segunda-feira, fevereiro 03, 2014

A conservação de arquivos físico e digitais: Perigos, manobras e estudo a respeito.

Já conhecem o blog “Biblioteconomia Vagas de SP”? É um blog criado pelo bibliotecário Wellington Ferreira Rodrigues, formado pela FESPSP em 2010, que tem como objetivo publicar gratuitamente vagas nas áreas de biblioteconomia, arquivologia, museologia e ciência da informação. Além de auxiliar nas contratações de novos bibliotecários, Wellington também nos revela através de suas postagens as mais diversas áreas em que nós, bibliotecários, podemos atuar.
É um costume pensarmos que bibliotecários ficam restritos ao triângulo bibliotecário: pública, escolar e universitário. Conforme começamos a conhecer a área vemos que também possuímos lugar em acervos jurídicos, arquivos, acervos pessoais, museus, acervos históricos e culturais e principalmente em instituições particulares e públicas. Mas apesar disso sempre acabamos nos conflitando com os mesmo tipos de materiais.
Por isso quando vemos vagas em bancos de imagens nos surpreendemos um pouco. Não que não soubéssemos que fotos podem ser tratadas (indexadas, classificadas e catalogadas), mas, mesmo sendo um dos materiais mais populares, ele também se revela um dos mais enigmáticos quanto a sua conservação, armazenamento e posterior recuperação.
Por que afinal se torna tão difícil conservar um acervo fotográfico? Quais as dificuldades encontradas em relação aos filmes, negativos... Mais ainda: Como a fotografia digital se encaixa nesse perfil? Ela deve ser tratada da mesma maneira? Como devemos conservar algo que tem como suporte CD’s, DVD’s, cartões de memória e HD’s?
O fotógrafo, e também aluno da FESPSP, Marcos Issa é um especialista em organização e conservação de acervos fotográficos digitais. Dono de um estúdio fotográfico e do banco de imagens Argosfoto ele nos cedeu uma entrevista onde esclarece alguns pontos a respeito da conservação de acervos fotográfico físicos e digitais.

O que você considera mais fácil de organizar e preservar, acervos físicos de fotografias ou digitais? 
Os acervos físicos, se conservados em condições razoáveis podem durar muitos anos. Não existe, entretanto, uma maneira perene de guardar arquivos digitais, que são muito mais frágeis. A conservação de digitais depende de vários fatores: da mídia, dos softwares e de hardwares. 
Costumo dizer que acervos com 5 anos correm mais riscos que os de 50 anos atrás! 
No entanto, organizar o digital é, para mim, bem mais simples que organizar acervos físicos. O segredo é começar ordenadamente, desde a importação das imagens do cartão... Alguns softwares hoje ajudam muito nesta tarefa. Softwares mais antigos, como o Photoshop, de 1989, foram concebidos antes da fotografia se tornar digital, portanto não ajudam a organizar o fluxo de trabalho dos fotógrafos. 

Qual seria o primeiro passo para alguém que quisesse organizar um banco de imagens? 
Em geral encontro acervos mistos, com fotos em papel, transparências e montanhas de traquitanas digitais. Se o acervo físico não estiver na iminência de um desastre, prefiro começar organizando o digital, tentando assim estacar a sangria, fazendo que novas aquisições já entrem no padrão desejado. 
Mas já encontrei situações onde o acervo físico estava espalhado dentro da empresa, com caixas em containers sob o sol ou mofando em armários de madeira. Neste caso reuni todo o material em uma única sala climatizada para então avaliar caso a caso. 
Marcos Issa. Fotógrafo e aluno do 3º Semestre de Biblioteconomia pela FESPSP.

Quais são os maiores erros que as pessoas cometem ao tentar organizar um acervo físico? E um digital? 

