terça-feira, março 21, 2017

Relatos da "Semana de Biblioteconomia FaBCI-FESPSP 2017" - Parte 2

E dando continuidade aos relatos sobre a Semana em comemoração ao Dia do Bibliotecário da FaBCI-FESPSP deste ano, teremos as descrições do aluno Hiaosmin Vanderlei Tavares Costa, que trará um apanhado com uma ótima reflexão do “Ser Bibliotecário”, dando ênfase às palestras: “Cuide de sua Competência Informacional”; “O Bibliotecário Booktuber”; “Bibliotecário Jurídico, eu?” (com participação da Profª Andreia Silva), e “O Bibliotecário na Indústria Farmacêutica”.
Contaremos ainda com as contribuições das alunas Camilla Hatzlhoffer do 3º semestre/noturno na palestra “O Bibliotecário na Indústria Farmacêutica”, de forma mais minuciosa, e a seguir Daniele Maria de Sousa com “A experiência do SESC Memórias como Centro de Memória Institucional” e Leonela Souza de Oliveira com a “Privatização das Bibliotecas” (ambas do 5ª Semestre/Matutino e Noturno respectivamente). Confiram!


QUE BIBLIOTECÁRIO PODEMOS SER?

QUE BIBLIOTECÁRIO DEVEMOS SER?

QUE BIBLIOTECÁRIO ALMEJAMOS SER?     

QUE TIPO DE BIBLIOTECÁRIO SOMOS?
Por Hiaosmin Vanderlei Tavares Costa.

Com a era da tecnologia e a expansão dos diferentes mercados vem junto à fusão das áreas, assistimos várias mudanças sociais em diversos seguimentos e as necessidades dessas mudanças vêm acompanhadas da famosa “Globalização” e a biblioteconomia e consequentemente a Ciência da Informação não fugiram a regra, precisou-se (inovar, atualizar, reinventar) para continuar a servir aos usuários com seus produtos e serviços de uma forma diferenciada, sejam nos centros de documentações, bibliotecas (universitárias, públicas, comunitárias) e demais áreas especializadas.
Essas inovações vêm com certos fenômenos transformadores e avaliadores das novas realidades e cenários desenhados. Com certeza de alguns tempos para cá já ouvimos tanto a expressão “sair da caixa ou pensar fora da caixa” que na verdade é uma expressão proveniente da língua Inglesa cuja tradução simples do inglês para Português é “Think outside the Box” que também é passível de outras interpretações tais como: pensar livre, pensar livre das amarras convencionais, ter visão para mudança, encarar desafios, unir pensamento a uma forma diferente do comum, encontrar soluções ou respostas para as perguntas etc.

Fonte: Blog Anderson Ferro


É nessa perspectiva que foi celebrado o “Dia do Bibliotecário” durante a Semana de Biblioteconomia da Faculdade de Biblioteconomia e Ciência da Informação – FaBCI da Escola de Sociologia e Politica de São Paulo - FESPSP, uma organização e realização do Centro Acadêmico Rubens Borba de Moraes (CA do Borba) em colaboração com a direção da FESPSP. Durante a semana que começou do dia 06 e foi ao dia 10 de Março, aberto ao público em geral e para estudantes do matutino e noturno, com palestras, minicursos e feira, com temas mais atuais e importantes da área.

Todos os temas abordados no decorrer desse evento são relevantes e foram apresentados de uma forma clara começando pelo “Cuide de sua Competência Informacional” que é a essência desse artigo, como devemos cuidar das nossas competências também nos leva a entender perguntas com:

Que Bibliotecário Podemos Ser?

Que Bibliotecários Devemos Ser?

Que Bibliotecário Almejamos Ser?

Que tipo de Bibliotecário Somos?

Perguntas que parecem difíceis de serem respondidas, mas, se pensarmos e colocamos na prática e com a nossa preparação e percurso acadêmico, para uns num futuro próximo terão as respostas destes questionamentos e outros já estão a dar respostas precisas e abrir caminhos para novos profissionais da área. O que não é fácil sem um encaminhamento árduo entre teorias e práticas em sintonia.  

Por terem ou estarem cuidando das suas competências, ouvimos relatos de experiências diversificadas durante a semana de “Biblio” com palestrantes profissionais ou ligados à área, em síntese, preconizamos enfatizar alguns temas debatidos, não que sejam mais essenciais ou melhores palestras e palestrantes, mas tem tudo a ver com o que aborda esse artigo, no caso do Bibliotecário Booktuber (Gabriela Bazan Pedrão), Bibliotecário Jurídico, eu? (Profª Andreia Gonçalves Silva) e o Bibliotecário na Indústria Farmacêutica (Andréia Fagundes – Libbs).  


