁ DISPONÍVEL ONDE!?: Cinema
 
- Puro amorzinho
La La Land: VAI TER UM ARTIGO SÓ SOBRE ELE ENTÃO ASSISTE LOGO, NÃO TEM MAIS O QUE DIZER! TODOS OS DEUSES DE TODAS AS CRENÇAS, QUE FILME LINDO.
BAGUERA
Esse é Baguera meu doguinho e foi nesse estado catatônico que ele ficou depois desse filme. Não se recuperou até hoje.
Nota: 100.000.000.000/10
TÁ DISPONÍVEL ONDE!?: Cinema
 

 






- Pesadíssimos e tensíssimos

Animais noturnos: Mais um filme protagonizado por Amy Adams (juro que não é favoritismo, o que posso fazer se essa mulher é maravilhosa) e Jake Gyllenhaal e composto por um elenco impressionante, esse filme é pesado e dolorido. Por não ter uma linha temporal correta, É PRECISO ATENÇÃO REDOBRADA, assistimos o desenvolvimento da história de Amy paralelo com a história do livro que seu ex-companheiro (Jake) escreveu e dedicou a ela. Com cenas bem fortes, em alguns momentos é preciso ter estômago e imparcialidade para chegar ao fim. Importante: a atuação de Michael Shannon é absurda de tão boa e uma salva de palmas para Aaron Johnson.
Nota: 10/10 
TÁ DISPONÍVEL ONDE!?: Cinema


O silêncio do céu: Numa fusão e parceria entre Brasil e Uruguai, esse roteiro baseado no livro “Era elCielo” de Sérgio Bizzio explora as consequências e as sensações que acercam o estupro. Diana (interpretada por Carolina Dieckmann) é estuprada por dois homens em sua própria casa e por motivos que não são explicados, mas sim sentidos durante o filme, ela prefere não denunciar e oculta de todos o acontecimento, inclusive de seu marido Mario (interpretado pelo ator argentino Leonardo Sbaraglia). Mario também tem seus segredos, e o filme além de tratar dos sentimentos que acercam o estupro, trata também das relações emocionais humanas. Filme BEM pesado e que no final vai te deixar vendo as letrinhas subirem enquanto ao fundo temos imagens de um céu azul e calmo, não é fácil tirar ele da cabeça.
Informação importante: A história é contada do ponto de vista de Mario. 
Nota: 10/10
TÁ DISPONÍVEL ONDE!?: Netflix 


Todos os filmes receberam selo de certificação e indicação do IAQ (Instituto Ana de Qualidade). 

Bom carnaval a todos, usem proteção, respeitem as minas e se beber não dirija.


Ana Beatriz Cristaldo, estudante do matutino do 5º semestre de Biblioteconomia na FESP. Vai, pelos menos, quatro vezes ao cinema todo final de semana, tem 23 anos, um labrador e cinco dedos em cada pé. Contatos por email anabeatrizcristaldo@uol.com.br (também aceita energias positivas)

Série: O livro da minha vida

E nesta semana teremos a reedição da Série: O livro da minha vida lançada em 2012 em que um aluno/professor apresenta o livro que marcou sua vida, comenta um pouco sobre o enredo e o porquê este livro ficou marcado para ele.
Esta é uma das publicações que iremos restaurar na MC este ano, afinal, como diz aquela frase clichê, mas muito verdadeira: “Recordar é viver”, e com um repositório bem significativo que a MC possui, muito pode ser recuperado.
Se você quiser participar dessa série ou tem sugestões, escreva para a Monitoria Científica em monitorcientificofabci@gmail.com

Fiquem com o primeiro relato feito pelo aluno Gilberto Bazarello Caires do 5º semestre/noturno.

