quarta-feira, novembro 28, 2018

Aconteceu na FaBCI - PEC- Biblioteca escolar? E agora? Senta que lá vem história... - Por Tauane Lima.

O PEC da Regina Garcia Brito agitou os participante no dia 06/11. A Tauane Lima fez a cobertura do evento para nós!


PEC- Biblioteca escolar? E agora? Senta que lá vem história... com: Regina Garcia Brito


Fonte: Arquivo Pessoal


Vou começar dizendo que a PEC da Regina foi o MÁXIMOOOOO!
Eu já cheguei na sala me apaixonando pelas coisas que ela tinha levado para apresentar, olha só:

Fonte: Arquivo Pessoal


Ela se apresentou e pediu para que nós a acompanhasse fazendo barulhos mas na verdade era um mantra pra ela relaxar e nós também (risos). Começou contando uma história e usando os bichinhos que tinha levado a história foi Qual o Sabor da Lua ?- Grejniec,Michael e foi incrível menos a parte de ter que ficar lembrando qual animal vinha depois do outro, desculpa Regina, minha memória é péssima.

Depois disso, ela começou a falar um pouco sobre a trajetória dela e como foi encarar uma biblioteca hibrida (pública e escolar) e o aprender a trabalhar com crianças. Ainda bem que ela gostou ♥

Fonte: Arquivo Pessoal
 olha os bichinhos depois da História ♥ que coisa fofa



Ela mencionou os projetos que a biblioteca promove, anotei alguns deles que achei muito interesante: 
• Bebê também Lê é um projeto para crianças de 0-3; 
• Hora da História para alunos do EMEI e EMEF; 
• Pintando o 7 esse eu achei genial e;
• Se Joga! Criação de Histórias, esse também ganhou um espacinho no meu coração.

 Adoro quando o palestrante indica livros, gente, como eu adoro! E pra quem pretende trabalhar com o público infantil vou deixar registrado aqui os livros que a Regina indicou e que segundo ela, a ajudaram bastante. Técnicas de Contar História da Vania Dohme e Contar Histórias: a arte de brincar com as palavras do Fabiano Moraes.


Eu amei essa PEC e me tornei uma fã, lógico que eu já fui adiciona-la no Facebook para quando eu tiver alguma dúvida ou simplesmente enaltecer o trabalho dela ♥



A Regina disponibilizou para nós o material usado. Para baixá-lo, acesse: https://tinyurl.com/y8fhxuot




A opinião dos colunistas e dos relatos publicados não representam necessariamente a posição da FaBCI da FESPSP, ou de sua Monitoria Científica. A responsabilidade total é do(a) autor(a)do texto.

Exposição Moda & Diversidade

Desde o início de novembro, a exposição Moda & Diversidade, organizada pela FESPSP (em especial a professora Tânia Callegaro) em união com o Museu da Diversidade Sexual, ocupa o saguão da Fundação Escola de Sociologia e Política São Paulo. Eu, Marina Chagas Oliveira, visitei a exposição e escrevi sobre minhas impressões.






A exposição “Moda e Diversidade” lida com a ruptura dos padrões de vestuário e poses de acordo com gênero.

Homens usam vestidos e fazem poses ora delicadas, ora expansivas, mulheres usam ternos e vestidos que refutam a ideia do sensual, fecham a cara em uma verdadeira apropriação de poder. 

Fonte: Arquivo Pessoal
Um casal homoafetivo se abraça sorridente, um senhor indígena com casaco camuflado alude a disparidade entre os combatentes nativos e os colonizadores. 

A moda é diversa pois as pessoas são diversas, a liberdade está aí para ser desfrutada, e a pluralidade individual celebrada. A exposição é uma homenagem ao que sai do tradicional e comemora as singularidades.


Fonte: Arquivo pessoal

Para saber mais sobre a exposição, que vai até o dia 29/11, confira o cartaz abaixo:





A opinião dos colunistas e dos relatos publicados não representam necessariamente a posição da FaBCI da FESPSP, ou de sua Monitoria Científica. A responsabilidade total é do(a) autor(a)do texto.

terça-feira, novembro 27, 2018

#PorqueEscolhiBiblio - Cristiane Mitiko


O nosso amado #PorqueEscolhiBiblio da vez traz a aluna do 6º semestre noturno Cristiane Mitiko Kusomoto, a aluna que mais pegou livros emprestados na Biblioteca da FESPSP durante 2018! Vem ver o motivo dela escolher o curso!