“Bibliotecário Booktuber”, Gabriela Bazan Pedrão (Segunda-feira/Noturno)

Fonte: Edi Fortini


Para muitos estar em rede é questão simples, ter um computador, celular, tablet, ter internet e estar com aplicações instaladas e acessar páginas nas redes sociais que logo passam a nos comunicar com os cinco continentes, mas a experiência e o relato da Booktuber e pesquisadora Gabriela Bazan Pedrão nos mostrou o que é estar do outro lado da tela seja ela de um smartphone ou a partir de um terminal de computador sem poder tocar, ver e nem saber se realmente se está falando com uma máquina ou seres humanos.
E como separar o profissional do pessoal? Além de partilhar as suas habilidades pessoais e as adquiridas na área e como utilizou isso a seu favor nos momentos que chamou de “frustração” (logo após se formar como “Bacharel” em Biblioteconomia), e o papel e as habilidades de um Bibliotecário Booktuber, além de seus projetos e como o público tinha visto seu canal e as leituras que fazem dele. O que é fundamental em sua fala é o seguinte: “Eu comecei a fazer, e faço isso até hoje por amor a minha profissão e por saber que consigo ajudar muitas pessoas. Sempre estou me atualizando para poder dar continuidade e satisfazer a necessidade dos internautas” que neste caso, são os usuários de seu canal.

Fonte: Edi Fortini


“Bibliotecário Jurídico, eu?”, Profª Andreia Silva (Terça-feira/Matutino)

Fonte: Slides Profª Andreia Silva
Uma experiência Bibliotecária interessante para o setor público e privado em um trabalho com escritório de advocacia, que exige uma especialização não só para não cair no que ela diz ser chamado na área jurídica de “Juridiquês” que é quando utilizamos desnecessariamente ou sem fundamentos os termos técnicos e jurídicos, mas sim ter conhecimentos sobre a realidade da área Jurídica, quanto mais especialistas, mais poderemos dar soluções às respostas que o mercado exigir. Ainda fala da importância de não deixarmos de correr atrás, que por ser uma área muito sensível e burocrática, muitos pensam que não vão dar conta, mas o objetivo é se preparar e treinar sempre.


Fonte: FESPSP Comunica

Contribuição da Profª Andreia Silva


Quando fui convidada pelos alunos do CA para fazer esta palestra pensei em fazer algo diferente para prender a atenção dos participantes. Não queria falar somente do que é o Direito, das fontes de informação jurídica e do perfil do bibliotecário. Resolvi, então, trazer dados com a quantidade de advogados, dados com a quantidade de tribunais do poder judiciário, dados com a quantidade de leis que foram publicadas, dados sobre os salários da iniciativa privada e pública, etc etc ... Ao trabalhar com dados pensei em aguçar a curiosidade das pessoas sobre a área jurídica, principalmente daqueles que tem ojeriza pelo Direito rsrs Eu espero ter atingido meu objetivo.
Fonte: FESPSP Comunica
Segue o link da revista Cadernos de Informação Jurídica (Cajur) para quem quiser saber mais sobre a área, inclusive neste fascículo saiu uma resenha que escrevi em conjunto com um advogado (Teoria e prática da pesquisa em jurisprudência: resenha por Andréia Gonçalves Silva, Raimundo Hélio Nascimento Filho).

  
“O Bibliotecário na Indústria Farmacêutica”, Andréia Fagundes (Terça-feira/Noturno)

Fonte: Edi Fortini
E por ultimo temos a palestra sobre “O Bibliotecário na Indústria Farmacêutica” uma experiência profissional muito importante também começando fora da área que por interesse e dedicação pessoal tornou-se possível o que mostra que além de técnicas biblioteconômicas (seleção, classificação, catalogação e indexação) temos a parte humanista de pensar o usuário dos produtos e serviços que prestamos, ainda dá para percebermos que os profissionais sempre terão que trabalhar em grupo o famoso “trabalho de equipe” que estudamos e ouvimos nas entrevistas dos estágios da vida, nos empregos e por ai vai. 

Relato da aluna Camilla Hatzlhoffer do 3º semestre/noturno

No segundo dia de palestras da Semana do Bibliotecário FaBCI – FESPSP 2017, realizado pelo C.A do Borba, tivemos a presença da palestrante Andréia Fagundes, que apresentou o tema “ O bibliotecário na Indústria Farmacêutica”.

Andréia, que atualmente trabalha na Libbs Farmacêutica, nos relatou um pouco de sua experiência nesta área, explicando que o papel exercido pelo profissional bibliotecário nas indústrias farmacêuticas é o de apoiar a empresa com informações médicas e científicas assim fornecendo um suporte informacional no processo de ensino-aprendizagem. Com isso, o bibliotecário também ajuda nas etapas da cadeia de medicamentos, desde a prospecção de um novo produto até o embasamento dos materiais promocionais e no suporte às dúvidas dos profissionais da saúde, com o levantamento de dados sobre medicamentos.

