quarta-feira, outubro 17, 2018

Entrevista: A Arte de Ser Bibliotecário e Professor na Biblioteconomia – Por: Sidnei Rodrigues de Andrade

O dia dos professores já passou, mas a Monitoria não podia deixar em branco. O nosso Monitor Voluntário já egresso da FaBCI Sidnei Rodrigues de Andrade preparou uma entrevista super especial com as professoras Adriana Maria de Souza e Maria Cristina Palhares
Venha prestigiar aqueles que nos formam!


Entrevista: A Arte de Ser Bibliotecário e Professor na Biblioteconomia – um aprendizado com o afeto e o conhecimento.


por Sidnei Rodrigues de Andrade.

Saudações Profissionais da Informação!

Neste mês de outubro, comemoramos uma data especial a este profissional da educação que se dedica sua vida em compartilhar e demonstrar quais os caminhos que podemos traçar para alcançar nossos sonhos e objetivos neste cenário contemporâneo: os professores.
Todos nós fomos educados pelos professores, então tive a liberdade de fazer esta entrevista-homenagem, com o seguinte tema: Como é a arte de serem Professores e Bibliotecários na Biblioteconomia?

Fonte: Banco de imagens do Google

Há muito tempo, queria realizar esta entrevista especial exclusiva para o blog da Monitoria Cientifica FaBCI – FESPSP. Em nossa sociedade brasileira civil, há uma forte hegemonia na desvalorização dos professores, por isso convidei para realização desta reportagem especial, duas profissionais da informação e educadoras conhecidas pela comunidade acadêmica.
As duas convidadas que aceitaram este convite são: Adriana Maria de Sousz da FaBCI – FESPSP e Maria Cristina Palhares da UNIFAI. Antes de iniciamos esta reportagem especial, vamos fazer uma breve apresentação dos currículos profissionais das duas entrevistadas,  e em seguida, acompanhem suas reflexões, apontamentos e contribuições sobre a Educação no Brasil

Fonte: Facebook - Monitoria Voluntária 2017

Bibliotecária e Professora Adriana Maria de Souza da FaBCI -FESPSP


Mestre em Ciência da Informação pela Universidade de São Paulo (ECA-USP). Especialista em Gerência de Sistemas e Serviços de Informação pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Bacharel em Biblioteconomia e Ciência da Informação pela Faculdade de Biblioteconomia e Ciência da Informação (FaBCI) da FESPSP. Docente nos cursos de graduação e pós-graduação da FESPSP. Consultora e Coach em Serviços de Informação nas áreas de Tratamento da Informação: organização e representação; Serviços de Referência: qualidade no atendimento ao cliente e coachingCoaching para liderança e carreira do bibliotecário. Design Thinking para bibliotecas.

Bibliotecária e Professora Maria Cristina Palhares da UNIFAI



Bacharel em Biblioteconomia pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) pela FaBCi (Faculdade de Biblioteconomia e Ciência da Informação), em 1997; Especialista em Língua, Literatura e Semiótica pela Universidade São Judas Tadeu (USJT), em 2002; Mestra, em 2005. Desde 2008, atua no Centro Universitário Assunção (UNIFAI), ministra as disciplinas: Fontes I, Tecnologias da Informação, Planejamento e Elaboração de Bases de Dados e Automação de Unidades de Informação; integra o Núcleo Docente Estruturante (NDE). Em 2018, integra a Comissão Brasileira de Bibliotecas Prisionais (CBBP), da Federação Brasileira de Associações Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições.


