quarta-feira, maio 31, 2017

Coluna: Filme da semana. Por Ana Beatriz Cristaldo e Renato Reis.


E para dar continuidade às homenagens e comemorações pelo Jubileu de Ouro do mais que querido Profº Ivan, segue a resenha mais que especial dessa obra-prima literária e cinematográfica, destaque para a atuação arrasadora de nossos monitores Ana e Renato.
E que rufem os tambores...
Com vocês: Fahrenheit 451.




Renato entra na sala...
Anteriormente, no capítulo 27 da sua novela preferida deste canal(...) Ei, espere! Você aí! Me dê esse livro!!! Peguem-no e queimem!!!
[Fim da transmissão. Diário de um tempo há muito temido]


Fahrenheit 451 (1966)
Dirigido pelo renomado francês François Truffaut, Fahrenheit 451 é baseado no livro homônimo de Ray Bradbury (o qual nosso querido mestre Ivan insiste em nos indicar sua leitura todos os anos para as turmas de biblio, estejam avisados novatos).


Fahrenheit 451 (1966)

Então, a história não poderia ser diferente: se passa num futuro distópico, onde o livro é proibido (e o ato de ler), condenado à fogueira e seu portador é punido pela lei, basicamente. Existe o corpo de bombeiros, incumbido de perseguir tais leitores “foras da lei” e rastrear a todo custo os livros que, mesmo escondidos, a sociedade insiste em manter e cuidar. Isso tudo de uma forma completamente opressora mesmo. É como se assistíssemos a um sufocante assassinato à inteligência, ao pensamento e ao raciocínio humano nas telas. É uma opressão difícil de suportar mesmo vista por olhos desacostumados a um cinema antigo e clássico.

Truffaut casa muito bem a imagem ao som, o diálogo à tensão, a sensação de perseguição ao suspense que toda a obra carrega, a mágica do conhecimento às curiosidades mais que humanas do personagem principal, o bombeiro Guy Montag (Oskar Werner). Aliás, a trama segue muito bem expressa com as nuances do protagonista e toda sua liberdade enclausurada por tal sistema ditatorial, rígido e estruturalmente alienador. Seus conflitos com seu superior no corpo de bombeiros Fabian (Anton Diffring) são expressas com muito talento e fielmente ao livro. E, puxa, que concordância com o livro! (APESAR DE EU SEMPRE DEFENDER, COM TODAS AS FORÇAS, QUE O LIVRO É O MELHOR!)

Renato continua a falar e a euforia aumenta

Temos outros shows de atuação com a esposa de Montag, Linda Montag (Julie Christie), apesar de pouca presença no filme em comparação ao livro, e da bibliotecária (olha nóis aí de novo representando!!) ou uma bibliófila autêntica (Bee Duffell) que defende a ferro e fogo o conhecimento. Suas cenas são de muita responsa e elas aparecem para virar o jogo, ou então causar aquela percepção final a quem assiste ao filme e não compreende bem o sistema traiçoeiro, que aprisiona seus cidadãos moral e intelectualmente, como pano de fundo da história e já faz um grande esforço para compreender a complexidade da personalidade de Montag.



Cena comum dos bibliotecários recém formados nas faculdades brasileiras. Digo... A brilhantíssima Bee Duffell queimando geral mas mantendo seu ideário sempre vivo.


Bom, o filme é brilhante e tem muitas qualidades. Um clássico dos grandes. Além de ser inteligentíssimo! Nunca me deparei com um filme tão bem construído e estruturado com base numa obra bibliográfica. Truffaut realmente chegou num nível de compreensão literária absurda e isso merece atenção e admiração de todos. Recomendadíssimo para quem é bibliófilo; quem é no mínimo admirador de filmes cult e de ação ao mesmo tempo e apreciador de uma boa acrescentada ao conhecimento; e para o pessoal de biblio, que tem um ideal sempre muito forte, que tem o futuro traçado por uma disseminação da informação sempre responsável e cuidadosa, que preza por futuros progressistas e felizes.

Com esse FILMAÇO, deixo meu singelo pedido à nação bibliotecária: saiam da caixa, bibliotecários, documentalistas e cientistas da informação!!!!

Ana entra no recinto, quase derrubando a porta...

EI!
Eu também quero falar, esse filmão da muléstia ai deve ser valorizado e vangloriado todos os dias, vamos montar uma religião, uma ceita.. ISSO UMA CEITA BRADBURRYANA, ISSO!!!!

Péra, tô alterada.
Voltei, é que Ray Bradburry, autor do livro que deu origem ao filme é meu autor favorito do segmento de livros de terror, e esse livro é uma P$%¨& história de horror.

Como o menino ai já disse...

Renato
(torce o nariz)


Os livros “são melhores” do que os filmes, mas eu já estou cansada de explicar a todos que são materiais criados para mídias diferentes, se o filme seguisse o final e a trajetória do livro muitos telespectadores não entenderiam, por que o sentimento que Ray Bradburry passa de confinamento e perpetua vigilância não pode ser expressada em imagem, nem em áudio e nem nas próximas vidas.

TENDO EM VISTA ESSE APONTAMENTO, COM LICENÇA, OBRIGADA....

Quero só trazer alguns pontos gostosinhos e importantes desse filme.
Na abertura, onde geralmente subiriam os créditos dos autores, produção e a trabalheira danada que deu pra criar essa obra, essas informações são narradas, já nos imergindo no contexto do filme no qual ler é proibido, e enquanto os créditos são narrados, nos são mostradas várias e várias antenas de TV que estão presentes em TODAS as casas das famílias tradicionais, o que já nos prediz como é feita a alienação e a homogeneização dessas pessoas. Já começa com um gole e  EITA GCHIOVANNA!

Não bastando, na primeira cena um cara é pego lendo, e enquanto lê ele come uma maçã, e então ele ouve as sirenes WIUWIUWIUIWIU dos bombeiros incendiários, e na correria a maçã mordida rola pelo chão da casa. Meus queridos, vocês sabem o que representa, em sua maioria, a maçã e essas figurações da imagem dela no cinema certo? O pecado, algo errado, perigoso...

Enfim, que delicia de obra, que delicia de reflexão.
Obrigada Professor Ivan por nos passar a tarefa de ler/assistir essa obra, é um ótimo início para nós cientistas da informação começarmos a compreender o nosso papel nesse mundão de tudo.

Não deixa o conhecimento morrer
Não deixa o conhecimento acabar
O amor é feito de conhecimento
Conhecimento pra gente conhecimentar... Acho que errei a letra da música de novo.


TÁ DISPONÍVEL ONDE!?!? Acervo FESPSP / Internet / DVD

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