Diria que tenho alguns livros da minha vida os quais falaram muito comigo não apenas pelo enredo, personagens, histórias, mas também pelo momento por qual eu atravessava. Livro pra mim tem muito disso: as circunstâncias em que você lê potencializa o “recado” que as páginas lhe trazem, construindo muitos significados.
Assim, destaco um que li no último ano da faculdade de comunicação (2010) que, diga-se, foi um período de perda de ente querido e assomado a isso os inúmeros trabalhos que eu precisaria concluir até o final daquele ano. O premiado “A vida que ninguém vê” (Jabuti de 2007), da escritora gaúcha Eliane Brum foi uma obra que me ensinou a enxergar aquilo que o cotidiano, a correria desenfreada, haviam roubado de mim.
Durante um tempo a escritora percorreu, como repórter do jornal Zero Hora, de Porto Alegre, as ruas da capital gaúcha, a fim de reportar o cotidiano de pessoas que não viravam notícias, longe de holofotes, distantes do interesse jornalístico, invisíveis, até. A princípio a ideia era escrever pequenas histórias em formato de matéria para o jornal. O sucesso dos textos foi enorme e a escritora resolveu transformar as histórias em um livro! Nascera aí uma obra tocante, profunda, resultado de uma escrita sensível, cuja única preocupação da autora era lançar luz à penumbra diária de personagens do cotidiano. O livro lhe apresentará um mendigo que nunca pediu coisa alguma; um carregador de malas do aeroporto que nunca voou; um macaco que ao fugir da jaula foi ao bar beber uma cerveja; um doce velhinho dos comerciais que é também uma vítima do holocausto e também um homem que, para ganhar dinheiro, se exibia comendo vidros, mas só se machucava com a invisibilidade.
Há, ainda, histórias como a comovente “Enterro de pobre”, cujo sepultamento de um recém-nascido foi testemunhado apenas e tão somente pelo pai que, caminhando triste e vagarosamente e abraçado ao diminuto caixão branco, era seguido pela mãe, enlutada pela perda que os assolava naquele momento.
Histórias assim (nem todas no livro têm esse viés triste), me revigorava, ao passo que me fazia refletir sobre quão importante é ser bom comunicador, mas sobretudo, ser um bom observador do mundo que nos cerca. Em tempos de tescnofascinação e pós-verdade, eis um livro compromissado com os fatos, mas acima de tudo, compromissado com o humano! Indico horrores!


segunda-feira, fevereiro 20, 2017

Seminário Tendências Contemporâneas da Biblioteconomia 2016 – Parte 2

Fonte: Raquel e Priscila (6º Sem./Not. - 2016)

Dando continuidade a essa matéria especial, seguem os “Bibliotecários fora da caixinha” apresentados pelos alunos do 6º semestre noturno de 2016, encerrando a cobertura desse seminário que representou tão bem as inovações contemporâneas possíveis em nossa área, sendo uma fonte de motivação e inspiração para todos.


Parabéns aos alunos que contribuíram com este seminário e obrigada por compartilharem conosco!


 Noturno

A trajetória do Cauê Araujo, bibliotecário empreendedor da área de educação à distância com a ClassCursos foi o tema do Seminário do Giliardi, Daniel, Nathália e Isabel.
Com muita descontração reforçamos alguns pontos importantes de mais um bibliotecário fora da caixinha.



Bibliotecário: Cauê Araújo
 
Giliardi, Daniel, Nathália e Isabel


Uma outra história de expansão da atuação do bibliotecário foi apresentada pela Bianca, pelo Sidinei, pela Cleide e pela Fernanda (que fugiu da foto), a Anna Constantino e sua experiência como crítica literária, editora do http://potterish.com/ e booktuber.
A bibliotecária guardiã do Harry Potter e de toda a sua magia.


Bibliotecária: Anna Constantino
  
Bianca, Sidinei e Cleide


Já ouviu falar em Grokmaker? E em infomarketing? Não?!
Então conheça o trabalho do bibliotecário Marcos Teruo Ouchi e da sua consultoria Gambatê. Um trabalho extremamente criativo e fora do tradicional. A Raquel e a Priscila arrasaram nos contando esse case:


Bibliotecário: Marcos Teruo Ouchi

Raquel e Priscila


A biblioteca humana da Biblioteca Vasconcelos e a participação do bibliotecário mexicano Ramón Salaberria foi o tema escolhido pela Thais Dias e Gabriela Carvalho para relatar uma experiência inovadora. Um projeto belíssimo e inspirador.


Bibliotecário: Ramón Salaberria

Thais Dias e Gabriela Carvalho


A experiência do Diego Guimarães como bibliotecário e UX Designer da MJV foi mais um relato de “bibliotecário fora da caixinha” realizado pela Fabiane, Valdinea, Jaqueline e Sayonara:


Bibliotecário: Diego Guimarães

Fabiane, Valdinea, Jaqueline e Sayonara


Bibliotecárias como programadoras culturais?
Sim, essa é mais uma interessante área de atuação para o bibliotecário e a experiência da Melina Isabel e da Barbara Boucinha Bischoff Voto foi apresentada pela Karina e pela Raquel:


Bibliotecárias: Melina Isabel e Barbara Bischoff 

Karina e Raquel

 
A trajetória da Liliana Giusti Serra foi o tema da Camila.
A Liliana é uma bibliotecária que atua como desenvolvedora de sistemas na Prima, com o software Sophia.