  
1) Porque você leciona no curso Biblioteconomia e Ciência da Informação?
Adriana: Antes de responder essa pergunta, preciso voltar ao tempo e dizer que aos 16 anos escolhi a da ciência como opção de carreira. Fiz magistério no Ensino Médio e desde cedo entendi o poder transformador da educação e do conhecimento no desenvolvimento das pessoas. Despertei o interesse pela Biblioteconomia, assim que soube dessa área profissional, também nessa idade, fruto de uma pesquisa e numa enciclopédia que havia em casa sobre profissões, mas só pude viabilizar meu  tento, bem mais tarde, aos 21 anos.
Logo que me formei fui convidada a fazer parte do quadro de docentes da Faculdade de Biblioteconomia e Ciência da Informação (FaBCI) da FESPSP, como assistente de classe, assim, comecei minha carreira docente no Ensino Superior, o que foi um grande desafio para mim, pois era recém-formada e muito jovem, com experiência no ensino fundamental somente.
A vivência com a docência superior, como eu previa, foi se encaixando em meus interesses e ideais, uma vez que buscava responder às questões que eu tinha como discente, nos tempos de curso, ou seja, aquilo que eu buscava como aluna, busquei transferir para a prática de ensino e uma das coisas mais importantes pra mim era e é a didática. Como tornar o conteúdo das aulas mais próximo da realidade de trabalho dos alunos? Já que sentia essa lacuna durante a minha formação e assim tenho tentado manter essa proposta até hoje. 

Fonte: Banco de imagens do Google

Leciono no curso por que sou entusista do processo de ensino-aprendizagem, na provisão de agregar teoria e prática, apresentando uma Biblioteconomia e CI com todas as suas potencialidades, vertentes e possibilidades, com foco no humano, essência primeira e última de todo o ato de mediação da informação e do conhecimento. É nas relações sociais, humanas que transcendemos e nos tornamos pessoas melhores tanto pessoal como coletivamente.
 Maria Cristina: Porque acredito no papel social do bibliotecário, na contribuição que ele pode dar à sociedade em todos os segmentos: culturais, educacionais e humanistas.

2) Quais são as maiores dificuldades e conquistas para ser um Bibliotecário e Professor no curso Biblioteconomia e Ciência da Informação?

Adriana: Na contemporaneidade temos muitos desafios a serem transpostos, tanto na condição de bibliotecários como na de docentes: nos aspectos geracionais decorrentes das mudanças da sociedade; nas incertezas no mundo do trabalho, com novas formas de atuação: espaços tradicionais x espaços inovativos; no que se refere a falta de identidade e pertencimento do aluno/profissional quanto à sua formação, uma vez que a área de informação não é uma exclusividade da Biblioteconomia e CI; na conscientização do nosso ofício frente às desigualdades sociais e econômicas que assolam o nosso país, e que refletem em nossas práticas de trabalho e ensino.
Em contrapartida, temos muitas conquistas, principalmente no aspecto tecnológico e de inovação, com as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), bem como com as novas práticas metodológicas, atualmente usadas nos âmbitos acadêmico e profissional, chamadas de ágeis, ativas, disruptivas, por colocar o ser humano (aluno ou profissional) no centro do processo de aprendizagem, de construção de sentido no que se pretende realizar, construir, bem diferente do papel passivo que, muitas vezes se vivencia nas atividades praticadas, seja em sala de aula ou em ambientes de trabalho mais tradicionais.

Fonte: Banco de imagens do Google
Maria Cristina: As maiores dificuldades estão na falta de apoio e condições financeiras para custear uma graduação e a pós-graduação. No entanto, as maiores conquistas estão no aproveitamento das oportunidades que se teve, transformando-as na realização de projetos essenciais e significativos para si e para a sociedade, seja nos âmbitos mercadológicos ou acadêmico-científicos.

