sexta-feira, abril 27, 2018

Aconteceu na FESPSP - Milton Hatoum no dia internacional do livro

O premiado autor Milton Hatoum conversou com a comunidade da FESPSP no dia 23 e abril, o dia Internacional do Livro. A Edi Fortini fez uma cobertura completa para nós e tirou fotos maravilhosas!



2018 | Milton Hatoum e o Dia Mundial do Livro na FESPSP


Em 23 de abril comemora-se o Dia Mundial do Livro e esta data foi representada em grande estilo na FESPSP, com a presença ilustre do escritor Milton Hatoum em 2018.

Foto: Edi Fortini


O manauense atualmente vive em São Paulo e já ganhou diversos prêmios por seu trabalho, como o Prêmio Jabuti em 1990 e a Ordem do Mérito Cultural em 2008. É considerado um dos mais importantes autores brasileiros vivos e reconhecido internacionalmente, tendo suas obras já publicadas em vários países em diferentes idiomas.

Hatoum conversou sobre suas publicações e seu processo criativo, além de compartilhar algumas de suas experiências de vida, incluindo relatos ocorridos durante o período da ditadura. Tais conversas são sempre muito importantes, principalmente nos dias atuais, em que essa memória parece não surtir muito efeito em uma parte da população brasileira, que insiste em cometer novamente os mesmos equívocos desse passado não tão distante.

Foto: Edi Fortini

Com cinco romances publicados, a palestra se focou em sua mais recente obra, "A Noite da Espera", publicada no ano passado pela Cia. das Letras, que é o tema do trabalho temático do pessoal do primeiro ano da graduação do curso de Sociologia e Política da FESPSP. Hatoum também leu dois trechos das cartas escritas de personagens do livro, um momento muito emocionante para todos.

Foto: Edi Fortini


Ao final, a sessão foi aberta para perguntas e algumas pessoas solicitaram autógrafos e conversaram um pouquinho com esse grande nome da literatura brasileira.



Assim como diversos eventos da FESPSP, a palestra foi aberta à comunidade, que pode desfrutar de uma estrutura agradável com debates sempre de grande qualidade. Acompanhe a programação no site da FESPSP para outros eventos.


Foto: Edi Fortini

Novos PECs da FESPSP!

Há uma nova bateria de PECs da FaBCI chegando com cursos para maio e junho!
Todas elas serão oferecidas de manhã e a noite. Organize sua agenda para não perder nenhuma!

Valeu Éderson e Winderson! Com certeza elas serão um arraso!





quarta-feira, abril 25, 2018

FESPSP no XX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias em Salvador!

Entre os dias 15 e 20 de abril, aconteceu o XX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU) em Salvador, que contou com a participação de docentes e recém-formados da FabCI.

Fonte: XX SNBU


No dia 17/04, o TCC: Gestão do Conhecimento do projetos: uma análise baseada no PMBOK (Project Managment Body of Knowledge),  do Nicolino Foschini e orientado pela professora Valéria Valls, foi apresentado.

Leia abaixo o relato do Nicolino:

Nicolino Foschini
Foto: Arquivo pessoal

Ah... se eu soubesse que meu TCC viraria um artigo científico e que seria apresentado no SNBU de 2018, honrosamente pela minha orientadora Valéria Valls, eu teria feito um trabalho melhor.... só que eu não pensei assim! Foi justamente o contrário. Eu fiz o melhor que eu pude sempre, me planejei sempre que possível, me deixei levar pela orientação profissional dos professores e principalmente da minha querida orientadora, e trabalhei almejando sempre um pouco mais... quando percebi, já era tarde e não poderia mais voltar atrás, o trabalho de conclusão de curso estava pronto e ia além do que eu queria no início! Para minha glória, a banca gostou muito do trabalho e na discussão final sobre um trabalho futuro (hoje presente), me fez sentir que podia ainda mais um pouco! Trabalho de casa feito, precisava então de uma revisão/mineração para extrair o ouro do TCC e submeter para avalição dos pareceristas do SBNU. 

Fácil assim? Não! O trabalho foi aprovado com restrições e precisava ser reenviado com as revisões solicitadas pelo parecerista, em algumas horas, que por falha do sistema de submissão atrasou o parecer. Alterações pensadas e alinhadas com a orientadora, correções feitas, revisão da orientadora, resubmissão e uma longa apreensão de espera... e quase lá... Bom, o final vocês já sabem!