#PorqueEscolhiBiblio


Fonte: Arquivo Pessoal


O meu primeiro contato com uma biblioteca foi no ensino fundamental, antigo ensino primário. Eu tinha 9 anos e estudava em uma escola da rede pública de São Paulo.

A professora que nos recebia infelizmente não era formada em biblioteconomia e coincidentemente foi minha professora no ano seguinte. Ela era, diga-se de passagem, uma pessoa e profissional maravilhosa.

A biblioteca era um dos lugares que eu mais gostava da escola. O ambiente, os livros, tudo era fascinante. Ficava toda feliz em fazer empréstimos dos livrinhos disponíveis para nós, e ficava pensando como poderia um dia trabalhar ali.

Bem, continuei meus estudos na rede pública até o ensino médio. Comecei a trabalhar na recepção de um prédio comercial e fiquei ali por cerca de um ano e meio, depois fui transferida para uma outra companhia no mesmo prédio.

Neste período comecei o antigo curso técnico em Biblioteconomia no Senac, porém fui transferida de departamento e meus horários ficaram confusos. Resultado: não terminei o curso, mas sabia que em algum momento iria retornar.

Neste mesmo ano comecei a fazer cursos mais curtos para me especializar na área que eu estava. Depois disso, mudei novamente de área e comecei a graduação em Relações Internacionais. Aliás, gostei muito do curso. Me formei, e neste período estava na área administrativo financeira.

Fiquei mais de dez anos na mesma empresa, passei por algumas áreas diferentes, porém todas no mesmo grupo.

Nesta mesma época, comecei a fazer alguns cursos nas áreas de biblio e gestão de documentos. Foi quando me dei conta que deveria retomar meu desejo antigo e que tinha deixado para trás: estudar biblioteconomia.

Em 2016, iniciei a graduação de Biblioteconomia e Ciência da Informação, e em 2017 comecei o estágio na biblioteca da instituição. Adorei o estágio e tive certeza que havia feito a escolha certa.

Fiquei até este ano (2018), quando participei de um processo para uma vaga em uma biblioteca universitária, especializada na área do direito e fui admitida.

Fiquei muito tempo para mudar de vez e retomar para uma área que sempre tive admiração. Quando aconteceu, foram muitas mudanças e de forma muito rápida.

Por que escolhi biblio?

Escolhi biblio porque sempre acreditei no poder do conhecimento, da cultura e da educação e tudo isso encontrei nesta área maravilhosa.

Hoje só me arrependo de não ter vindo antes para biblio. É um longo caminho que como profissionais temos que percorrer, mas com certeza é gratificante e com oportunidades infinitas.

Sinto-me orgulhosa que em um futuro próximo, vou poder dizer que sou bibliotecária! 

quarta-feira, novembro 21, 2018

MC Traduções: A nova biblioteconomia: como a transformação é necessária para sustentar nossas comunidades - Por: Marina Chagas

A nova biblioteconomia: como a transformação é necessária para sustentar nossas comunidades


24 de outubro de 2018   por   rdlankes
Tradução por: Marina Chagas Oliveira

 “A nova biblioteconomia: como a transformação é necessária para sustentar nossas comunidades”. 13º Congresso Nacional de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas. Portugal. (via videoconferência)


Fonte: Lankes (2018).


Abstract:   As bibliotecas existem, de uma forma ou de outra, há mais de 4.000 anos. Elas o têm feito não por serem as mesmas, mas porque mudam constantemente para atender às novas e emergentes necessidades das comunidades que servem. As bibliotecas e os bibliotecários que as constroem e mantêm, adotaram novos serviços, tecnologias e visões de mundo para cumprir sua missão básica de melhorar a sociedade por meio da criação de comunidades mais inteligentes. Onde antes as bibliotecas eram para as elites, ou para uma porção restrita da sociedade, hoje elas abrangem a sociedade desde o nascimento até a velhice - da escola ao trabalho.