3) Segundo Paulo Freire, “lecionar é uma prática que vai além das instituições escolares, há um diálogo orgânico, onde todos participam ativamente”. Então, ensinar e lecionar é uma atitude homogênea do afeto e do conhecimento?
Adriana: Concordo totalmente com a afirmação, é um diálogo orgânico que acontece o tempo todo, dentro e fora da sala de aula, numa perspectiva constante de interação, de troca, de compartilhamento, de significados entre instituição x aluno; aluno x educador; aluno x aluno. Lecionar é aprender simultaneamente, não é um processo neutro, no qual um indivíduo transfere seus conhecimentos a outro indivíduo, mas sim de interlocução ativa e geradora de transformação.
Fonte: Banco de imagens do Google
É um ato de amor, de paixão, de entrega, Rubem Alves discorre sobre isso em seu livro Conversas com quem gosta de ensinar. Pra mim representa vocação e missão. Devem os aprender com as pessoas questão a nossa volta, aprender sobre sua condição humana: suas dores, suas conquistas, seus ideais para sermos melhores educadores.
Maria Cristina: Compreendo a prática freiriana como àquela que orienta para a construção do conhecimento formativo de um indivíduo a partir das práticas internas e externas, ou seja, aulas teóricas-reflexivas e práticas laboratoriais institucionais e práticas in loco, nas unidades informacionais, culturais, espaços públicos abertos, como parques, ruas e estações de transportes urbanos, entre outros.

4) Temos acesso há itens informacionais desde suporte de papel até digital, existe uma diferença entre o Aluno-Cliente e o Estudante-Leitor?
Adriana: Pois pra mim são duas coisas distintas: acesso à informação e a condição de aluno x estudante. Antes de qualquer coisa, vejo pessoas buscando conquistar espaços, evolução, mudança, melhores condições de vida, de satisfação e, acima de tudo, sempre a aprender, dessa forma, gostaria devê-los sempre como estudantes, responsáveis pelo seu próprio processo de aprendizagem, como protagonistas de todo o aprendizado a ser conquistado, o que implica no entendimento do ato de estudar como forma de apropriação de saberes de forma ativa, participativa, investigativa, no qual se modifica e se torna alguém novo, transmutado. Em alguns casos, o aluno é mero telespectador que está apenas a espera da transferência de conhecimentos do docente.
Fonte: Banco de imagens do Google

Maria Cristina: O aluno-cliente é aquele que paga por um serviço e o leva consigo. Já o estudante-leitor é o indivíduo que se sente comprometido consigo e exige uma formação crítica-reflexiva a partir da orientação/mediação do professor, que neste papel deve apontar e fornecer as condições de acesso ao conteúdo desejado, ao qual o aluno tem direito, não apenas do ponto de vista constitucional como do ponto de vista humano.

5) Existem dois conceitos conhecidos por especialistas em Educação: o Construtivismo e a Meritocracia. Há uma desigualdade educacional destes dois conceitos na prática educacional em contexto contemporâneo?

Adriana: Essa questão me remeteu às aulas do magistério e à minha prática profissional como bibliotecária em uma instituição britânica. Na verdade, entendo esses conceitos como método é das linhas pedagógicas, embora eu houvesse estudado em escolas tradicionais, públicas, eu sempre me interessei pelas linhas construtivista, antroposófica e montessoriana.
Quando eu atuava como bibliotecária, tinha como atividade de trabalho o aconselhamento e o auxílio aos estudantes brasileiros que tinham interesse em estudar no Reino Unido, além de ministrar palestras sobre uma bolsa de estudos chamada, Chevening Awards, em que consistia no conceito de Meritocracia, não como forma de exclusão ou de desigualdade social como preconizado por muitas ideologias, mas como o caminho de evolução, ou seja, o estudante para conquistar a bolsa, precisava apresentar uma trajetória acadêmica e profissional de dedicação, empenho e esforço individuais, além de um projeto de pesquisa que validas se tudo isso: a escolha acadêmica em consonância com a área de atuação profissional, bem como a condição de vida da pessoa (não podia apresenta ruma situação financeira favorável), integrados a isso, para conquistar a bolsa ele teria que apresentar argumentos plausíveis para retornar ao seu país de origem e ser um multiplicador de sua pesquisa aos menos a fortunados.
Sim, penso que há muita desigualdade, pois a inda temos diversas realidade sem se tratando de educação, em diversas regiões do nosso país. Ainda convivemos com uma educação precária, sem acesso ao básico, quiça ao construtivismo. Há que se fazer uma educação para o futuro sem distâncias e que todos sejam incluídos, mas não é a realidade que vemos. Há muito trabalho a ser feito, a Agenda 2030 das Nações Unidas, com seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS) nos convida para ações concretas de inclusão, de responsabilidade, de partilha, principalmente, e mar e as como a Educação, a Saúde, o Bem estar, o Meio Ambiente entre outros.
Fonte: Banco de imagens do Google