Esse foi um pouco do percurso, e agora o desenrolar da história vocês podem ver na majestosa apresentação da Profa Doutora Valéria Valls que apresentou no SNBU os pontos chave do trabalho, e que merece toda minha gratidão pela ótima parceria acadêmica desde 2015 quando entrei no curso de biblioteconomia e ciência da informação da FESPSP. 

Obrigado à todos os envolvidos neste gostoso percurso, aos funcionários e funcionárias da FESPSP, aos mestres professores e as mestras professoras que me acolheram com muito amor e respeito nesse período de estudos com todos vocês.

Portanto, a dica que eu deixo aos graduandos de 2018 é que façam tudo o que puderem e entreguem o melhor trabalho que puderem! Vale a pena cada minuto de dedicação. Boa dedicação à todos e contem comigo quando for preciso.



Já o dia 18/04 teve dobradinha da FaBCI. O TCC do Gabriel Justino, Da erudição à disseminação: uma imagem do ibliotecário construída através da literatura e série fantástica, orientado pelo professor José Mario e com parceria da ex-professora da FaBCI Vânia Martins foi apresentado pelo próprio autor lá em Salvador. 

Ele e o orientador nos enviaram um relato sobre o evento:


Gabriel Justino


Foto: Arquivo pessoal

A biblioteconomia possui alguns eventos e um dos maiores deles, é o Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU), e o que escrever acerca deste evento que ocorre a cada 2 anos, e que neste foi sediado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) em Salvador entre os dias 15 e 20 de abril.

A receptividade dos soteropolitanos é percebida assim que se chega ao aeroporto, sempre com um sorriso no rosto, prontos para auxiliar um turista recém-chegado.

A abertura do congresso foi interessante, ela aconteceu no Teatro Castro Alves, com a apresentação do Grupo de Dança Contemporânea da UFBA, apresentando o espetáculo “Com que sonhamos”. Os 6 dias que transcorreram o evento, foram dias de intenso aprendizado, pois, aprendemos que a biblioteca universitária não é e nunca será restringida ao balcão, serviço de referência e atendimento, mas aprendemos que ela pode atuar em diversos âmbitos da universidade, auxiliando professores, alunos e comunidade em um modo geral a se identificar com o ambiente de erudição, se tornando um lugar que além de pesquisas, proporciona ao seu público, o compartilhamento de ideias, troca de experiências e enriquecimento cultural nas mais diversas expressões.

Apresentar um artigo em 10 minutos se mostrou um desafio e tanto, foi a minha primeira participação em um evento desse tipo, e claro que o nervosismo por vezes toma conta, mas temos que agarrar aquela oportunidade, respirar fundo e apresentar, afinal foi um trabalho no qual o meu orientador José Mário, a bibliotecária Vânia Funaro e eu, nos dedicamos adaptando o TCC que tinha feito e que estava em outro eixo, para transformá-lo em um artigo que pudesse contribuir de alguma forma, para o crescimento profissional do bibliotecário.

O 20° SNBU, possibilitou um aprendizado enorme tanto por parte dos congressistas quanto por parte dos palestrantes, os eixos temáticos desenvolvidos possibilitaram que os presentes, conhecessem projetos de todo o país, como por exemplo o chatbot Bia da PUC-RIO (que auxilia nas respostas aos frequentadores da biblioteca), de projetos culturais em bibliotecas universitárias que possibilitam que alunos que nunca tiveram contato com manifestações artístico-culturais pudessem ter esse contato por meio da biblioteca que promovia atividades desse nível ou de conservação e criação de acervos, como foi o caso da coleção especial de quadrinhos criada a partir de uma doação na biblioteca universitária da UFSCAR-Sorocaba. Foi uma experiência riquíssima do evento, tanto pela programação e também pelas cultura e história da cidade que o sediou  e que venha Goiânia em 2020.



Professor José Mario

Foto: Arquivo pessoal
O SNBU, Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias, foi o primeiro congresso com esta temática que participei. E percebi o quanto sempre temos a pesquisar e aprender com as bibliotecas universitárias. Pesquisas com usuários, aprimoramento do uso dos espaços das bibliotecas universitárias, programas robô de computador que interagem com usuários, estudos e medições nos mais diversos formatos, tudo isto me chamou muito a atenção e me despertou várias ideias. 

