sexta-feira, outubro 27, 2017

Série: Era Uma Vez... Por Gabriel Justino de Souza.



E como um momento de alívio na correria desse final de semestre, segue mais um lindo conto do Gabriel Justino (6º Semestre/Noturno). Fiquem com essa história de amor que ultrapassa todos os limites.


Fonte: Pixabay.


Hoje o dia está chuvoso, as gotas frias caem sobre minha pele e molham a minha roupa, caminho por essa rua sem uma direção aparente com os meus pensamentos voltados para você.

Como posso expressar meus sentimentos, se não alcanço as palavras corretas para te externalizar tudo o que sinto? Quando acordava ao seu lado e o sol nos tocava, eu amava ver seu lindo sorriso quando acordavas. Ahhhh e como eu te amo e seguirei te amando, desde quando no grande mar da vida, você chegou ao meu porto com seu barco e eu te conheci, sem você me sinto perdida, assim como no dia de tempestade que temos que ficar em casa, mas não hoje, hoje quero sentir as gotas frias me trazendo a realidade, que o destino não nos quer juntos, as lágrimas salgadas que caem dos meus olhos se misturam com a doce água da chuva.

Como eu poderia resistir ao seu sorriso, aos seus olhos que se iluminavam quando falava de ajudar ao próximo, quando você me olhava trabalhando em minhas telas e dizia:

— Verônica essas são as telas mais lindas que eu já vi. Você deveria montar uma exposição com elas. Essas cores são incríveis meu amor.

Eu amava isso em você, essa autenticidade e essa beleza que encontrava em mim, mesmo às vezes me olhando no espelho e achando que não era nada e que nunca seria feliz e aí você chegou e transformou o meu mundo. Mostrou-me a beleza da vida, a beleza de me sentir amada e ver que eu era amada pela minha família e pelos meus amigos. Só que você nunca me preparou para lidar com a perda. Eu sei que você ainda está vivo, mas sinto que é como se você não estivesse. 

Essa rotina acaba comigo, te ver imóvel e incapacitado, depois daquela noite em que você me pediu em casamento e ficamos noivos, você teve que ir para casa para ajudar seus pais na mudança. Meu coração ainda não se recuperou da ligação que recebi naquela noite.

— Alô. Verônica?

— Oi seu Roberto, como estão às coisas da mudança?

— Verônica, você está sozinha? — Disse ele com aquele tom de voz que sempre falam conosco antes de anunciarem algo ruim.

— Sim estou por quê? Aconteceu alguma coisa?

— Verônica você terá que ser muito forte, o William sofreu um acidente com a moto antes de chegar em casa e o estado dele é grave... Verônica.... alô...

Não conseguia ouvir nada, parecia uma piada de mal gosto, entrei em estado de choque. Assim que me recuperei, corri até o hospital e quando cheguei lá, os médicos disseram que ele tinha passado por uma cirurgia para retirar um coágulo que se formou em seu cérebro, só que depois disso, ele não acordou mais.

Não sei como explicar o que sinto quando te vejo, parece que está dormindo e que em breve acordará. Acho que quando isso acontecer vai ser como se fosse o verão e que o inverno nunca existiu, será como a primavera trazendo o renascimento para sua vida. 

Continuo caminhando, já com minhas roupas todas ensopadas e meu cabelo já molhado, cai em ondas e gruda sob minha pele, hoje é mais um dia de visita, quero te ver e contar tudo o que fiz, que pintei mais alguns quadros, consegui vender alguns e que estou tão perto de fechar contrato com a Galeria Alighieri. 

Cheguei ao hospital, acho melhor me secar, hoje recebo notícias do seu quadro médico, talvez hoje minhas esperanças sejam renovadas. Te amo meu amor e te esperarei até o fim mesmo que você não esteja me ouvindo.

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