Maria Cristina: Do ponto de vista construtivista, o acesso à educação é inclusivo, é de acordo com as oportunidades oferecidas pelos órgãos governamentais responsáveis pela educação formal; por instituições privadas, por meio de ações sociais que oferecem bolsas de estudos e a permanência está vinculada ao desempenho do aluno; por institutos e organizações não-governamentais, que vincula a permanência do aluno ao desempenho ou capacitação profissional do aluno; e, também, existem as situações em que o indivíduo, por meio de ações autônomas, busca e constrói a própria formação durante sua vida.
Fonte: Banco de imagens do Google

No entanto, na meritocracia, a educação é exclusiva, é acessível ao indivíduo com todas as condições e garantias de qualidade e quantidade, por pertencer a grupos sociais, bem amparados financeiramente, cientes de seus direitos legais, que lhe garantam a formação de suas competências e habilidades. Entretanto, a ponte entre os dois é visivelmente injusta e desumana, na maioria das vezes, no que se refere às disputas por processos seletivos nos âmbitos profissionais e acadêmicos.
  
6) Qual é o verdadeiro papel da Educação?
Adriana: Transformar e desenvolver pessoas. Tornando-as cidadãos críticos, atuantes, protagonistas e multiplicadores de um bem estar comum a todos.

Fonte: Banco de imagens do Google


Maria Cristina: Prefiro chamar de Ensino, embora no contexto de formação o docente acaba sendo educador na maior parte do tempo, auxiliando na formação de alguns valores mínimos para a convivência social. Desta forma, compreendo Educação como os valores que o indivíduo carrega consigo desde o nascimento, que são valores culturais, religiosos, éticos e morais. Já o Ensino tem o dever de  fornecer as bases para que ele possa lidar com as suas habilidades e competências, percebidas e construídas, no contexto social, cultural e profissional.


Fonte: Banco de imagens do Google

7) Como você observa a Educação Brasileira no Século XXI?

Adriana: Adoecendo, estamos vivenciando tempos muito difíceis, há falta de políticas públicas em todos os âmbitos da sociedade e não há tempo a perder esperando por uma solução mágica. É preciso acreditar que o nosso papel consiste em propiciar acesso à informação, ao conhecimento, para que juntos possamos cooperar na transformação da educação do nosso país, com novas práticas de atuação, criando espaços criativos, laboratórios de construção do conhecimento, buscando novas formas de aprendizagem, atuando na sociedade de maneira efetiva e as bibliotecas fazem parte de tudo isso, pois são ambientes que conjugam todos os saberes, sendo participantes ativos nesse processo de mudança da sociedade.

Fonte: Banco de imagens do Google

Maria Cristina: Embora seja uma educadora, não me sinto completamente habilitada a responder esta pergunta de forma sucinta, pois a contemporaneidade nos impõe muitos desafios no campo da educação. No entanto, ao abordá-la no contexto brasileiro atual, é necessário retomar a perspectiva da formação sociocultural, de Gilberto Freyre, Paulo Freire, Milton Santos entre outros pensadores que nos levam a compreender, ou tentar compreender, como se deu a construção da nossa base estrutural enquanto sociedade brasileira, que reflete no percurso de implantação do ensino formal, e que podemos observar que muitos conceitos e práticas foram adotados inicialmente e seguidos de forma equivocada, como acontece até hoje.

Um exemplo disso é a descrição de métodos pedagógicos de algumas escolas de ensino infantil e fundamental I, que se intitulam construtivistas. Entretanto na prática não vemos a construção do aprendizado, a começar pelo material didático utilizado, que é por meio de apostilas. No ensino superior, muitas instituições vendem facilidades, com metodologias engessadas, apostiladas, onde o docente não tem a liberdade de utilizar bases metodológicas e teóricas de acordo com os múltiplos aspectos encontrados, que são peculiares a cada grupo de alunos, a cada curso, período de estudo, entre outros.  