Os principais serviços dos bibliotecários que trabalham nestas indústrias são as solicitações externas de médicos que buscam informações sobre medicamentos ou pesquisas médicas atualizadas que possam ajudar a definir um diagnóstico de um paciente, a revisão do material promocional e a organização da biblioteca física e digital da empresa.

Camilla Hatzlhoffer e Andréia Fagundes
Fonte: Edi Fortini
Segundo a palestrante, os requisitos mais importantes que um bibliotecário que deseja trabalhar na área farmacêutica deve possuir são: a curiosidade, a empatia, a boa comunicação, o bom senso, a pro-atividade, uma boa redação, a facilidade em trabalhar em equipe, um bom inglês (principalmente na leitura, já que a maioria das pesquisas e documentos médicos está redigida nesta língua) e o conhecimento dos operadores booleanos (AND/OR/NOT). A palavra chave deste profissional é Dinamismo.

Com enorme simpatia, Andréia conseguiu nos mostrar a importância deste profissional que atua dentro da área da saúde e a enorme responsabilidade que ele tem ao fornecer informações que ajudam aos médicos a diagnosticar e tratar a saúde de seus pacientes. A palestrante encerrou sua apresentação com a seguinte frase de Bill Gates: “O modo como você resume, administra e usa a informação determina se vencerá ou perderá”.


“A experiência do SESC Memórias como Centro de Memória Institucional”, Fabrício Leonardo Ribeiro (Quarta-feira/Matutino).
Por Daniele Maria de Sousa.

Fonte: FESPSP Comunica

A palestra do dia 08/03/2017 (quarta – feira) contou com a ilustre participação do Fabrício Leonardo Ribeiro que trouxe como tema principal “A experiência do SESC Memórias como Centro de Memória Institucional”.

Fabrício é historiador formado pela UNESP e atualmente faz parte da Gerência de Estudos e Desenvolvimento do programa SESC Memórias. A palestra foi bem diversificada e o palestrante foi incrivelmente carismático e descontraído, iniciou com um vídeo institucional e mostrou a importância que o SESC possui no desenvolvimento social, artístico, humano e cultural.

Como o SESC possui diversas unidades e cada uma delas produz variados eventos, foi designado ao Fabricio e seus parceiros a tarefa de catalogar, registrar, organizar, preservar e recuperar documentos produzidos e que contem a história institucional como forma de enriquecimento da memória e para manter um registro e um legado a quem possa sentir interesse em conhecer o universo do SESC.

Fabrício detalhou muito bem o processo de descrição dos documentos, mostrou que as fichas são todas padronizadas para serem utilizadas em todos os objetos e que para um profissional tornar-se bem sucedido neste segmento deve conhecer a organização de ponta a ponta e entender a sua missão, qual o objetivo que quer alcançar e para quem ela está prestando serviços, conhecer seu público alvo é essencial para alcançar o sucesso.
Fonte: FESPSP Comunica
Gostaria de parabenizar ao palestrante e o Centro Acadêmico Rubens Borba de Moraes pela organização e por trazer profissionais especializados e bem dinâmicos como o Fabrício para agregar maiores conhecimentos e mostrar para nós estudantes que é possível realizar grandes trabalhos com sinergia e construir laços com profissionais de outras áreas, pois não devemos nos tratar como concorrentes ou deixar o ego nos dominar, mas devemos firmar parcerias e criar vínculos para desenvolver aquilo que é necessário para atingir as metas e os objetivos que são traçados no nosso dia a dia.


“Privatização das Bibliotecas”, Ricardo Queiroz, William Okubo e Pierre André Ruprecht (Quarta-feira/Noturno).
Por Leonela Souza de Oliveira

Fonte: FESPSP Comunica
Recentemente estamos assistindo, pelos meios de comunicação que a atual gestão pretende privatizar as 52 bibliotecas públicas da rede municipal. Desta forma, a administração ficará sob a responsabilidade de Organizações Sociais de Cultura denominadas OSs, por entenderem que a administração dos equipamentos culturais é muito complexa para o município.  Tornando-se oportuna a palestra do dia 08 março sobre o tema: Privatização das Bibliotecas que discutiu não só o rumo das bibliotecas, mas também de que forma irá afetar aos profissionais bibliotecários concursados que atuam na esfera municipal.

Munidos de conhecimento e vasto repertório profissional, os convidados que compuseram a mesa sendo eles: Ricardo Queiroz (PMLLLB), William Okubo (bibliotecário e gestor cultural na cidadania cultural) e Pierre André Ruprecht (SP Leituras) com a mediação da Prof.ª Maria das Mercês Apóstolo, expressaram suas ideias e opiniões sobre a privatização das bibliotecas públicas, que sem sombra de dúvidas é primordial para a sociedade, sendo um agente transformador de mudança social.

