sexta-feira, novembro 22, 2013

Bibliotecário made in USA

Vilma Silva Butym
Para quem tem planos de ser bibliotecário em outro país, uma primeira preocupação é com a aceitação do diploma brasileiro de Bacharel em Biblioteconomia. Países como o Canadá e os Estados Unidos têm agências que analisam a validação do diploma para o ingresso no mestrado em Biblioteconomia e Ciência da Informação, uma exigência profissional.




Formada pela FESPSP, Vilma Silva Butym se dedicou por dois anos para ser aceita por uma universidade americana e complementar seus estudos em Biblioteconomia para exercer a profissão. Na entrevista abaixo, gentilmente concedida para a MC, Vilma detalha sua trajetória e faz um panorama do exercício da profissão nos Estados Unidos.

MC: Conte um pouco sobre a sua formação na FESPSP e sua trajetória profissional até chegar aos Estados Unidos.

VILMA:  Iniciei meu bacharelado na FESP em 1998 e me formei em 2001. Minha primeira experiência em biblioteca aconteceu nos meus 17 anos de idade. Eu fiz colegial profissional em secretariado na ETE Albert Einstein. Na metade do colegial consegui um trabalho como secretária na FUNDACENTRO, especificamente, na biblioteca. É uma biblioteca jurídica e saúde ocupacional. Lá, pela primeira vez, vi como uma biblioteca funcionava. Embora tenha sido contratada como secretária apenas, tive a oportunidade de ajudar um pouco também na biblioteca. Dali não parei mais. Entrei na FESP, consegui um estágio na Voight, depois em um centro de informação de uma agência de propaganda, e finalmente na Graded – uma escola americana. Trabalhei na Graded por 3 anos como Assistente de Biblioteca. Quando comecei na Graded estava no meu segundo ano na FESP. Após me graduar, recebi a informação que não havia possibilidade naquele momento de promoção. Então, aguardei por 2 anos, mas a promoção não saiu e aconteceram mudanças administrativas na escola, então, decidi vir para os Estados Unidos. Meu tio morava em Tampa, Flórida. Vim, comecei um curso privado em inglês para aperfeiçoar o que já tinha aprendido no Brasil. Fiz CCAA por 4 anos durante o tempo em que estava na faculdade.

MC: Fale um pouco sobre a sua trajetória nos Estados Unidos, especificamente antes da aceitação para este mestrado.

VILMA:  Cheguei nos EUA, comecei meu curso privado de inglês na Tampa Language Center, e depois de 8 meses comecei a ensinar portugués para estrangeiros no centro de línguas. Como eu tinha em mente adquirir mais conhecimentos sobre bibliotecas, consegui um estágio em uma escola particular chamada Independent Day School. Eu ajudava na biblioteca com tudo que precisavam. Ao mesmo tempo estava realizando outros trabalhos para aumentar a renda. Tambem fiz muitos trabalhos voluntários em diversas bibliotecas publicas em Tampa. As bibliotecas publicas aquí são riquíssimas!!!  Depois de alguns anos se passarem, comecei meu mestrado na Universidade do Sul da Flórida (University of South Florida – USF).

MC: Por que você decidiu seguir no mestrado?

VILMA: Porque aqui nos EUA o curso de Biblioteconomia é um curso de mestrado e NÃO bacharelado. Nos EUA uma pessoa faz bacharelado em qualquer área, por exemplo, direito. Daí, se quiser se transformar em uma bibliotecária (o), basta fazer o mestrado em Biblioteconomia.

MC: Sobre a sua aceitação: como foi o processo? O seu diploma de graduação foi validado nos Estados Unidos?

VILMA: Para ser aceito em qualquer universidade/faculdade nos EUA, o candidato tem que submeter seu histórico escolar para avaliação e também tem que fazer o teste TOEFL, para provar proficiência na língua inglesa. Meu histórico escolar do bacharelado no Brasil foi traduzido e avaliado por um departamento específico licenciado pelo governo americano. Depois dessa avaliação, o departamento chegou à conclusão de que o conteúdo do curso de bacharelado que fiz no Brasil, seria o equivalente a qualquer curso de bacharelado nos EUA. Por isso, pude seguir adiante, preencher o formulário de matrícula para faculdade e começar a estudar. Em alguns casos, o conteúdo do curso feito fora dos EUA não é o equivalente ao curso no país, daí é preciso começar do começo mesmo: bacharelado novamente. Eu fui privilegiada e pude apenas continuar meu ensino. Para concluir tua pergunta: sim, meu diploma foi validado aqui nos EUA.

MC: O que os profissionais brasileiros devem fazer para serem aceitos em um mestrado nos Estados Unidos?

VILMA: Cada caso é um caso. Eu diria que a primeira preocupação é achar um curso de bacharelado que seja aprovado pelo Ministério da Educação como um curso no exterior. Agora, eu não sei como isso pode ser feito no Brasil. Aqui nos EUA a gente tem que fazer a avaliação de conteúdo do curso. É claro, precisa falar inglês nível universitário. Então, se alguém tem interesse em estudar nos EUA, tem que fazer curso de inglês e tirar o TOEFL, com nota elevada.

MC: Quais são os melhores cursos/universidades para ser tentar esta vaga?

VILMA: USF na Flórida. Não é porque eu estou estudando lá, não. É por que é a maior faculdade do Sul da Florida e é bem conceituada em várias áreas. Vários projetos científicos nacionais são realizados na USF. Agora, basta ir ao website da ALA American Library Association (ALA), que lá eles  oferecem uma lista de universidades idôneas que tem o mestrado em Biblioteconomia licenciado pela própria ALA.

MC: Como está o campo de trabalho nos Estados Unidos? Sabemos que há universidades investindo muito na modernização de suas bibliotecas, mas as públicas não têm tantos investimentos assim e os bibliotecários ainda reclamam dos baixos salários. Isso é fato?

VILMA: Aqui, diferentemente do Brasil existe uma cultura do livro e leitura. A biblioteca pública é super rica e equipada. Quanto ao campo de trabalho, é bem vasto, porém, com um pouco de concorrência. Ainda não saí para, realmente, procurar um trabalho como bibliotecária, por isso não posso dizer com precisão. A informação que tenho vem de pesquisas online apenas.

Para o áudio completo da entrevista com Vilma envie um email para monitorcientificofabci@fespsp.org.br



3 comentários:

  1. Magah e Vilma, que entrevista maravilhosa! Surgiram várias idéias...obrigada por compartilhar conosco esta vivência.

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  2. Rebeka, obrigada pela sua mensagem! A Vilma foi muito gentil em conceder uma entrevista extensiva também por skype e a gravação está disponível, é só enviar um email para a MC.bjs!

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  3. Qual seria o email da MC?Ainda teria a entrevista gravada?Tenho interesse em conseguir algo lá fora.
    Obrigado.

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