8) Qual é a contribuição e/ou mensagem de Educador Brasileiro, sendo um Bibliotecário e Professor que você gostaria de dizer aos ex-alunos e a sociedade brasileira?

Adriana: Acreditar sempre: em si mesmo, em suas escolhas acadêmicas e profissionais, em dias melhores. Lutar pela igualdade de direitos a todas as pessoas, indiscriminadamente. Respeitar e honrar o seu país. Não aceitar injustiças de qualquer natureza e sob qualquer aspecto. E citando Mahatma Gandhi: “Seja você a mudança que quer ver no mundo”.
Maria Cristina: Ao se depararem com a dúvida sobre algo, investiguem a realidade, não tenha receio de argumentar o que enxergou a partir da análise, sempre amparada em fatos e dados reais. O posicionamento crítico é necessário para uma sociedade mais justa e igualitária.

Fonte: Banco de imagens do Google.

Quero agradecer as Professoras e Bibliotecárias: Adriana Maria de Sousa e Maria Cristina Palhares, por aceitarem este convite para a realização desta entrevista-homenagem ao Dia dos Professores. Fiquei muito satisfeito e honrado em ouvir estas duas excelentes profissionais da informação e educadoras.

Esta é uma homenagem a todos os Professores do Brasil, que devemos um agradecimento: Muito Obrigado Professores por sermos Seres Humanos! Agradeço por todos vocês que leram esta reportagem. Abraços e muito obrigado.
  
A opinião dos colunistas e dos relatos publicados não representam necessariamente a posição da FaBCI da FESPSP, ou de sua Monitoria Científica. A responsabilidade total é do(a) autor(a)do texto.

Fake news, política e profissionais da informação. - Por: Renata Correa

A Renata Correa, estudante do 6º semestre de Biblio sabe da responsabilidade do profissional da informação diante das Fake News, principalmente em âmbito político. Por isso ela nos enviou um texto reflexivo essencial em textos como o nosso. 


Fake news, política e profissionais da informação.


A informação, quando bem trabalhada e disseminada  tem como principal objetivo promover o progresso social, político, educacional e cultural de uma nação.

A informação é democrática e deve  acessível a todos.

No entanto, quando receptores e emissores não se comprometem com a ética e com a verdade, a informação se converte em desserviço, quando quem a promove  e dissemina  passa a usa-la 
como ferramenta de manipulação e fator agravante em situações como as que estamos vivemos atualmente.

E, tão grave quanto propagar inverdades é a atitude de quem as assimila  sem critério de avaliação quanto ao que toma para si como verdade. 

Fonte: CRB-6 - Dicas do Senado Federal para não cair em boatos da internet.


Por outro lado, tão grave quanto a disseminação de informações falsas é a retenção da veracidade dos fatos com o propósito de, também, manipular ou tomar para si fatos que seriam construtivos coletivamente e que colaborariam para o bem comum.

O Brasil passa por momentos conturbados, onde constatamos o que nós,  estudantes de biblioteconomia, bibliotecários e profissionais da informação, consideramos com o maior recurso social e democrático e uma sociedade, a informação, ser disseminada de forma inescrupulosa e como artifício de manobras políticas,  comprometendo seriamente nossa estrutura social, promovendo equívocos e debates inflamados em páginas e perfis de rede sociais em torno das "fake news".

Nossa formação nos habilita como mediadores entre os dois polos pelos quais a informação transita, emissor e receptor e nos qualifica para que saibamos avaliar tanto a qualidade como as fontes de informação,  base para construção do conhecimento,  nunca devemos nos distanciar do juramento de nossa  profissão: 

"Prometo tudo fazer para preservar o cunho liberal e humanista da profissão de Bibliotecário, fundamentado na liberdade de investigação científica e na dignidade da pessoa humana".