Esta palestra estabelece a fundação de uma nova biblioteconomia fundada em conhecimento e comunidades. Estabelece uma crescente escola global de conhecimento, que está transformando o núcleo da biblioteconomia, não como uma rejeição do passado, mas como o processo pelo qual toda profissão viva passa: servir as comunidades de hoje. Servir comunidades que enfrentam o crescente populismo, discórdia política, migração humana maciça, disparidades salariais, ruptura tecnológica e muito mais. O que o mundo precisa agora não é apenas um novo serviço, mas de bibliotecários preparados para servir toda a sociedade como seus defensores.



Senhoras e senhores, peço desculpas por não poder estar presente. Eu estou atualmente passando por um transplante de medula óssea para tratar o câncer recorrente. No entanto, os organizadores tiveram a gentileza de me permitir falar com você através deste vídeo. Também peço desculpas por ler um roteiro, mas minha esperança é que, ao disponibilizar a transcrição com a palestra, ela possa superar algumas das minhas limitações com os idiomas.
O câncer é uma doença horrível que tem muitos efeitos sobre os pacientes e aqueles que os rodeiam. Para mim, receio, um dos efeitos colaterais é uma clara perda de paciência e sutileza. Por isso, peço desculpas se minhas observações forem um pouco diretas e, por vezes, sem detalhes. No entanto, minha principal tarefa para o congresso, creio eu, é desencadear conversas.
Então deixe-me começar com isto: é hora dos bibliotecários adotarem a mudança transformacional na maneira como trabalham e nas bibliotecas que constroem. Precisamos fazer essa mudança não para mantermos nossos empregos ou preservarmos nosso lugar em nossa cultura. Precisamos fazer essa mudança porque muitas das comunidades que servimos estão sofrendo e somos uma das últimas instituições que podem ajudá-los. 