Bibliotecária: Liliana Serra

Camila
Segue a transcrição da entrevista inspiradora feita pela Camila com a Liliana Serra. Obrigada por compartilharem conosco!


Camila - Fale-nos um pouco da sua formação, caminhos que percorreu academicamente para conseguir conhecimento na área de software.

Liliana Serra - Eu entrei na graduação muito jovem e comecei a trabalhar na área poucos meses após entrar na faculdade (FESPSP) e nunca mais parei. Por muitos anos atuei somente no mercado profissional. Minha formação complementar neste período foi feita com cursos e participação em eventos da área, além de muita curiosidade. Meu interesse pela área acadêmica foi retomado quando fiz a pós-graduação na FESPSP em Gerência de Sistemas, finalizada em 2008. De 2010 a 2013 lecionei no curso de Biblioteconomia da Unifai. Ingressei no mestrado acadêmico na USP em 2013, concluído em 2015, ano em que fui aprovada no doutorado (UNESP). Atualmente sou doutoranda na linha de Pesquisa, Informação, Tecnologia e Conhecimento.
Não fiz cursos específicos de computação ou de análises de sistemas. Não sou programadora, apesar de olhar para códigos e discutir com analistas sobre lógica de programação, funcionalidades, estrutura de dados, comandos etc. Meu conhecimento nesta área foi prático ou adquirido de forma autodidata, com muito estudo e leitura. Procurei algumas formações específicas em ECM (Enterprise Content Management), arquitetura da informação e web design, com o intuito de ter uma visão macro do mercado e das possibilidades de atuação.

Camila - E na vida profissional, qual foi o caminho percorrido e o que a motivou a entrar e permanecer trabalhando com o SophiA? Algo a desmotivou durante o caminho? 

Liliana Serra - Desde o começo da carreira a tecnologia me interessou. Tive oportunidade de trabalhar com analistas e desenvolver sistemas, ou então fui responsável pelo banco de dados, recuperando informações para a gestão do sistema de bibliotecas. Isto proporcionou o contato e aprofundamento do interesse pela tecnologia para bibliotecas. Também fiz muitas migrações de registros. O que para muitos bibliotecários é um pesadelo, para mim é totalmente divertido! Adoro estruturar uma migração, mapear os dados e realizar ajustes e melhorias no legado. Esta experiência me deu muito conhecimento de banco de dados e lógica de programação. Fui a primeira cliente SophiA em São Paulo, no final da década de 1990. Mesmo após deixar de ser cliente, sempre mantive contato com a Prima (desenvolvedora do SophiA). Recebi o convite para trabalhar com eles em 2010. Foi uma mudança grande na carreira, afinal não é uma atividade tradicional do bibliotecário. Também tem o fato que a empresa fica em São José dos Campos e eu moro em São Paulo. Parte das minhas atividades é desenvolvida em home office, que tem aspectos positivos e negativos. A atividade profissional é construída com momentos bons e superação de dificuldades durante o percurso. Os momentos difíceis são oportunidades para aprimoramento e crescimento e devem ser aproveitados. Nenhuma empresa ou atividade será 100% gratificante. Existem coisas que são chatas ou que eu não gosto de fazer, mas precisam ser feitas, com qualidade. Não existe atuação onde fazemos somente aquilo que gostamos. Enquanto a motivação de aprender e crescer existirem, vale a pena continuar na mesma empresa. Quando não existem mais desafios e entra-se em uma zona de conforto, deve-se repensar a atuação profissional e, se necessário, ajustar o rumo.

Camila - Quais e como são os usuários/clientes?

Liliana Serra - O SophiA está em uso em mais de 1500 bibliotecas no Brasil e exterior. Atendemos instituições de pequeno, médio e grande porte. Brinco que vamos da escola “Ursinho Pimpão” até a “Fundação Biblioteca Nacional”, maior biblioteca da América Latina e a agência catalogadora brasileira.
Cada cliente proporciona condições de aprendizado e crescimento. A ferramenta deve ser capaz de atender à demanda de cada um deles. Como atuei profissionalmente em biblioteca pública, cultural, escolar, universitária, jurídica e na área de saúde, sinto-me muito à vontade em qualquer tipo de biblioteca, pois conheço, minimamente, as particularidades de cada uma. Isto me proporciona segurança e subsídios para orientar e contribuir com o cliente em suas necessidades de automação. Muitos clientes viraram ou já eram amigos. Participar de eventos e reuniões é sempre uma oportunidade para encontra-los.