Não sou especialista nos acervos físicos, sempre busco parceria com conservadores nos projetos que me envolvo. Alguém que não sabe lidar com fotografias antigas, poderá destruir o original simplesmente por manipula-lo inadequadamente. Outro erro que vejo é a desintegração das coleções. Muitas vezes a forma que uma imagem se relaciona com as vizinhas fala muito sobre ela, é importante preservar os conjuntos. Existe uma boa literatura disponível, o Centro de Conservação e Preservação Fotográfica da Funarte – CCPF, faz um excelente trabalho, há 25 anos, difundindo boas práticas. 
No entanto, quando falamos dos acervos digitais a encrenca é grande! Pouca literatura, pouca gente capacitada, pouco conhecimento até! Fora do Brasil, a Biblioteca do Congresso dá suporte à pesquisas e à difusão das melhores práticas em acervos de fotos digitais, disponível no dpbestflow.org.
Os erros cometidos são muitos, muitos mesmo! Por isso arquivos importantes, como os de diversos jornais brasileiros, já perderam boa parte das imagens geradas nesta última década. O maior erro é acreditar que as mídias são duráveis: CDs, DVDs e HDs duram em média 4 a 5 anos. Precisamos urgentemente difundir boas práticas para acervos digitais! 

Qual a importância dos metadados na catalogação de fontes de informação? 
Total! Arquivos digitais são invisíveis, não os enxergamos diretamente, eles precisam ser decifrados por máquinas. Encontramos estes arquivos graças às informações existentes sobre eles. Dados sobre dados, os metadados! Não existe acervo digital, seja de fotografia, música, vídeo, etc que possa ser organizado sem metadados! O papel do indexador é inserir informações confiáveis sobre os arquivos. Feito isto, a recuperação da informação fica fácil!

O uso de Metadados na Catalogação de Recursos Informacionais foi o tema escolhido pelo aluno Adrian Carneiro, orientado pela professora Concília Teodósio. Ele fala exatamente sobre a importância dos dados que inserimos nos documentos durante a catalogação, principalmente tendo tantos documentos em ordem digital atualmente, a catalogação manual se torna obsoleta, falha e incompleta, por esses motivos nós sempre devemos nos atualizar quanto aos mais diferentes recursos disponíveis a nossa volta e as novidades no mercado da informação.


O AACR2, por exemplo, bíblia para qualquer catalogador, principio básico para a utilização do Marc 21, está se preparando para dar lugar ao RDA, novo mecanismo voltado totalmente para a plataforma digital.
Mas como visto acima, o documento digital tende a correr mais perigo que o físico, e é sobre esse assunto que a aluna Rafaela Bernache discorre em seu TCC, orientada pelo professor Charlley Luz, Preservação Digital na gestão da informação: estratégias e formatos de armazenamento.
Podemos ver que a preocupação com o digital é real e bastante atual! Em uma época que aparelhos tecnológicos são substituídos a cada semestre, é necessário que nós como cientistas da informação sempre estejamos juntos às pesquisas, em busca de melhores maneiras de organizarmos, preservarmos e recuperarmos a informação seja ela qual for.

Ficou interessado? Então confira abaixo a lista de TCC’s que receberam o parecer em 2013.

TCC - Relação de autores, títulos, orientadores e banca

Nome(s) completo (s) do(s) alunos

Título final do TCC

Nome do orientador

Indicação Banca ou Parecer

Nome dos membros da Banca ou Pareceristas
Janete Costa Marques
Direitos autorais e internet: um novo cenário para o bibliotecário e seu objeto de trabalho
Andréia Gonçalves Silva
Parecer
Maria Mercês Apóstolo;
Ivan Roussef       
Venina De Delmondes Herculano
SEO, marketing digital e a recuperação da informação na web: os novos campos para o bibliotecário.
Henrique Coimbra
Parecer
Francisco Aguiar e Paulo vasconcelos
Rosangela Cano Ferreira de Carvalho e
Cristiane Pontes Ribeiro
MEDIAÇÃO DE APRENDIZAGEM: A APLICAÇÃO DO MODELO REUVEN
FEUERSTEIN NA ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO ESCOLAR
Nádia Hommerding
Parecer
Maria das Mercês Apóstolo
Ana Silva Rosal