Se, como profissionais da informação, e como usuários,  estamos presentes em  meios de comunicação e informação, testemunhando diariamente a publicação e compartilhamento de conteúdos e notícias acerca do momento atual, nunca devemos nos abster de nosso comprometimento, cientes que,  a construção de um argumento deve ser erguido com bases que possam ser comprovadas veridicamente e acima de tudo, somente o diálogo promove o entendimento. 

Devemos sempre informar e estimular o pensamento crítico, que leva ao  questionamento e a busca por respostas, a leitura, o estudo, a pesquisa. Todos elementos que ajudam na construção da dignidade humana.




Para saber mais sobre como a biblioteca pode combater essa onda de notícias falsas, o CRB-8 publicou também uma matéria: Soluções reais para as fake news: como as bibliotecas podem ajudar.


A opinião dos colunistas e dos relatos publicados não representam necessariamente a posição da FaBCI da FESPSP, ou de sua Monitoria Científica. A responsabilidade total é do(a) autor(a)do texto.

Relato: Workshop Design Thinking na UDESC - Com Professora Adriana Maria de Souza.

A professora da FaBCI Adriana Maria de Souza participou de um projeto de extensão da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) voltado para as Competências Empreendedoras para Gestão da Informação e falou sobre Design Thinking. A pedido da Monitoria, a professora nos mandou um relato sobre como foi.




O convite para o workshop surgiu pela Daniela Spudeit que coordena um projeto de extensão chamado "Práticas empreendedoras na área de gestão da informação" voltado para Bibliotecários, arquivistas gestores (intraempreededores) ou mesmo empreendedores (profissionais liberais) na UDESC. Participaram 50 pessoas.

A ideia era apresentar o Design Thinking para bibliotecas, a partir do material traduzido pela Febab em 2017 e lançado no CBBD no mesmo ano. 


No mesmo dia, no período noturno, foi ministrada uma palestra sobre Coaching para Bibliotecários no mesmo local, pela Associação Catarinense de Bibliotecários (ACB). Compareceram 40 pessoas entre bibliotecários e estudantes.

Nas fotos seguem os protótipos de Design Thinking elaborados pelos alunos e bibliotecários de várias regiões do Brasil, realizados no espaço da biblioteca da UDESC, em Santa Catarina, no dia 24 de setembro de 2018.





Para mais informações sobre essa prática e sua abordagem, consulte: www.febab.org.br/traducoes.



A opinião dos colunistas e dos relatos publicados não representam necessariamente a posição da FaBCI da FESPSP, ou de sua Monitoria Científica. A responsabilidade total é do(a) autor(a)do texto.

quarta-feira, outubro 10, 2018

Aconteceu na FaBCI: Semana de Seminários FESPSP 2018

A Semana do Seminário FESPSP 2018 foi um arraso! Muitas discussões, palestras, pesquisas e aprendizado valioso, especialmente em tempos como esse!

Se você não conseguiu ir, não fique triste! A Monitoria trás os links dos vídeos dos debates e relatos de algumas alunas.


Para começarmos, o debate "Fake news e Eleiçõesinaugurou a abertura da Semana de Seminários, e pode ser assistida na íntegra aqui:




No dia 26/09, houve o importantíssimo debate "Biblioteca Escolar: uma necessidade para uma sociedade cidadã", com Profª. Drª. Ivete Pieruccini da ECA/USP e a nossa Profª. Especialista Maria das Mercês Apóstolo.




O encerramento ficou por conta do debate final: "O futuro da Democracia pós Eleições", que contou com a filósofa e escritora Djamila Ribeiro, Américo Sampaio da Rede Nossa São Paulo e o Prof. Aldo Fornazieri.




Sobre alguns dos GTs que ocorreram no decorrer da semana, confira os relatos abaixo:


Tauane Lima dos Santos. 4°Semestre Matutino

Olá galera, estava sentindo falta de escrever pra monitoria, agradeço a Valls por ter me indicado e ao pessoal da Monitoria por sempre me acolherem tão bem.