Camila - Com a sua base de conhecimento, o que acha que pode ser feito para gerar interesse da nova geração de bibliotecários na área de base de dados?

Liliana Serra - É necessário ter interesse e disposição para trabalhar com tecnologia. Estar aberto para o novo, em constante movimento. Se a pessoa não tem familiaridade com tecnologia, será mais difícil ela se encontrar nesta área. Se compreende a lógica da coisa e se apaixonar, é uma área muito interessante e desafiadora.

Camila - Pode nos contar um pouco mais da sua função na empresa em que trabalha? Se não, não tem problema!

Liliana Serra - Minhas atividades no SophiA são muito diferentes das tradicionais da Biblioteconomia. Eu faço parte da equipe de Desenvolvimento dos sistemas SophiA Biblioteca, SophiA Acervo (conjuntos museológicos, arquivísticos, memória) e Philos (bibliotecas escolares), conversando diretamente com os analistas e contribuindo com as especificações técnicas e subsídios específicos da área (AACR2, MARC, Dublin Core, OAI-PMH, Z39.50, ABNT, ISBD, catalogação, indexação, gestão, indicadores, repositórios etc.). Como meus estudos são centrados na área de conteúdo digital e catalogação, isto contribui muito com o desenvolvimento do SophiA, uma vez que forneço conceitos e orientações sobre os melhores caminhos e práticas a serem seguidos na automação. Isto é feito acompanhando a literatura, eventos e discussões, no Brasil e exterior. Desenvolvo a documentação do sistema, com manuais e apoio teórico. Sempre que preciso ajudo com as migrações, principalmente quando são de sistemas ou planilhas que não utilizam o MARC, mas que devem ter os registros bibliográficos, de circulações etc. preservados e migrados.
Além disso, oriento os analistas de Suporte nas dúvidas específicas da Biblioteconomia. Também auxilio clientes, orientando as melhores práticas ou tirando dúvidas da nossa área. Auxilio todas as áreas da empresa, fazendo apresentações das ferramentas, reuniões com clientes, treinamentos (internos e externos). Também ofereço consultoria, palestras, cursos etc., mesmo para quem não é cliente SophiA.

Camila - Quais são os desafios e dificuldades dessa profissão?

Liliana Serra - Manter-se sempre atualizado e aberto para conhecer situações particulares com os clientes. Como atuamos no Brasil, Espanha, Argentina e Chile, preciso discutir com os colegas destes países acerca de funcionalidades ou normativas específicas aos mercados. Para isso é necessário domínio do espanhol e do inglês, também em decorrência da participação em eventos internacionais e estudo da literatura.
Uma dificuldade que tenho sentido está relacionada com os frequentes deslocamentos, visitando prospectivos, clientes ou ministrando cursos e palestras. Isto exige muito desprendimento, e em algumas épocas é bastante cansativo. Por outro lado, não sei o que é rotina e tenho a oportunidade de visitar muitos locais.
Conciliar um doutorado com este ritmo de trabalho não é fácil, mas isto tem sido contornado com bastante organização e dedicação. Uma dificuldade que enfrento é a diferença da formação do bibliotecário. Como vivemos em um país com dimensões continentais, as rotinas nem sempre são as mesmas de Norte a Sul do país e, muitas vezes, preciso transmitir aspectos teóricos e conceituais antes de apresentar uma funcionalidade, por exemplo. Mas encaro isso mais como uma chance de trocar informações com colegas, experiência que adoro!

Camila - Você acredita que este tipo de trabalho necessita de uma equipe multidisciplinar?

Liliana Serra - Sempre! A Biblioteconomia é multidisciplinar e a equipe deve ter esta característica. Não existe uma biblioteca igual a outra! Além disso, atendemos bibliotecas, museus, arquivos, empresas etc., cada um com necessidades específicas. Ninguém sabe tudo! Na empresa temos uma equipe multidisciplinar, com analistas, designers, suporte, marketing, comercial, relacionamento com o cliente etc. Cada um tem o seu papel na empresa, com o objetivo de atender bem ao cliente. Além disso, esta equipe precisa ser atualizada. Temos diversos profissionais com especialização, mestrado e doutorandos. Também temos professores em nosso quadro de colaboradores.

Camila - Você acha que pode existir um software que se adapte ao recurso em que a empresa precisa e não o contrário (a empresa se adaptar ao software disponível) ?!