Em uma época de crescente polarização política, perda de verdades comuns da comunidade e, francamente, com a erosão de conceitos como um bem comum, os bibliotecários devem defender a equidade, a inclusão, a diversidade e o bem de todos os membros da comunidade.
Precisamos fazer uma mudança transformadora na maneira como estruturamos nosso trabalho, os serviços que oferecemos e, em última análise, o prisma sob o qual definimos nossas ações. No entanto, longe de ser uma substituição de nossa missão principal, essa transformação é uma nova abrangência e reinterpretação de nossa missão e valores centrais que evoluíram ao longo de milênios.
Nós bibliotecários estamos em uma missão. Não é uma missão de materiais, mas uma missão de comunidade. Não é uma missão de edifícios ou esquemas ou estruturas organizacionais, ou de melhores práticas, mas uma missão para dar sentido às vidas daqueles a quem servimos, e de tornar nossas comunidades mais informadas e mais inteligentes em suas decisões.
Estamos vendo um ressurgimento da biblioteconomia em todo o mundo à medida que novas populações descobrem nossa missão sem nostalgia. Estamos vendo um ressurgimento da biblioteconomia porque as pessoas percebem que, em uma busca pelo poder político ou dados de participação de mercado, a informação tornou-se arma, a privacidade foi mercantilizada e o diálogo comunitário foi reduzido para bolhas de pensadores de mesmo raciocínio.
Neste trabalho, não somos santos. Através da adoção de filtros, portais e a abdicação de valores básicos para a modernização, as bibliotecas, por vezes, têm sido comparsas para os problemas da sociedade atual. No entanto, através do nosso compromisso com a nossa missão e valores e, assim, transformar nossas operações e ações, mais uma vez temos a oportunidade de trabalhar em direção a uma sociedade mais completa e compassiva. Um progresso mais humano que coloca os direitos e o valor dos membros da comunidade acima de seu patrimônio líquido, hábitos de voto ou meios de ajuda.
Em todo o mundo, as bibliotecas adotaram uma missão informacional e, ao fazê-lo, fecharam os olhos para um conjunto de valores que não atendiam os nosso. Tudo em uma tentativa de ser relevante para os padrões dos outros. Adotamos tecnologias que, à primeira vista, fortalecem nossas comunidades, sejam essas comunidades, cidades, universidades ou empresas. Achamos que ensinar as pessoas a usar Twitter e Facebook aproximaria as pessoas e, no entanto, não ensinávamos os perigos da privacidade. Além disso, quando nos associamos a grandes provedores de pesquisa, percebemos que, ao promover um maior acesso, criamos grandes jardins murados que veem os membros da nossa comunidade como consumidores e fontes de dados. Fomos rápidos demais para compactar humanos em usuários, e pessoas em fontes de informação.
Em nossas universidades, barganhamos para que os acadêmicos tivessem acesso a artigos, e ao mesmo tempo alimentamos um sistema que arruinaria universidades. Nossa busca para fornecer acesso, e não para apoiar a criação de conhecimento, isolou cada vez mais os documentos que ajudam a promover o conhecimento humano por trás dos paywalls.
Nossas escolas primárias estão se tornando lugares em que a exploração e o pensamento crítico estão cada vez mais espremidos entre as avaliações mais severas. Procuramos unir os alunos em altos níveis de leitura e transformamos os currículos em dogmas.
Na esfera pública, temos visto o design do usuário e a user experience (experiência do usuário) substituir os conceitos de centros de aprendizagem e espaços comunitários de diálogo rigoroso e desconfortável. Uma biblioteca deve ser sempre um lugar seguro para explorar ideias perigosas. Pergunte a si mesmo quantas grandes ideias perigosas e destruidoras do mundo você gerou versus o quão perigosa sua biblioteca é para minorias, novos imigrantes, analfabetos e marginalizados?
Muitos de nossos parceiros globais ficaram presos no labirinto de Dédalo. Construímos camadas e camadas de associações e comitês para tentar padronizar todas as nossas funções. Temos procurado organizações nacionais e internacionais para definir políticas e, a todo custo, evitamos assuntos políticos, ou de alguma forma tendenciosos em nosso trabalho.