Aparecido José Bastos Rodrigues
Conservação de documentos fotográficos
Fernanda Brito
Parecer
-Tânia e Henrique
Marco Antonio Oliveira da Silva e Gustavo Moura
Avaliação de gerenciadores de referência
Vânia Funaro
Parecer
Francisco Lope e Henrique Ferreira
Leonice Medeiros
O livro da Idade Média
Maria das Mercês
Parecer
Adriana Abrão e Isabela
Adrian Parra Carneiro
O uso de metadados na catalogação de recursos informacionais
Concília Teodósio
Parecer
Francisco Lopes de Aguiar, Maria Rosa Crespo
Dalvina Ramirez
A evolução do Serviço de Referência do presencial para o virtual
Adriana de Souza
Parecer
Paulo Vasconcelos e Vânia Funaro
Andrea Ferreira dos Santos
Repositórios digitais Dspace: uma avaliação dos requisitos técnicos-funcionais
Francisco Lopes
Parecer
Henrique Ferreira e
Valéria Valls
Bruna Araújo das Neves
Comercialização de Romances no Século XXI no Brasil
Carla Diéguez
Parecer
Ivan Russef, Isabela (sociologia)
Daniela Paliotta
Conservação e Preservação de acervos permanentes: textuais, cartográficos e bibliográficos
Fernanda Brito
Parecer
Rachel Bueno, Sara Ezedim Pinho
Élida Mariana Belo da Silva
Políticas de Indexação no contexto Web
Francisco Lopes
Parecer
Andreia Silva, Adriana Souza
Fabio Santos de Aguiar
Escola Ciclo das Vinhas: a biblioteca da filha de Baco
Maria Rosa Crespo
Parecer
Adriana Souza, Concília Teodósio
Fernanda Zanelato Oliveira Santos
Curadoria digital: atuação do bibliotecário como curador de dados
Francisco Lopes
 parecer
Mercês Apóstolo, Henrique Ferreira
Fernando Reis de Arruda Alves e Marcelo Alves de Macedo Leandro
Linguagem documentária e histórias em quadrinhos: a criação de um tesauro
Andréia Gonçalves
Parecer
Henrique Ferreira
Florindo Peixoto Neto
A influência dos paradigmas científicos na práxis bibliotecária
Mercês Apóstolo
Parecer
Evanda Paulino, Isabela Oliveira
Graziela Magalhães dos Santos
A Telenovela Brasileira como Fonte de Informação
Mercês Apóstolo
Parecer
Vânia Funaro, Marta Bergamim
Ludmylla Cavalheri Sá
Biblioteca comunitária e Biblioteca alternativa: Decifrando enigmas
Rodrigo Estramanho de Almeida
Parecer
Carla Diéguez, Henrique Ferreira
Magda de Santana Ribeiro, Marcia Oyama
Análise da produção científica dos docentes dos cursos de Biblioteconomia da cidade de São Paulo
Vânia Funaro
Parecer
Carla Diéguez, Evanda Verri Paulino
Marcia Toyozumi
Utilização de fontes de informação e análise temática dos TCCs do curso de Biblioteconomia e Ciência da Informação da FESPSP
Vânia Funaro
Parecer
Adriana Souza, Andréia Silva
Maria Efigênia Soares
Produção de um acervo  de  cinema  para biblioteca escolar
Tânia Callegaro
Parecer
Andréia Silva, Ivan Russeff
Osmar Alves da Silva
Gastar o acervo é necessário
Adriana Souza
Parecer
Maria Rosa Crespo, Concilia Teodósio
Rafaela de Moura Bernache
Preservação digital na gestão da informação: estratégias e formatos de armazenamento
Charlley Luz
Parecer
Henrique Ferreira
Bruno de Carvalho Trindade
Eventos culturais e a biblioteca pública
Tania Callegaro
parecer
Henrique e carla
Leiliane Moura Meneses e Maria de Fátima Simão da Silva
Identificação das competências do bibliotecário
Vânia Fuanro
parecer
Adriana Abrão e Valéria Valls
Rafael Reche
Preservação digital para Bibliotecas digitais
Henrique Ferreira
Parecer
Francisco e Fernanda
Flávio Thimóteo Mariano Pereira
Wikipédia: Inteligência Coletiva
Paulo Vasconcelos
Parecer
Carla Diéguez e Adriana de Souza





Colaboração da matéria: Marcos Issa. 

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