Liliana Serra - Se a empresa contratante precisa se adaptar a um software, alguma coisa está muito estranha! Um software deve auxiliar no desenvolvimento de uma atividade e não complicá-la. Muitas vezes coloca-se mais importância ao sistema que ao profissional que irá utiliza-lo. Isto é uma ilusão! O software não substitui o profissional. Não adianta ter um sistema robusto se os operadores não sabem utiliza-lo corretamente ou se ele for complexo demais e for subutilizado. Um software sozinho não irá atender as necessidades da instituição contratante. Tudo depende da implantação, da utilização deste sistema e do responsável para que tenha uma boa performance. O software é a ferramenta que é utilizada. Jamais deve ser confundido com a atividade fim da instituição. O software é a atividade meio, que permite que a instituição realize suas atividades. Quem deve aparecer é a biblioteca e não o sistema que ela utiliza! Um bom sistema é como um maestro silencioso. Não é ele que deve aparecer, mas a orquestra que está tocando.
É claro que o cliente pode ter particularidades que demandem adequações. Isto pode ser feito, desde que não vá de encontro com os padrões internacionais aderidos na ferramenta. Novas funcionalidades são constantemente desenvolvidas, até porque novas oportunidades e necessidades são apresentadas no decorrer do tempo. Nenhum software estará pronto. Sempre estará em desenvolvimento, porque a tecnologia muda o tempo todo.

Camila - Você acredita que o mercado brasileiro está preparado para receber profissionais especializados nesta área?

Liliana Serra - O Brasil não tem um mercado amplo de sistemas de bibliotecas. Atualmente existem poucas ferramentas nacionais no mercado. Como as bibliotecas não são muito valorizadas no país, é muito difícil para uma empresa atuar somente no mercado de bibliotecas e isto dificulta o surgimento de novas ferramentas. O mercado norte-americano é bem mais maduro que o nosso e, mesmo assim, não existem muitas empresas atuando no segmento. Observamos um período de fusões e aquisições, situação que pode ser ilustrada pela recente compra da ExLibris pela Proquest.
É difícil encontrar bibliotecários para atuar nesta área. O perfil é bastante específico e o bibliotecário deve estar aberto para situações diferentes. Nem todos estão preparados para isto! Também precisa ter boa didática e facilidade para falar em público, afinal ministramos treinamentos, fazemos reuniões e apresentação de cursos e palestras. Se a pessoa tem dificuldade com estes aspectos, sua atuação será restrita. Bibliotecário de sistemas não tem usuário, acervo, processamento técnico etc. Mas tem que saber detalhadamente como são as atividades na biblioteca, caso contrário não estará apto para auxiliar o cliente ou contribuir com o desenvolvimento da solução.
Acho que as oportunidades aparecem para os que se preparam para elas.

Camila - Gostaria de acrescentar mais alguma informação?

Liliana Serra - Apesar de ser um “chavão”, acho importante destacar que é preciso estudar sempre. A faculdade não te dará todas as ferramentas. Isto ocorre porque as novidades estão acontecendo o tempo todo e a área de biblioteconomia está passando por profundas transformações.
Como exemplo dou a minha experiência. Quando estava na faculdade, no início dos anos 1990, tínhamos aula de informática, porém na lousa, pois não tínhamos computadores ou laboratórios. Naquela época não estudávamos o formato MARC (nem ouvíamos falar dele no Brasil). Não existia Microsoft ou Internet. Imagina se dava para responsabilizar a faculdade por não ter aprendido estas ferramentas? Foi preciso ir atrás, aprender, testar, errar, tentar de novo. Uma grande parte de bibliotecários teve que aprender MARC na raça, sem apoio algum, tudo em inglês! O que quero dizer é que não podemos esperar a faculdade, a empresa onde trabalhamos, a sorte ou qualquer outro fator externo para evoluirmos. O profissional é o primeiro e único responsável pelo seu crescimento e evolução!
Se a empresa onde você trabalha não pode custear um curso ou a participação em um evento, negocie dispensa das atividades para ir às suas custas. Invista no seu crescimento. Se você não recebe o suficiente para isto, corra atrás de melhores oportunidades. Se não tem dinheiro para investir, sirva-se das fontes que temos gratuitamente! Revistas, anais de congressos, palestras etc. Tem bastante oferta para aprender de forma gratuita e, muitas vezes, sem precisar se deslocar fisicamente, com eventos pela Web. Não delegue a terceiros a sua evolução e crescimento profissional. Isto é uma responsabilidade sua.