Este não é o primeiro congresso/seminário que participo – e espero não ser o último – mas a cada um que vou sempre volto cheio de vontades e ideias para pesquisar e estudar. E é isso que penso ser objetivo principal em participar de eventos como esse: fazer a cabeça funcionar, inovar, produzir, mudar conceitos e acrescentar o máximo de conteúdo que puder em sala de aula. 

Se posso dar um conselho, diria para que todos se programem para participar de, no mínimo, um evento/congresso/seminário durante a graduação, mesmo que você não pense em seguir carreira acadêmica. Vale muita a pena, faz a gente pensar fora da caixinha e trocar muitas experiências. 

Ah! E o SNBU 2020 já está definido: será em Goiânia, estado de Goiás. Bora pensar em participar e, por que não, apresentar algum trabalho? Eu vou. E você?



O segundo trabalho apresentado no dia foi o TCC da Daniele Maria de Souza: O bibliotecário intraempreendedor: um panorama de ações que proporcionam crescimento e visibilidade ao profissional. Ele contou com a parceria com a Aldenira Souza e a orientadora das duas Valéria Valls, que foi à Salvador falar do projeto.

Veja o relato da professora:



Professora Valéria Valls
Mais uma vez o curso de Biblioteconomia da FESPSP participou do SNBU (https://snbu2018.ufba.br/​). Esse ano a comitiva foi formada por mim, pelo Prof. José Mário e pelo nosso colega Gabriel Justino, recém formado em Biblio.

Foto: Arquivo pessoal

O SNBU é um evento muito qualificado e sempre é uma excelente oportunidade para rever colegas, conhecer novas pessoas na nossa área e ter acesso a pesquisas e a conferências que ampliam nossa visão sobre a Biblioteconomia do mundo real, como eu costumo dizer.

O SNBU, embora seja um evento com foco profissional, abre espaço para a divulgação de trabalhos originados de pesquisa, no nosso caso, apresentamos três trabalhos originados de TCC´s recém defendidos, o que é ótimo, tanto para demonstrar o que o nosso curso vem pesquisado como para dar visibilidade para os jovens bibliotecários da FESPSP.

Sobre o que vimos, um dos focos desse ano foi a inovação. Uma das frases que ouvi e que inspirou muito foi: menos coleção, mais conexão.

É claro que as bibliotecas universitárias não devem negligenciar seus acervos, mas a cada dia a BU vem se tornando um espaço de aprendizagem, muito ligado às Unidades de Ensino, e essa ampliação é muito importante para que elas possam manter o seu importante papel dentro do ambiente acadêmico.

Numa das minhas apresentações (quando representei o Nicolino), eu disse que os bibliotecários universitários tinham que sair das bibliotecas e buscar novos espaços dentro das IES´s, que também estão se ressignificando e precisando muito de inovação e melhoria em seus processos, ou seja, o bibliotecário pode e deve ampliar sua atuação, mantendo o tradicional mas buscando novos espaços.

Concluindo, o Brasil é muito grande, ver apresentações do Norte, Nordeste, Sul, enfim, ver os colegas de várias cidades contando suas experiências ou divulgando suas pesquisas é muito importante para conhecer mais a área e especialmente para nós, professores, é super importante para ampliar o "saco de causos", ou seja, para conhecer e ter novas histórias para contar.

Falando em histórias, deixo aqui uma experiência muito legal que conheci no SNBU:
Post publicado na minha fanpage do Facebook no dia 18/04/18:
#SNBU2018: Inovação no serviço de referência, uso de ChatBot: ontem conheci a Bia da PUC-Rio, uma linda corujinha que está apoiando o atendimento da biblioteca (http://www.dbd.puc-rio.br/wordpress/?p=8885). Por coincidência, no JN foi divulgada uma matéria a respeito (https://globoplay.globo.com/v/6670674/programa/).

Meu próximo sonho acadêmico: orientar um TCC sobre ChatBot aplicado a biblioteca #Ficaadica

Uma dica que deixo aos alunos: assim que se formar, se organize financeiramente e reserve um recurso para participar dos eventos da área. É um investimento. A viagem sempre é algo bem legal, mas a experiência de ver a nossa área via um evento nacional é muito legal. Em 2019 teremos o CBBD (cidade ainda não definida) e em 2020 nova edição do SNBU (em Goiânia). #Ficaadica

Para assistir a alguns videos (feitos pelo professor José Mario) da participação da FESPSP no XX SNBU acesse os links abaixo:

https://drive.google.com/open?id=1QfAerhLiOyHTSf0hm9e0lQYq85pYBkYV
https://drive.google.com/open?id=1nF49eQWC80IFDdTR0SgOPG6BFfsLiapM
https://drive.google.com/open?id=1E_PcEqgMEBiFjovD-vlEhwjEqr-jihFh



terça-feira, abril 24, 2018

Coluna: Garimpando na Rede. - Por Camilla Hatzlhoffer

Mais um Garimpando no ar!