Eu estou aqui para lhe dizer: se você é um ser humano, e se você procura melhorar a vida dos seres humanos, você não é neutro. Se você acredita em fomentar a aprendizagem, você não é neutro. Se você acredita que o melhor aprendizado vem das mais diversas fontes, você não é neutro. Se você acredita que as bibliotecas podem tirar pessoas, comunidades e instituições da pobreza, da ignorância e da irrelevância, então você não é neutro.
Bibliotecários, você e eu, somos agentes de mudança social positiva. Nós não podemos olhar para o crescente ressentimento de imigrantes e minorias e ficarmos quietos. Não podemos olhar para o crescente nacionalismo que coloca lugares de nascimento acima dos direitos humanos e não nos comovermos.
Os bibliotecários eram conselheiros da realeza. Ajudamos a trazer a Europa para fora da idade das trevas. Os bibliotecários avançam com a tecnologia no Leste e ajudam os cientistas a colocar os homens na lua. Bibliotecários médicos estão apoiando a equipe médica que está lutando para salvar minha vida agora, e encontraram novas maneiras de curar doenças, uma vez rotuladas como terminais. Essas bibliotecas não o faziam com edifícios e coleções. Elas fizeram isso com sistemas humanos dedicados ao serviço. Elas o fizeram com bibliotecários que acreditavam em ajudar médicos, artistas, dissidentes, engenheiros, músicos, donas de casa, estudantes e prisioneiros a buscar todo o seu potencial e ir além do que era conhecido nos volumes, muitas vezes trancados atrás de escrivaninhas.
E essa é a hora novamente. Porque embora eu tenha começado com uma ladainha rabugenta sobre nossos pecados, hoje, quando olho para o outro lado do mundo, para Portugal, Brasil, Holanda, Japão e Índia, vejo uma nova biblioteconomia emergindo. Fundada no núcleo da longa história da biblioteconomia, mas não limitada pelos métodos do passado. Quem define uma biblioteca? Um bibliotecário em parceria com sua comunidade. Uma biblioteca tem uma coleção de livros? É isso que uma comunidade precisa para promover suas aspirações? Precisa de um prédio físico? Será uma estrutura um espaço seguro ou necessário para todos?
A base de informações da biblioteconomia está feita. É hora de uma nova escola de pensamento que guia nossas ações e nossas decisões. Não uma baseada na capacidade tecnológica, nem em uma escola de pensamento industrial ainda mais antiga que valorizasse a eficiência em vez da eficácia. Não! Precisamos de uma baseada no conhecimento, uma espécie de humanismo pragmático. Agora é a hora da Escola de Conhecimento do Conhecimento que busca sustentar nossos valores mais queridos e nossa missão central, mas fazer isso com base nas necessidades locais diretas de nossas comunidades.
Então, o que é essa escola de conhecimento? Começa com a nossa missão. A missão dos bibliotecários é melhorar a sociedade facilitando a criação de conhecimento em suas comunidades. Ou, ainda mais simples, procuramos melhorar a vida daqueles a quem servimos ajudando os membros da comunidade a tomar melhores decisões e a encontrar um significado pessoal.
Com esta missão, vem um núcleo de valores desenvolvidos através da prática ao longo dos séculos. Valorizamos a aprendizagem - acreditamos que todos na nossa comunidade têm a capacidade e devem ter a oportunidade de explorar novas ideias, novas narrativas e descobrir uma nova maneira de ver o mundo. Bibliotecas de todos os tipos são organizações que aprendem. Nem todas fazemos palestras e aulas em pé, mas todas apoiamos a consulta. Apoiamos os alunos aprendendo sobre novos lugares, ou mesmo aprendendo sobre si mesmos através da ficção. Apoiamos o advogado que ganha maior domínio da lei para um cliente ou seu próprio conhecimento. Apoiamos médicos que aprendem sobre novos tratamentos, porteiros que aprendem sobre novas oportunidades de trabalho, políticos que obtêm maior compreensão das políticas e todos que buscam se abrir para novas ideias.


