Uma colega sugeriu que eu escrevesse sobre a biblioteca nesse filme muito famoso, de 1987. É uma história que se passa na Berlim ainda dividida pelo muro, marcada pelo trauma coletivo e pela devastação do pós-guerra, mesmo que tenha se passado tanto tempo. Trata de anjos que circulam entre as pessoas ouvindo seus pensamentos - em alemão, em francês, em inglês, em japonês, em turco. Eles ouvem os pensamentos das pessoas nos vagões de trem, na rua, em suas casas; às vezes são pensamentos felizes, mas na maioria delas, não; claro, há também os artistas e os poetas - esses têm pensamentos diferentes dos outros. São criaturas distintas. Um deles é um velhinho que aparece durante o filme - ele é um narrador das histórias da humanidade, a memória, a reelaboração do trauma. Como o albatroz de Coleridge, é uma criatura estranha na terra, feia, atrapalhada. Se só, como esses anjos, pudéssemos ouvi-lo pensar, saberíamos que ser extraordinário ele é, como voa alto. A biblioteca, nesse filme...