E neste mês temos mais algumas dicas de rotina de estudos (ótimas para nós, universitários), 5 TED Talks super interessantes para assistir e, para quem entrou na onda do Bullet Journal (eu já estou fazendo o meu e está sendo ótimo) separei um link que mostra canais do Youtube sobre esta nova prática de organização.

Espero que gostem!!





Fonte: Buzzfeed
Eu sempre busco dicas de como deixar minha escrivaninha de estudos um ambiente gostoso de ficar. Achei este link com dicas de como fazer isso e resolvi compartilhar. 




Foto: https://www.instagram.com/amandarachdoodles/

Eu sei, eu sei... já falei demais sobre Bullet Jornal por aqui, mas tem tanta coisa legal sobre isso que eu não consigo deixar de compartilhar. O link acima mostra canais que ensinam como fazer e preencher o seu BoJo. Só amor!




Fonte: Indiretas do Bem

Neste último ano de faculdade, eu coloquei o objetivo de criar uma rotina saudável de estudos. E, por isso, busquei dicas de como eu poderia colocar isso em prática. No Indiretas do Bem, achei este link com dicas simples, mas que podem fazer diferença no dia a dia. 




Fonte: Indiretas do Bem
TED Talks: quem nunca parou para assistir um?
Acima, 5 palestrinhas bem legais para assistir! 




Fonte: Google Imagens
Já faz um tempinho que a série foi lançada na Netflix, mas mesmo assim continua sendo um assunto importante a se tratar: o autismo.
Na matéria acima, podemos entender um pouco mais de como este tópico é tratado na série. Para quem não assistiu ou não conhecia a série, fica aí a dica!



E aí, gostaram dos links desse mês? Espero que sim!
Nos vemos no mês que vem, no próximo Garimpando! 

quarta-feira, abril 18, 2018

Coluna: Era Uma Vez... - Por Gabriel Justino.

O novo conto do Gabriel está um arraso! Vem dar uma olhada!


Conto 14 - Significados

Fonte: Bibliomundi.com


Quando ele se olhou no espelho, não se reconhecia mais. O que acontecera? Se perguntava. Antes tão seguro de si, agora indeciso e buscando resposta nos olhos castanho-claro que o encaravam de volta no espelho.

Edu sempre fora uma criança enérgica, falante que se enturmava fácil com os colegas numa festa de aniversário de um de seus amigos, corria e brincava instantes depois de chegar com as outras crianças, nem parecia que conhecia só o aniversariante.

A infância traz lembranças agradáveis para este jovem menino, que ainda não decidiu sobre o seu futuro, acha que seus 25 anos estão distantes, mesmo faltando pouco mais de 14 anos para chegar a essa idade. Incertezas se abatem sobre o garoto, pequenos fatos que acontecem, o deixam introspectivo, da criança falante à criança calada, e cada vez mais o jovem Edu vai se perdendo num mar de dúvidas e questionamentos que o cercam.


Sexta Feira, 2 de março de 2001 (Aquele dia)

Hoje o meu dia foi muito difícil, eu gostava da Milena, apesar de ser bem diferente de mim. Gostaria de conversar mais com ela, ficar mais próximo dela e quem sabe trocar alguns bilhetes. Tenho que treinar minha escrita também, e por quê não enviando bilhetinhos para a garota que eu gosto? É estranho, ela sempre foi legal comigo, achei que ela pudesse gostar de mim também, por isso, me iludi tão depressa, só que quando revelei que eu gostava dela, ela me dispensou, me via só como um amigo e quando me dei conta já estávamos afastados há quase um ano. Éramos de salas diferentes, mas descobri que ela tinha educação física, então pedi para a professora deixar eu ir ao banheiro, quando desci as escadas e cheguei ao pátio principal, ela estava lá sentada, mexendo em seu celular.

 — Oi, tudo bem com você Mi?
— Oi Eduardo. Tudo sim. – me respondeu ela, sem tirar os olhos do celular.
— Sei que não estamos nos falando muito, mas, gostaria de te perguntar, por que não tem falado comigo e me evitado?
— Olha não tenho tempo para isso. Você é um bobo, chato e idiota. Vê se não me incomoda mais tá bom?!