Eu vou começar dizendo que: EU QUERIA ME MULTIPLICAR PRA ESTÁ EM TODOS OS GTS,MINICURSOS E DEBATES.

Eu comecei a semana do seminário assistindo o GT 16: PROPÓSITO E ENGAJAMENTO NO TRABALHO: O PAPEL DAS LIDERANÇAS. Foi bem interessante. Ele teve mediação do professor Dr. Douglas Murilo Siqueira. O Eduardo da UFRJ apresentou o seu trabalho de pesquisa, com empresários do Rio de Janeiro e falou um pouco sobre o seu grupo de pesquisa. Em sua pesquisa ele busca descobrir o papel do líder nas organizações focou nos livros que são mais lidos por esses líderes. 

Pra quem tem interesse em ser um líder assim como eu precisa ler: O monge e o executivo e o mais recente queridinho entre os líderes O novo líder.


No dia 25/09 às 8h30 eu acompanhei o GT 06: EDUCAÇÃO,LITERATURA E SOCIEDADE com mediação do professor Derick Casagrande. Houveram 5 apresentações nesse GT mas se eu for falar de todas o texto vai ficar enorme e ninguém vai querer ler nada do que eu mandar pra monitoria (risos de desespero). 

Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi a apresentação do  Alexandre Nogueira, estudante de Sociologia FESPSP, e o tema apresentado foi: Subdesenvolvimento e expansão do ensino público: da luta popular a mercantilização da escola brasileira. 

Gente, esse menino falou tão bem que quando acabou eu fiquei triste. Eu passaria horas ouvindo ele falar sobre esse assunto. Nos mostrou dados, vídeos e nos deu indicações de vários livros e artigos sobre o assunto, e mencionou uma frase no meio de sua apresentação que eu nunca vou esquecer: “Dizem que o coração da elite política bate no bolso.”(Nogueira, Alexandre. 2018). 

Outra apresentação foi a da Teresinha Savio, que falou sobre a biblioteca comunitária no contexto da ocupação do MSTS (na região do ABC). A biblioteca é mantida por moradores, não há bibliotecário formado (o que é triste 😔), o acervo contém cerca de 3 mil livros doados e um espaço para crianças, com gibiteca. 

O mais interessante é que qualquer pessoa pode propor um evento no espaço da biblioteca e a ela tem várias atividades como: cursos, oficinas e muitas ações culturais que a profª Tânia ficaria com os olhos brilhando J

A próxima apresentação foi a do nosso querido professor Wanderson Scapechi e o tema foi: Os saberes informacionais e as bibliotecas públicas da cidade de São Paulo: um estudo exploratório. Ele falou sobre o acesso e uso das informações, como a sociedade pode se apropriar dessas informações e claro a aprendizagem informacional tanto nas nossas amadas bibliotecas como em escolas.  Os resultados parciais da pesquisa dele são: desconhecimento por parte dos bibliotecários sobre o conceito de saberes da informação, o que gera uma crítica à grade curricular dos cursos de biblioteconomia que nem sempre abordam o assunto, e algumas bibliotecas desenvolvem os saberes informacionais mas nem sempre são sistemáticas ou orgânicas. Foi ótima a apresentação do nosso querido professor!

A última apresentação do dia foi da ex aluna da FESPSP Roselene Medeiros com o tema: Inclusão por meio de tecnologias. O GT do Derick ficou gravado na minha memória. Sociólogos e bibliotecários conversando em uma harmonia maravilhosa, uma troca de informações que, só de lembrar, meu coração se enche de felicidade. Por fim, uma roda de perguntas, comentários do Derick Casagrande sobre cada apresentação e um bate papo incrível.

