quarta-feira, maio 02, 2018

MC Traduções: Como as Bibliotecas Estão se Reinventando para Combater as Fake News. - Por Marina Chagas.

Nossa nova tradução foi indicada pela professora Valéria Valls e mostra o papel do bibliotecário para combater esse mal que está por todos os lados: as fake news.

Como as Bibliotecas Estão se Reinventando para Combater as Fake News
Tradução de: Marina Chagas


Foto: Shutterstock





Quando eu estava na quinta série, a bibliotecária da minha escola viu minha paixão por tecnologia e me incentivou a participar de um concurso de programação que envolvia todo o distrito. Contra todas as probabilidades, levei para casa o maior prêmio, um computador pessoal Apple IIc - um luxo inacreditável para uma criança em meados dos anos 80. Foi um ponto de virada para mim e o começo de um amor de toda a vida para com a tecnologia, tudo decorrente desse encorajamento da minha bibliotecária.

10 de abril marca o National Library Workers Day (Dia Nacional do Bibliotecário), um feriado reservado durante a National Library Week (Semana Nacional da Biblioteca) para reconhecer pessoas como meu bibliotecário do ensino fundamental, o Sr. Adamson. Eu sei o que você está pensando - em uma época em que você pode procurar qualquer coisa no Google, os bibliotecários são tão úteis quanto os telefones públicos, aparelhos de fax e as enciclopédias? Um artigo recente no USA Today chegou ao ponto de afirmar que os bibliotecários estarão extintos até 2030. Espero sinceramente que não.

A realidade é que ser bibliotecário vai muito além de checar livros. Uma das partes mais importantes do trabalho é ensinar a alfabetização informacional. A American Library Association define a competência informacional como a capacidade de “localizar, avaliar e usar efetivamente as informações necessárias”. Sim, isso parece seco. Mas na era atual de fake news (notícias falsas), saber onde procurar dados confiáveis - e ser capaz de distinguir entre fontes objetivas e tendenciosas - pode ser apenas uma das habilidades mais importantes do nosso tempo. Uma habilidade que está muito em falta.

O alto preço da sobrecarga de informação

A revolução online dos últimos 20 anos tornou nossas vidas melhores de inúmeras maneiras. Mas nos inundou com informações como nunca antes. Somos inundados de notícias e comentários toda vez que olhamos para nossos telefones, muitos que são alicerçado por algoritmos para confirmar nossas pré-concepções. Sem uma estrutura crítica para avaliar a confiabilidade de todas essas informações e para avaliar sua agenda subjacente, é fácil ficar desorientado e chegar a conclusões equivocadas e até perigosas.

Estou ciente disso acontecendo no mundo das mídias sociais. A maioria dos adultos dos EUA agora recebe suas notícias em tempo real a partir de feeds de mídia social, de acordo com o The Pew Research Center. O desafio é, claro, é que estes sejam espaços não passam por nenhuma curadoria. Não há um "segurança" no Facebook nem no Twitter examinando o que aparece em seu feed de notícias buscando notícias com precisão ou objetividade. O que você vê é ditado em grande parte pelo que suas conexões clicaram e engajaram ou com quem pagou para colocar um anúncio em seu stream. E o mesmo está acontecendo com a mídia televisiva e jornalística, muitos dos quais abandonaram suas plataformas antes objetivas para apoiar seu próprio preconceito.

Na ausência de um olhar crítico, as fake news podem prosperar. E as consequências são muito reais. Durante o ciclo eleitoral dos EUA em 2016, especialistas russos espalharam histórias tendenciosas e claramente falsas através de centenas de contas nas mídias sociais, tudo em um esforço para minar o processo democrático. De diversas maneiras, eles conseguiram. E é improvável que isso seja um incidente isolado. O uso de bots, trolls e anúncios pagos para divulgar deliberadamente a desinformação se tornou uma nova realidade.

Lutando contra a alfabetização informacional

Parte de nossa resposta a esse desafio tem que ser tecnológica - algoritmos mais robustos e ferramentas mais inteligentes para detectar manipulação. Parte da responsabilidade recai sobre as próprias redes sociais para melhor policiar seus conteúdos, parceiros e anunciantes. Mas, por enquanto e no futuro próximo, a solução desse problema depende, em grande parte, do aprimoramento de nosso próprio conhecimento de mídia. E é aí que a discussão se volta para os bibliotecários e o papel da alfabetização informacional.

Até o momento, algumas das melhores respostas de base à maré de notícias falsas e enganosas vieram da comunidade de bibliotecas. A Federação Internacional de Associações e Instituições de Bibliotecas criou um infográfico prático “Como identificar notícias falsas”, que foi traduzido para 37 idiomas e usado em todo o mundo. Bibliotecários da Indiana University East desenvolveram um site interativo de notícias falsas, completo com dicas sobre checagem de fatos e uma desconstrução de um artigo sobre “terra oca”. Em webinars e plataformas de slides, os bibliotecários estão lutando contra a desinformação.

Nos próximos anos, não é difícil ver o papel do bibliotecário evoluindo ainda mais. O que é necessário - mais do que apenas um panfleto ou um conjunto de diretrizes - é um esforço contínuo e abrangente para treinar uma nova geração de alfabetização midiática e informacional para a era da mídia social. Isso não é apenas "bom de se ter". É uma necessidade urgente e contínua - algo que deve ser integrado aos currículos das escolas primárias e secundárias em todos os lugares. E os bibliotecários - além de encorajar e inspirar a próxima geração de empreendedores e líderes - podem estar na vanguarda dessa acusação.

De certa forma, é difícil imaginar uma ligação mais importante no momento. Eu terminarei com uma estatística que é deprimente e necessária para que uma ação seja tomada. Um estudo recente do Stanford History Education Group, da Universidade de Stanford, analisou 7.000 respostas de estudantes universitários, do ensino fundamental e médio a perguntas sobre informações on-line. A conclusão do estudo: “No geral, a capacidade dos jovens de raciocinar sobre as informações na Internet pode ser resumida em uma palavra: sombria.” Menos de 20% dos alunos do ensino médio conseguiram distinguir entre “conteúdo patrocinado” e uma notícia real - e muito menos avaliar o preconceito subjacente.

Por volta de 1800, a biblioteca pública era considerada uma força vital para o fortalecimento da democracia. Hoje, os bibliotecários estão preparados para desempenhar um papel não menos crítico - ajudar os líderes de amanhã a navegar em um mar de informações cada vez mais amplo, discernindo a dura verdade de mentiras convincentes. Esta é uma vocação que vale a pena comemorar e lutar. Para todos os bibliotecários, e para o Sr. Adamson em particular, um Feliz National Library Workers Day.

Ryan Holmes é fundador e CEO da Hootsuite.

3 comentários:

  1. Parabéns pelo artigo Marina. Gostei muito!

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  2. Não seria lutando PELA a alfabetização informacional e não lutando CONTRA?

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