Eu poderia ter respondido, mas fiquei em choque e de vez ter falado algo, me retirei como um covarde. Virei as costas para ela, com a melhor cara de ofendido e corri de volta para a aula de matemática. Literalmente corri. Que dia ruim, e ao menos nem sei o porquê ela me tratou assim. Acho que foi a primeira vez que entendi o significado da palavra decepção e mágoa.


Segunda-Feira, 26 de março de 2001 (Ainda sinto)

Faz algumas semanas, desde aquele dia que travei, mas vou vivendo um dia após o outro. Afinal, tenho meus amigos para me distrair. Uma nota mental que fiz, nunca me apaixonar sem ser correspondido, mas isso que é o ruim, não mandamos ou controlamos os nossos sentimentos. E ainda, gosto daquela menina, talvez eu tente chamar a atenção dela. Mas como? Comprar roupas novas? Péssima ideia, tenho que ir de uniforme. Talvez posso mudar o penteado, acho que isso daria certo. Vou esperar as férias de verão para mudar, não uma mudança radical, começarei a planejar isso e como farei, mas com certeza valerá a pena. Tenho lá minhas dúvidas, mas no fundo acredito que pode dar certo.


Quinta-Feira, 31 de janeiro de 2002 (Let’s Go)

Sabe o que é engraçado? É que sempre pensamos, na verdade não pensamos, somos induzidos a acreditar que as férias vão fazer certos milagres e que você irá voltar para a escola como o mais descolado dos alunos. Eu acreditava que uma transformação poderia acontecer nas férias de verão e que eu voltaria mudado, a ponto da Milena reparar em mim. Onde eu errei? Exatamente no ponto de ficar apaixonado por ela, esse é o erro. Vida que segue, bola para frente. Voltei com um novo corte de cabelo, coloquei até uma corrente maneira no pescoço, e... nada. Nem um olhar, nem uma palavra, nem um risinho bobo. Acho que na aula de português, poderíamos estudar a palavra frustrado. Porque sinceramente, esse era o meu sentimento naquela volta as aulas, toda uma preparação: vou ao cabelereiro nas férias e mudo o corte de sempre, peço para minha mãe comprar uma corrente, só para quebrar o padrão do uniforme, desisto das calças de moletom e tento me convencer a gostar do jeans e tudo o mais, para simplesmente, ser ignorado. 

E a volta as aulas se sucederam dessa forma, sem novidades, nem mesmo meus amigos repararam nessas pequenas mudanças. Acho que acreditei que minha vida era como aqueles filmes, que a pessoa nerd, volta toda diferente e começa a se tornar popular na escola, mas minha vida não é um filme e tenho que ficar aqui sentado nessa carteira, aprendendo os conceitos de números naturais, sistema de numeração decimal e números racionais. HELP! Mas vamos lá néh, vida que segue. O sinal tocou, hora de ir para casa fazer esses benditos exercícios. 

Os números nos outros anos pareciam ser tão fáceis, por que vieram com esses monstros de pergunta problema? Para tirar nossa paz? Só pode, a pergunta era mais ou menos assim: “Uma pessoa tem 44 anos e a outra, 20 anos. Há quantos a idade da mais velha foi o triplo da idade da mais nova? ”, o que eu entendi: “Uma pessoa tem 44 anos e a outra, 20 anos. Calcule a idade dos pais de Mariana”. Loucura é o que o exercício pede e o que entendemos, mas vida que segue, ainda faltam alguns anos para terminar meus estudos e aguentar todas essas coisas de ensino fundamental e também do médio. Acho que a palavra do dia é dificuldade, porque era isso que estava tendo com a matéria e para me entrosar com meus colegas.


Quarta-feira, 21 de agosto de 2002 (Sem voz)

Precisávamos ler trechos de um livro na frente da sala, tínhamos que ficar de pé, era normal fazer isso, mas quando a voz dos outros começa a mudar, e só a sua não, é complicado. O problema aqui não era a leitura, até porque, modéstia à parte, eu sempre lia bem. Mas algo mudou a partir desta quarta, assim que pronunciei as primeiras palavras, ouvi as risadinhas e a forma como caçoavam de mim, isso tudo, porque ainda não tinha desenvolvido um tom grave de voz. Creio que a parte difícil hoje, foi ter que lidar com isso, eu não sabia como aguentar aquelas gozações, era difícil e o que eu poderia fazer? Jurei para mim mesmo, que a partir de hoje, evitarei ao máximo ler ou me manifestar sobre algum assunto. É melhor assim, pois dessa maneira, não serei tachado de algo que não sou. As palavras que poderíamos aprender na aula de hoje seriam duas: cruel e empatia.

