segunda-feira, fevereiro 13, 2017

Entrevista com Isabel Ayres, nova docente da FaBCI

Este ano de 2017 começa cheio de novidades na FaBCI, uma delas é a chegada de uma nova professora em seu corpo docente, a Isabel Cristina Ayres da Silva Maringelli, mais uma fespiana que volta a sua origem. Ela irá lecionar a matéria de Representação Descritiva II e de forma muito gentil e simpática cedeu uma entrevista para a MC falando um pouco sobre sua vida, carreira e expectativas pra esta nova fase. Lembrando que em março do ano passado ela já esteve aqui na MC na coluna “Onde estão os Bibliotecários”, por Grazielli de Moraes que vocês podem conferir no link.




Monitoria Científica - Em algumas palavras, apresente aos leitores da MC: "Quem é Isabel Ayres"?  

Isabel Ayres - Sou bibliotecária de formação, trabalhei muitos anos como bibliotecária na área acadêmica, principalmente na área de catalogação. Atuo na área de documentação em arquivos desde 2014. Sou apaixonada por artes visuais, e atuo em um museu de artes visuais, a Pinacoteca de São Paulo, onde tive a oportunidade de reunir essa paixão e minha formação. Sou uma pessoa simples, caseira. Adoro ficar em casa com a família.

Monitoria Científica - Por qual motivo escolheu Biblioteconomia? Foi sua primeira opção?         
                                                                           
Isabel Ayres - Na adolescência que sonhava em ser cantora, artista plástica ou bibliotecária. Mas no fim das contas prestei Administração e Biblioteconomia, e acabei optando pela segunda, pois eu já trabalhava em biblioteca e me identifiquei totalmente com esse universo, pois sempre fui uma leitora voraz, desde muito cedo. Foi a escolha mais acertada aos 18 anos! Não é fácil escolher a carreira sendo tão jovem, e sei que essa dificuldade tem se acentuado com os jovens de hoje. A pressão é alta.

M.C. - Nos conte o seu caminho acadêmico. 
                                                                                                                          
Isabel Ayres - Após terminar o curso de graduação, comecei a me interessar por artes visuais.  Na época em que cursei a graduação tivemos a disciplina de História de Arte, uma das minhas preferidas. Fiz diversos cursos de extensão no MASP, depois acabei ingressando em um MBA focado em gestão cultural, na FGV, local onde eu já atuava profissionalmente. O MBA foi muito importante para ter contato com questões de política e produção cultural no país. Depois desse curso pude ter a experiência de trabalhar com a gestão de alguns projetos culturais, além de ter conhecido amigos incríveis, gente profissional que já atuava na área. Depois de algum tempo ingressei no mestrado e pude me aprofundar na área da Ciência da Informação, que tem tido avanços incríveis não somente no campo teórico mas também no campo prático, relacionado às novas tecnologias.

M.C. - E profissionalmente, qual o trajeto percorrido e o atual? 
                                                                                                     
Isabel Ayres - Entrei na FGV como escriturária, depois fui promovida a auxiliar de biblioteca, e a bibliotecária em 1995. Foi onde aprendi tudo sobre banco de dados. Em 1988 tínhamos o dBase III Plus, que hospedava os primeiros registros da Biblioteca. Em 1995 começamos a trabalhar com o MARC21, e esse assunto era caro à FGV e à Rede Bibliodata, então fizemos muitos cursos, inclusive no RJ. Foi uma experiência enriquecedora trabalhar na área universitária, onde tudo sempre foi dinâmico e atual.

M.C. - Sabemos que é referência na área de museus com a atuação frente à Pinacoteca. Como tem sido esta experiência? Imaginava atuar neste segmento quando optou pela Biblioteconomia?
                    
Isabel Ayres - Depois de 21 anos saí da FGV, e logo ingressei na Pinacoteca. Confesso que sempre desejei trabalhar em museus, e a época da graduação coincidiu com o término do curso de Museologia no Instituto de Museologia da FESPSP. Eu sonhava em me especializar nessa área, mas isso só ocorreu muito tempo depois, sem planejar. De todo modo, ingressar em uma área nova te abre muitas perspectivas. Eu precisei estudar, entender o que é uma biblioteca especializada de museu. E depois assumi os arquivos que trouxeram outros desafios. Nesses quase 9 anos trabalhando em museu, pude adquirir uma visão muito abrangente sobre a documentação dessas três áreas. Aprendo diariamente, e tenho uma equipe que me acompanha em todos os projetos e desafios.

M.C. - Quais suas expectativas ao integrar o corpo docente da FaBCI?
                                                                              
Isabel Ayres - Estou muito feliz por retornar à FaBCI-FESPSP (na minha época era a FBD), como docente. Ser docente é um sonho antigo, nunca planejado, mas concretizado em um momento perfeito para mim, tendo terminado o mestrado. Minha expectativa é poder compartilhar o conhecimento adquirido na prática e na teoria, e criar um ambiente de troca com os alunos. Tenho muita curiosidade em saber as expectativas dos estudantes de Biblioteconomia de hoje. Faz muito tempo que me formei, e fico muito contente de ver como a área tem se profissionalizado, e como a FaBCI cresceu.

M.C. - De acordo com sua visão, qual o panorama atual da Biblioteconomia e desafio futuros?

Isabel Ayres - O panorama da Biblioteconomia é promissor. Tem muitas pessoas assumindo cargos importantes, embora isso ainda tenha que se ampliar. Acredito que os desafios ainda são inúmeros, mas vejo a atitude dos bibliotecários mais enfática no sentido de se assumirem como profissionais competentes e capazes. Na minha época de estudante era mais comum ver profissionais que baixa auto-estima. Penso que para fincar posição no futuro, os profissionais devam se preocupar com uma educação continuada de qualidade, para poderem se colocar no mercado e atuarem também como formadores de opinião. Também acredito no movimento associativo, que precisa ser fortalecido, principalmente em São Paulo, onde não temos associação local. Tem a FEBAB que ocupa esse papel, mas nem sempre os profissionais se engajam o que é uma pena. A união é muito importante para assegurar as conquistas. Os campos para atuação se ampliam continuamente, e precisamos ocupá-los com respeito e inteligência. Atualização sempre!



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