sábado, março 22, 2014

Palestras Semana do Bibliotecário (Noturno)

Cristiane Laudemar e Tanúsia Nascimento, bibliotecárias recém-formadas pela FESPSP, vieram apresentar seus TCCs na terça, dia 11 de março, à noite, em meio às comemorações da semana do Dia do Bibliotecário (12 de março).  As profissionais  conversaram com alunos de todos os semestres sobre as oportunidades que a faculdade oferece, desde de participar de projetos sociais à nos preparar para o mercado de trabalho de maneira consciente e com um cuidado especial com o lado social.
Cristiane Laudemar é bibliotecária formada em 2013 pela FESPSP e continua a fazer história com sua presença e atitude inigualáveis: em sua palestra sobre o “Núcleo Clovis Moura FESPSPRETO”, que ajudou a fundar e coordenou desde então, a “Cris” que enchia os corredores da faculdade com sua alegria e otimismo encantou, novamente, um público atento e curioso.
Cristiane nos contou sobre o surgimento do Núcleo incentivado pelo nosso livreiro Adão, tudo começou como um grupo de estudos que tomou dimensões surpreendentes como a criação da Biblioteca Clovis Moura e a pagina no face muito visitada atualmente, conta com o sistema “Pergamum” para catalogação, mesmo sistema da Biblioteca FESPSP e trabalho voluntário efetuado pelos próprios alunos como um aprendizado e prática da parte técnica, auxiliados pelas professoras das disciplinas correspondentes valendo horas para as atividades complementares.
Com um TCC inédito e de destaque como um dos melhores de 2013, Tanúsia Nascimento conversou com o público apresentando muitos bons argumentos sobre a carência de literatura específica sobre a cultura afro-brasileira entre os pequenos leitores das escolas públicas.“Disseminação da literarura infantil afro-brasileira”, apresentado pela Profª Maria Ignês, representou uma oportunidade de abordar a temática muito pouco conhecida em nosso país e discutir o preconceito, trazer à tona a discriminação, as diferenças sociais que existem em nosso no Brasil, ainda pouco discutidas  por existirem de forma velada.
Tanúsia nos apresentou a questão da literatura infantil afro-brasileira que necessita ser trabalhada nas escolas, em nossa sociedade e em nossos lares, para preparar nossas crianças para as diferenças e proporcionar cidadãos conscientes, diminuindo assim o preconceito e discriminação seja de raça,  credo, gênero...
Temos a Lei 11.645 de 10 de março de 2008, que entrou em vigor no exercício do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-brasileira e Indígena”.

A literatura infantil afro-brasileira é muito pouco difundida, não temos uma identificação com os personagens existentes na literatura em geral, pois não retratam a realidade do povo brasileiro que é composto em sua maioria por negros. Onde e como se encontram os poucos personagens negros que conhecemos?
Essa temática tem que ser falada, pesquisada, abordada para não ficar no esquecimento e para diminuir as sequelas da escravidão negra em nossa sociedade e para que essa parcela da população possa resgatar sua história, sentir orgulho dela e de si mesma.
O trabalho das duas vem ao encontro dessa necessidade e a FESPSP nos brinda nessa semana do Bibliotecário com essas apresentações, que despertou no público presente grande interesse e participação.


Em comemoração ao Dia do Bibliotecário (12 de março), tivemos palestras sobre os TCC's de destaque em 2013 com Denis Maimoni “A sustentabilidade, permacultura e as bibliotecas comunitárias” e Grazielli de M. Silva “Modelo de gestão de Biblioteca comunitária”, complementando com o processo de pesquisa, o papel do orientador, dificuldades enfrentadas e sugestões para os futuros bibliotecários.
Segundo Maimoni, permacultura é um termo que está dentro da sustentabilidade que quer dizer cultura permanente. Agrega vários conceitos de mudança,"design”de agricultura, para fazer algo sustentável de forma que cada elemento do local tenha mais de uma função. Por exemplo, se você faz uma casa ao lado de uma horta, como fosse uma estufa, ela serve de ar condicionado para a casa. Se você fizer na parede, você tem um isolamento acústico e térmico, e além disso você tem outras coisas que podem favorecer, como a compostagem.
Ainda segundo Maimoni, as bibliotecas comunitárias não têm um padrão de infraestrutura, geralmente elas são um lugar improvisado que é criado por iniciativa da comunidade mesmo e que carece daquela informação e daquele espaço para interagir. Elas precisam tanto desse apoio da comunidade, ou de uma empresa ou ONG que as adote e ceda livros, ceda o espaço.
Assim o seu trabalho vem para propor opções e ações sustentáveis que respeitem as necessidades da comunidade, da biblioteca, do acervo e a preservação do mesmo.
Profissionais e pesquisadores em Ciência da Informação têm afirmado que a biblioteca comunitária é uma área pouco estudada na Biblioteconomia, e até hoje não existe um modelo de gestão. Nesse sentido, o tema do TCC de Grazielli é uma proposta de modelo de gestão para esse tipo de biblioteca. Essa gestão proposta refere-se não somente aos processos organizacionais desse tipo de biblioteca, mas também à atuação da comunidade e nos processos culturais propostos por ela.
Em seu TCC Grazielli, fez dois estudos de caso demonstrando como a gestão define o sucesso ou insucesso desse tipo de projeto, é importante o acompanhamento posterior periódico para garantir o sucesso, buscar parcerias, doações e a participação da comunidade com o que eles tem a oferecer, propondo que passem seu conhecimento adiante, ensinando uns aos outros, assim sentem-se úteis o que proporciona uma integração e incentiva a participação na biblioteca.
Colocou em prática a teoria de seu TCC, montando uma biblioteca comunitária com campanha entre amigos para arrecadação de livros, contando com ajuda de voluntários para organização e implementação efetiva.
Ambos tem como proposito contribuir com o sucesso das bibliotecas comunitárias de maneira consciente, contribuindo com sugestões e modelos para possível implementação.
Segundo Grazielli é preciso “casar com o orientador” e Denis sugere “ler muito e ter um bom planejamento” ambos ressaltam escolher um tema com que o aluno se identifique, fatores fundamentais para o sucesso do TCC.

Sugestões de leitura infantil:
Bia na África– Ricardo Dregher
Lendas da África – Júlio Emílio Brás
O cabelo de Lelê – Valéria Belém
Tudo bem ser diferente – Todd Parr

Referências:
MOURA, Clovis. Dicionário da Escravidão Negra no Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2004.

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Matéria por Roselene Mariane de Medeiros, aluna do 5º semestre noturno da FaBCI. 

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