Valorizamos a liberdade - acreditamos que a restrição de ideias é a restrição da capacidade humana. Isso não significa que endossamos todas as ideias, nem significa que não fornecemos orientação, mas significa que os indivíduos têm o direito de saber, as instituições devem ser responsáveis ​​e os governos devem ser transparentes àqueles que eles buscam governar. Devemos demonstrar essa transparência em nosso próprio trabalho, estando dispostos a fracassar em público, aprendendo lado a lado com nossas comunidades e sempre desejando admitir quando estamos errados.
E senhoras e senhores, permitam-me dizer-lhes que não digo que devemos modelar a aprendizagem e a transparência abertamente com facilidade. É um trabalho duro. É preciso muita confiança e muita coragem para dizer a um membro da comunidade: "Não sei". É muito mais fácil classificar materiais ou realizar pesquisas em bancos de dados do que demonstrar uma falta de conhecimento com uma pessoa com um amor simultâneo de aprendizagem.
Anos atrás, um grupo de designers e estudiosos instrucionais trabalhava com uma biblioteca para construir um novo espaço de aprendizado. A grande biblioteca da cidade limpou o espaço não utilizado, e deu rédea livre à equipe de pesquisa para projetar uma área de aprendizado interativa para adolescentes. Quando a equipe mostrou as plantas aos bibliotecários, os bibliotecários perguntaram onde estavam os livros? Os estudiosos ficaram confusos. Este espaço foi, afinal, no meio de uma grande biblioteca existente com muitos volumes. O que descobriram foi que os bibliotecários estavam perguntando: "onde estamos?"
Os bibliotecários achavam que sem livros não tinham lugar neste espaço - os livros eram o seu valor. Os estudiosos, por outro lado, viam o valor dos bibliotecários como facilitadores. Eles queriam os bibliotecários em todo o espaço interagindo com os adolescentes, experimentando, apoiando, incentivando. Os bibliotecários precisaram reaprender seu valor, e tiveram que superar o medo de que, sem ferramentas a que estavam acostumados, tivessem que ser o rosto da biblioteca.
Em outra biblioteca, Justin Hoenke comprou uma impressora 3D para o seu espaço para adolescentes. Em vez de montá-la em um escritório e dominá-la antes de permitir que os adolescentes a usassem, ele colocou o contêiner no meio do espaço adolescente. Ele se sentou e começou a tentar descobrir. Quando as pessoas passassem, ele as convidaria para ajudar. Em um ponto ele teve que levar um martelo e cinzel para o monte de plástico recentemente solidificado que formou ao redor de uma parte mal instalada. No final do dia, ele não apenas compartilhou a experiência de aprendizado, como também criou um relacionamento com os que estão no espaço e uma relação de confiança.