Pra terminar a minha semana de GTs eu assisti a primeira parte do GT 15: Inovação em serviço de informação com mediação das donas do meu coração Valeria Valls e Adriana Souza. O primeiro a apresentar foi o Marcos Leandro com o tema: O ensino de representação descritiva no Brasil: aproximação e distanciamento entre a formação acadêmica e o mercado de trabalho

A segunda apresentação foi da nossa querida ex-aluna Daniela Correia que falou do seu projeto de mestrado que foi levado quentinho do seu TCC. Representação descritiva de partitura. Eu vi a a Dani falando sobre seu tema de TCC no GT do ano passado e depois fui assistir sua defesa do TCC. Eu realmente amo esse tema e a Dani fala dele com tanto amor 😍, Duas frases que foram faladas nesse GT nunca sairão da minha cabeça e do meu coração: “Os fundamentos da área não de modificam, eles se renovam.”, e  “A catalogação é um aprendizado contínuo.” Preciso dizer que saí desse GT querendo fazer algo na área de catalogação, e quem sabe meu TCC não vai ter uma sementinha de mestrado focado em catalogação?

Minha semana de Seminário da FESPSP 2018 foi incrível e mal posso esperar a de 2019. Parabéns a todos os envolvidos.

Até outro dia galera!!!




Watusi Ferreira - 6º semestre noturno

Assisti o seminário da segunda (24/09) GT 5 sobre Relações internacionais em tempo de mudança. Ele teve debates interessantes e trabalhos bem elaborados, sendo que, foi apresentado 3 grandes temas, Leonardo com seu trabalho sobre governo Juscelino Kubitchek sobre os fatores que influenciaram naquela época, analisando a politica externa e o papel que cabia ao Brasil naquele momento. 

Outro trabalho foi o do sociólogo Douglas, onde o trabalho dele fala sobre Religião e Globalização, sendo uma análise da religião, suas influências e como afeta as relações internacionais, com ênfase na Igreja australiana, que é uma igreja que expandiu em vários países. João Victor com o trabalho sobre perspectivas das abordagens das relações internacionais, onde analisa a compreensão do papel da sociedade civil. E Gabriele com o trabalho sobre mulheres brasileiras e peruanas em busca da emancipação onde fala bastante sobre economia solidária que é uma prática para a emancipação e resistência dessas mulheres.




Marina Chagas Oliveira - 6º semestre noturno

A minha visão da Semana de Seminários foi um pouco diferente. Pela primeira vez fui participante ativa da programação e apresentei o meu "TCC em gestação" (como posto pela professora Valéria Valls), no GT 15 - Inovação em Serviços de Informação. Com o título "A Experiência do Usuário em Bibliotecas Universitárias", falei sobre a User Experience, a etnografia,  e seu uso em Bibliotecas Universitárias internacionais, e como a voz do usuário pode ser ouvida por meio destas práticas.

No mesmo dia, a Edi Fortini ainda comparou os conceitos de UX e da ISO ABNT NBR ISO 9001:2015, a Fabiana Andrade Pereira falou sobre seu trabalho com a Search Engine Optimization (SEO) para Bibliotecas Virtuais na Biblioteca Virtual da FAPESP, a Andrezza Catharina Camera nos apresentou seu projeto que busca entender o bibliotecário e sua posição mediante o mercado de trabalho contemporâneo, e para encerrar com chave de ouro, o professor José Fernando Modesto da Silva apresentou seu seminário : "As Tarefas dos Usuários e os atributos da Representação Descritiva sob a RDA".

Participar da Semana de Seminários da FESPSP sem ao menos ter concluído a minha própria pesquisa foi desafiador, mas muitíssimo gratificante. Além de excelente prática para a defesa de banca do TCC, o clima de coleguismo entre os participantes e os ouvintes é muito bacana. Ver os demais projetos certamente nos ensinam e inspira. Finalmente, agradeço muitíssimo às mediadoras e professoras da FaBCI Adriana Maria de Souza e Valéria Martin Valls pelos feedbacks!



A lista completa dos GTs, autores aprovados e seus trabalhos está disponível aqui.
E em breve os anais desta semana de pesquisa estarão disponíveis. Fique ligado!


A opinião dos colunistas e dos relatos publicados não representam necessariamente a posição da FaBCI da FESPSP, ou de sua Monitoria Científica. A responsabilidade total é do(a) autor(a)do texto.