O ponto de partida desta complexa e delicada discussão foi sobre a função da biblioteca pública, que vai muito além das instâncias que a gerencia seja na esfera municipal ou estadual. Neste sentido, o manifesto IFLA/ Unesco de 1994 resume o papel social da biblioteca pública como sendo:  “A biblioteca pública é o centro local de informação, tornando prontamente acessíveis aos seus utilizadores o conhecimento e a informação de todos os gêneros”, ou seja, o verdadeiro papel da biblioteca pública é servir aos interesses da comunidade ao qual está inserida sem fazer distinção de condição social, raça, crença, ou nacionalidade, para que assim ela possa despertar nos usuários que a frequentam a consciência da participação social de cada indivíduo na sociedade onde vive.

Fonte: FESPSP Comunica
A discussão ainda elencou alguns pontos sobre o modelo de gestão das bibliotecas públicas perpassando pelas políticas públicas elucidas por Ricardo Queiroz (PMLLLB), que participou da concepção do Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca – PMLLB do município de São Paulo.

O modelo vigente da administração direta foi apresentado por Ricardo Queiroz e William Okubo, que esclareceram pontos relevantes com relação à gestão das bibliotecas públicas, desde sua idealização pelo saudoso secretario de Cultura Mário de Andrade.

Além disso, foi colocada em cheque a gestão por Organizações Sociais de Cultura, desde seu processo de chamamento público até a qualificação dos profissionais envolvidos, em detrimento dos servidores públicos que atuam nas bibliotecas públicas.

Neste seguimento temos a SP Leituras, Associação Paulista de Bibliotecas e Leitura, que gerencia as bibliotecas São Paulo e Villa Lobos, por meio da Secretaria de Cultura e a Unidade de Difusão, Cultural Bibliotecas e Leitura (UDBL) no âmbito estadual, apresentada pelo então diretor executivo Pierre André Ruprecht.  O conjunto de elementos polemizados pelos convidados trouxe à tona os modelos de gestão, ainda poucos explorados e com muitas lacunas por sanar.

É notório que as bibliotecas públicas enfrentam problemas de gestão há muito tempo, tocar o dedo na ferida é discutir sobre os gargalos que impossibilitam seu pleno funcionamento, se torna difícil principalmente quando não depende exclusivamente de nós solucionarmos, ainda que não tenha um modelo de gestão pronto que faça a mágica acontecer.

Por fim, a palestra mostrou que precisamos conhecer as diretrizes e os veículos de comunicação, que devemos consultar informações fidedignas nos canais existentes do poder público, a fim de aprofundar nosso conhecimento teórico.

Torna-se imprescindível acompanharmos os desdobramentos deste assunto, pois hoje somos estudantes de biblioteconomia, mas amanhã seremos futuros bibliotecários no mercado de trabalho e o nosso principal trunfo será o  conhecimento e somente desta forma poderemos  construir a biblioteca pública que queremos.
Fonte: FESPSP Comunica e Edi Fortini

Parabenizo a FESPSP pela iniciativa em trazer este assunto atual para discussão entre profissionais atuantes e estudantes de biblioteconomia. 

 
Para encerrar essa etapa de relatos, temos a reflexão final do aluno Hiaosmin, e desde já convidamos a todos para conferirem na próxima semana a última parte com os relatos da “Semana de Biblioteconomia FaBCI-FESPSP 2017 – Parte 3”, vocês não podem perder!!!
 
Então com esses relatos e evolução da área embora a Faculdade de Biblioteconomia e Ciência da Informação crie uma grade acadêmica com todas essas preocupações ligadas a área e a Fundação Escola de Sociologia e Politicas e São Paulo crie condições e mecanismos para fazer os alunos  estarem aptos para o mercado de trabalho, penso que devemos entender que sempre é, e será necessário atualização para podermos cumprir com as nossas tarefas e as demandas que virão no futuro, além da ética e do profissionalismo, algo que muitas das vezes por descuido não damos conta além de estudarmos para exercer essa profissão embora sejamos humanos e falhos, mas também, fazemos um juramento nos comprometendo a honrar a nossa profissão, por isso devemos correr atrás para sermos bons bibliotecários e bibliotecárias, como sempre somos incentivados na faculdade pelos professores a ”sair fora da caixinha”.  
Fonte: AGQ Online
  

2 comentários:

  1. MC cobrindo todas as palestras! Parabéns!

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    1. Muito obrigada Fernanda. Isso não seria possível sem a colaboração de todos os alunos ;)

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