Aprender sempre envolve confiança e medo. Há paixão, mas é um lugar vulnerável porque muitas vezes achamos que devemos desistir de ideias que há muito amamos, ou professamos há muito tempo. Ser um aprendiz vitalício é também admitir todos os dias da sua vida que você viveu em algum nível de ignorância. Que o que você achava certo há dez anos hoje mudou. Tudo bem, é assim que crescemos. É por isso que hoje eu estou lutando contra o câncer com a genética em vez de com sanguessugas. Isso não significa que nossas ideias ou nós mesmos não tivessem valor anteriormente, apenas significa que nosso valor continua a crescer como nós. Você não poderia ser a pessoa que é hoje sem a pessoa defeituosa que foi ontem. O único pecado nisso é recusar-se a não admitir a falha e manter a ignorância.


E que outros valores nos são caros como bibliotecários? Acreditamos na liberdade e segurança intelectual. Referimo-nos à ideia de que as bibliotecas devem ser lugares seguros para explorar ideias perigosas. Sabemos que as pessoas não aprenderão a menos que se sintam seguras. Isso é mais do que apenas segurança física, embora para aqueles de nós que gerenciam edifícios, entendemos sobre fornecer segurança física. Isso também é sobre se sentir seguro para explorar ideias. Quantos neste público sentem que o seu local de trabalho é seguro para você? Você pode compartilhar suas ideias malucas ou elas serão abatidas? Você é encorajado a experimentar novos serviços ou a fornecer grandes justificativas e garantias antes de poder usar alguns recursos preciosos?
Agora pense naqueles que andam em suas portas. Vocês oferecem programas de alfabetização? Você percebe que uma biblioteca é provavelmente um dos edifícios mais intimidadores do mundo para alguém que não sabe ler? E quanto aos novos cidadãos? Você oferece sinais em árabe? Inglês? Você constrói espaços para crianças? Quão altas são as suas estantes?
Este é o ponto… como você sabe se os espaços que você constrói são acolhedores ou vistos como seguros para a comunidade que você atende? Você projetou e manteve a biblioteca com a participação dela? Porque se você pode tornar sua biblioteca um espaço de todos onde o a comunidade e os bibliotecários são servidos, coisas incríveis podem acontecer.
Na Dinamarca, há uma biblioteca aberta 24 horas por dia. No entanto, não há funcionários 24 horas. Depois do expediente, as portas simplesmente não estão trancadas. A comunidade ainda pode entrar e usar o espaço, porque eles sabem que são bem-vindos e sabem que devem mantê-lo também. Quando perguntados como eles sabiam que tal plano iria funcionar, os bibliotecários disseram não saber- eles apenas tentaram. No entanto, eu suspeito que antes deles apenas tentarem, eles construíram uma relação de confiança com essa comunidade através de diferentes serviços ao longo dos anos.
Em Pistoia, Itália, a biblioteca serve como a nova praça - ou praça da cidade. Membros da comunidade, desde críticos de cinema até trabalhadores metalúrgicos, organizam eventos e aulas durante a semana para conhecer, ensinar e aprender com seus vizinhos. Em Fayetteville, Nova York, a biblioteca mantém uma sala de costura totalmente administrada por membros da comunidade - os bibliotecários não têm ideia de como costurar.
No Quênia, as bibliotecas são às vezes camelos carregados não só com livros, mas com trajes tribais. No Reino Unido, as bibliotecas fundiram-se com os museus, não só para educar a população atual, mas também para contar a história da cidade aos visitantes e jovens.
Na Nova Zelândia, quando uma nova biblioteca estava sendo construída, a bibliotecária contratou um artista residente para tornar o espaço interior acolhedor. Os artistas colocaram enormes estênceis de árvores ao longo de muros altos. Ela convidou a comunidade a subir no andaime, mergulhar as mãos em tinta misturada com lama do local e fazer uma impressão manual na parede. Quando os andaimes e os estênceis foram removidos, árvores imponentes formadas literalmente pela mão e pelo solo da comunidade cercaram o público.
Em Michigan emprestam-se livros, mas também teares e instrumentos musicais. Nas bibliotecas públicas de toda a Europa, os membros da comunidade podem conversar com os vizinhos para aprender sobre outras profissões e culturas.
Já se foram os dias em que uma biblioteca parecia uma biblioteca, não importa onde você fosse. Longe vão os dias em que uma biblioteca é definida, mas o que ela contém. Agora são os dias em que uma biblioteca é definida por você, fazendo seu trabalho com uma comunidade. Isso parece uma praça italiana, ou árvores imponentes, ou impressoras 3D ou um museu? Depende do que você e sua comunidade precisam.
Alguns acharão isso assustador - uma tela em branco onde você deve pintar o auto-retrato de uma comunidade - e ninguém nunca nos ensinou a pintar. Mas outros ainda acham essa ideia excitante, transformadora, outros ainda verão isso como simplesmente o que sempre fizemos.
E assim voltamos brevemente aos nossos dois temas: transformação e sustentabilidade. Vemos que não há uma linha clara entre esses dois. Para alguns, certas ideias de serviços parecerão radicais, para outros lugares comuns. É assim que deve ser, porque as nossas comunidades não são todas iguais e as ideias nunca são distribuídas uniformemente. Pois alguns “espaços criadores” e “salas comunitárias” são simplesmente sustentáveis. Para outros, elas podem parecer transformadoras. É assim que sempre será. No entanto, essa natureza desigual ou transformação me leva ao próximo ponto - a adoção de ideias dentro de uma comunidade nunca deve ser devido à preparação ou coragem insuficiente das bibliotecas que buscam atender a essas comunidades.
Toda profissão constrói mecanismos para se normalizar - para se definir. Por meio de conferências, associações, certificações, currículos, até mesmo declarações de políticas e definições de campos de melhores práticas, buscam manter-se unidos – sustentar-se - à medida que avançam - transformam, ou pelo menos evoluem. Na biblioteconomia, construímos um sistema global que faz todas essas coisas. No entanto, aqui devemos examinar o que precisamos transformar para sustentar a profissão.