Cruel porque as pessoas são assim, gostam de causar dor aos outros, por simplesmente se sentirem bem ou se sentirem superiores aos outros, ao contrário da empatia, porque aqueles que são empáticos, conseguem se colocar no lugar do outro, entendendo-o da melhor maneira possível, compreendendo o sofrimento que pode causar ao outro...

Pobre menino, sou uma mera espectadora do seu sofrimento e de como uma doce e falante criança, começou a se trancar em seu próprio mundo e foi perdendo o brilho da vida, sendo erroneamente induzido a se fechar em si mesmo. Por que o Homem tem que ser tão cruel com seus próprios semelhantes? Por que falamos de paz enquanto criamos a guerra? Por que queremos amor se desprezamos ao próximo? Por que queremos ser livres de julgamentos quando adoramos representar o papel de juiz? Talvez o Edu, encontre a si mesmo um dia, as vezes fico refletindo tudo que ele passou com tão pouca idade, mas a vida é assim, não é? Não deveria, mas infelizmente é assim. Espero que nos próximos capítulos, eu possa ler que ele se tornou um adulto maravilhoso, que conseguiu sobreviver a essas agressões e finalmente se permitiu falar com os outros sem temer os julgamentos que viriam.

Abraços fraternos de uma mera narradora que espera te encontrar e contar a sua história um dia.
Com amor T.


MC Traduções: Por que o futuro das bibliotecas do Reino Unido está na “conexão”, não na “coleção”. Por Marina Chagas

Por que o futuro das bibliotecas do Reino Unido está na “conexão”, não na “coleção”
Por: Louise Rhind-Tutt.  12 de Setembro de 2017
Tradução por: Marina Chagas.
Link original:  https://inews.co.uk/culture/books/future-uk-libraries-connection-not-collection/

A Biblioteca de Birmingham é a biblioteca mais movimentada do Reino Unido (Foto: Will Oliver/AFP/Getty Images)
  
Duzentos e cinquenta milhões de visitas foram feitas à bibliotecas públicas na Grã-Bretanha no ano passado - mais do que passeios ao cinema e teatro, excursões às dez principais atrações turísticas do Reino Unido, e idas a shows de música ao vivo combinados.

Longe de acabar nesta era da tecnologia, as bibliotecas estão se fortalecendo - mas tiveram que se adaptar para se manterem relevantes.

“As bibliotecas estão se tornando cada vez mais centros de aprendizado, descoberta e cultura para suas comunidades”, afirma Mark Taylor, diretor de relações externas do CILIP, a Associação de Bibliotecas e Informações (Library and Information Association).

Não mais somente um espaço silencioso para ler ou emprestar livros, as bibliotecas inovadoras do Reino Unido estão progressivamente começando a oferecer uma gama surpreendente de atividades, desde ensinar a programar, assar, tocar bateria, criar um negócio, assistir a um filme ou ir a um show.


O silêncio não é mais ouro

A nova flexibilidade dos espaços de biblioteca significa que os jovens (entre 15 e 24 anos) têm mais probabilidade de usar bibliotecas do que os maiores de 55 anos nas Ilhas Britânicas.

Aumentar o número de atividades oferecidas nas bibliotecas ajuda-as a se tornarem espaços comunitários mais modernos e inclusivos.

"A Manchester Central Library é uma incrível evolução do prédio da biblioteca original", diz Taylor.

"Eles têm uma forte coleção de músicas, e você pode praticar piano, bateria, guitarra, ou ir à mesa de mixagem."

A Central Library transformada (a segunda maior biblioteca pública do Reino Unido que possui uma estrutura neoclássica impressionante) visa atrair dois milhões de visitantes por ano.

Ali, a Media Lounge (Espaço de Mídia) é equipada com computadores Apple, todos com software criativo instalado para futuros cineastas, designers e jogadores.


Instagram:@greg.kubas em 27 ago de 2017.