Não podemos mais depender de uma rede profissional global que veja apenas instituições e agências primeiro. Uma escola de conhecimento global é, antes de tudo, uma rede de bibliotecários e aliados que buscam avançar em seus serviços nas comunidades. Os principais produtos e serviços desta rede não são padrões e melhores práticas, mas orientação, compartilhamento de experiência e reconhecimento de inovação individual.
A definição de nossa profissão não deve mais ser um conjunto de serviços comuns e características institucionais, mas deve ser a capacidade, a visão de mundo e as conexões dos bibliotecários. Não é mais o papel do bibliotecário combinar com algum padrão de biblioteca arquetípica. O papel do bibliotecário é avaliar as capacidades e a cultura da comunidade, buscar as melhores ideias para servir a comunidade e depois trabalhar com essa comunidade para adaptar novas ideias que impulsionem os sonhos e as aspirações dessa comunidade. Repare que eu disse “adapte”, não “aplique”. O que aparece em Lisboa não deve ser o mesmo em Toronto, embora possam compartilhar muitas ferramentas, teorias e recursos.
Eu fiz parte de muitas conversas sobre como "virar" as bibliotecas. Isto é, como tomar instituições que buscam servir a si mesmas e suas coleções sobre as necessidades em mudança das comunidades que servem. Minha resposta é que você não o faz. Você procura conectar bibliotecários de pensamento avançado. Em vez de tentar transformar todas as bibliotecas, você localiza bibliotecários progressistas através das fronteiras institucionais e nacionais. Você encontra bibliotecários com as melhores ideias e os transforma em mentores. Você encontra bibliotecários ansiosos que se sentem abatidos por atitudes institucionais de inflexibilidade e mostra que não estão sozinhos. Você mostra ótimos bibliotecários, não importando seu status ou as falhas de seus empregadores, que eles são parte de uma escola de conhecimento global que está sustentando os sonhos das comunidades e transformando os membros da comunidade em ativistas para uma sociedade melhor.
Quando olhamos para o outro lado do globo, vemos os fundamentos dessa nova escola de pensamento criando raízes. On-line, vemos o surgimento de grupos do Facebook que conectam bibliotecários com ideias parecidas. Vemos organizações como as Bibliotecas Públicas 2020, líderes de bibliotecas de rede em toda a Europa, para influenciar políticas. A Austrália reúne novos bibliotecários para equipá-los para mudar as organizações.
Temos a pesquisa em biblioteconomia e ciência da informação que analisa além das métricas e valoriza, além do estado dos serviços, a instalação do design thinking. Temos uma visão de mundo emergente que fornece estudos de caso reais de bibliotecários que tornam as comunidades mais inteligentes. Temos novas mensagens emergindo da Escócia e da Dinamarca que dizem que não existe uma Cidade Inteligente sem Cidadãos Inteligentes que entendam como dados e algoritmos podem ser usados ​​para fortalecer ou oprimir. No Brasil e na Índia, os bibliotecários frustrados com modelos de serviço ultrapassados ​​estão construindo bibliotecas pop-up nas praias e nas cidades rurais para educar, e não simplesmente entregar materiais.
Esses grupos se reúnem em conferências e fazem parte de associações, mas não estão limitando a voz à seus membros, nem estão buscando um acordo universal antes da experimentação e do reconhecimento.
Depois de uma palestra anterior, alguém resumiu essas ideias como “pense globalmente, aja localmente”. Sim, em parte. Precisamos agir local e globalmente. Precisamos não apenas garantir que nossas comunidades locais sejam bem atendidas, mas também garantir que nenhum bibliotecário seja deixado sozinho em isolamento.
O que nos torna bibliotecários é nossa missão, nossos valores e nossos meios de serviço. A missão é secular, antes mesmo de haver uma profissão formal. Os valores? Eles surgiram e foram reinterpretados ao longo desses séculos. De fato, hoje vemos um debate construtivo real sobre conceitos de neutralidade, equidade e objetividade. Essas conversas são difíceis e longas e difíceis, como deveriam ser. Os meios de serviço? Estes se alteram regularmente com novas ferramentas, novos ambientes e novas expectativas de nossas comunidades. O que forma a biblioteconomia é uma conversa contínua sobre quem somos e como podemos ajudar, e um rico ecossistema de acadêmicos, profissionais, estudantes, membros da comunidade e aqueles que apoiam as bibliotecas fazendo seu trabalho.
Essa conversa que é nossa profissão não se limita a uma organização ou a um evento, está acontecendo todos os dias. Está acontecendo todos os dias porque somos uma profissão viva que está aprendendo e adaptando, sustentando e transformando todos os dias. Se isso soa exaustivo e não energizante, eu entendo - pode ser, mas não deveria. O que é desgastante é quando, como profissão, não cumprimos nossos valores de aceitar e apoiar a diversidade, e quando não usamos nossas próprias habilidades de facilitação para ter um debate difícil e rancoroso em um nível profissional, não pessoal.
Nós temos que concertar isso, quando vemos para os nossos países e comunidades e vemos a desintegração da civilidade e o respeito pelo outro. Nós devemos ser o modelo para o caminho a seguir, quando vemos a resistência à inclusão e a substituição da razão e da escolaridade pela crença pessoal sobre todos, devemos ser o caminho a seguir.
Eu vejo um futuro brilhante para a biblioteconomia em Portugal e em todo o mundo. Eu vejo muitos de nós em pé. Eu nos vejo reconhecendo nossos pecados passados ​​e abraçando nossas obrigações futuras. Este caminho não será fácil, mas já começou, e já estamos colhendo recompensas. Eu os convido a participar.
Obrigado.


A opinião dos colunistas e dos relatos publicados não representam necessariamente a posição da FaBCI da FESPSP, ou de sua Monitoria Científica. A responsabilidade total é do(a) autor(a)do texto