A biblioteca também abriga a primeira North West BFI Mediatheque (Mediateca do British Film Institute), onde os visitantes podem desfrutar de filmes e programas de TV gratuitamente, incluindo uma coleção especial dedicada a Manchester.

A Business Library - um dos seis únicos Centros de Negócios e Propriedade Intelectual da Inglaterra - é um lugar onde inventores e empreendedores iniciantes podem acessar informações e apoio individual de consultores de negócios e advogados.

"Eles também têm um programa cultural de sessões de microfone aberto, palestras e shows, produzidos com artistas locais", diz Taylor.

"E você pode até se casar na biblioteca."



A biblioteca mais movimentada do Reino Unido

A pouco menos de 90 quilômetros ao sul de Manchester fica a Biblioteca de Birmingham.

É a mais movimentada do Reino Unido, e recebeu 1,6 milhão de visitas em 2016.

Instagram: @libraryofbham em 15 de set de 2013

“Eles fornecem suporte para empresas iniciantes, têm uma enorme coleção de músicas e filmes e organizam sessões para escolas e crianças, como clubes de tecnologia, hora da histórias e atividades de artesanato”, diz Taylor.


Se você está iniciando uma empresa ou procurando emprego, pode obter ajuda com seu currículo, aconselhamento jurídico e orientação sobre propriedade intelectual na biblioteca.
Tudo parece bom demais para ser verdade - e talvez seja.

David Lindley, diretor executivo da Designing Libraries (o centro para design e inovação de bibliotecas), acredita que a Biblioteca de Birmingham é “um conceito interessante e inovador arquitetonicamente”, mas preocupa-se com “os custos de funcionamento de uma instalação de múltiplos níveis e subseqüentes horas de abertura prejudicaram seu sucesso inicial ”.


Tendências internacionais e a importância do design


Lindley acha que a reformulação das bibliotecas está acontecendo lenta mas progressivamente, e que o Reino Unido deve procurar mais exemplos internacionais de inovação em bibliotecas.

"As tendências, francamente, estão sendo definidas em outros lugares - no Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Finlândia e Dinamarca", explica ele.

Gemma John (que escreveu o relatório de 2016, Designing Libraries in the 21st Century: Lessons for the UK), sugere que, enquanto as bibliotecas públicas em todo o mundo enfrentam um futuro incerto, elas estão evoluindo para se tornarem lugares de “conexão, não de coleção”.

“O design é uma maneira importante de provocar essa mudança”, diz John.



A Victoria State University, em Melbourne, organiza workshops regulares e eventos comunitários, além de fornecer livros e espaços de estudo (Foto: Shutterstock) 

“Arquitetos e designers de interiores terão um papel fundamental na transformação de bibliotecas públicas, de um depósito de livros para um espaço de reunião.”

Lindley argumenta que a chave é "criar espaços interativos, colaborativos e participativos para as pessoas se unirem e trabalharem juntas, aprenderem juntas e acessarem uma variedade de materiais e recursos - não apenas livros emprestados".



Definindo o padrão para bibliotecas futuras

De acordo com Taylor, o Storyhouse em Chester (um cinema, teatro, centro de artes e biblioteca em um prédio remodelado de Odeon) é um bom exemplo de como as bibliotecas britânicas estão mostrando inovação, assim como o The Hive in Worcester, inaugurado em 2012.

“O Hive é a primeira biblioteca pública e universitária da Europa”, explica Taylor.

“Eles organizam muitos eventos para a comunidade, como apresentações de música, competições de panificação, sessões de contação de histórias e colocam um foco nos arquivos e na história locais.”

Para Lindley, a nova biblioteca mais interessante e inovadora é a The Word in South Shields, que oferece um café, área de varejo, zona de jogos, cibercafé  e várias experiências interativas e prática



Aqueles que trabalham em bibliotecas acreditam que a The Word in South Shields é o exemplo perfeito de uma biblioteca modernizada (Foto: The Word/Facebook)

Dentro da bibliotea, o 'StoryWorld' oferece uma experiência de narrativa imersiva com projeções sonoras e visuais.

O 'FabLab' é um espaço criativo para crianças, jovens e adultos, com acesso a impressoras 3D, além de cortadores de vinil e laser. Uma parede de mídia digital também oferece atividades criativas, desde a criação de um quadrinho até a ilustração de um livro de histórias.


“O Word faz parte de um projeto enorme de renovação cívica e acredito que irá - ou deveria - estabelecer o padrão para novas bibliotecas no futuro”, diz Lindley.