sexta-feira, maio 24, 2013

FESPSP se prepara para a abertura das comemorações de 80 anos da instituição

No próximo dia 27 de maio a FESPSP abrirá as comemorações dos 80 anos da instituição. Na programação, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que já foi diretor da FESPSP e membro do Conselho Acadêmico, fará uma palestra para convidados. Paralelamente, haverá atividades para os alunos, professores e funcionários durante todo o dia, fechando com uma festa de confraternização à noite.




No contexto histórico de fundação da Escola de Sociologia e Política, outros personagens marcantes contribuíram notadamente para a construção, não apenas da consolidação da instituição, mas também da história do país. Para um panorama mais detalhado daquele momento, a Monitoria recomenda o livro “A Escola Livre de Sociologia e Política: anos de formação 1933-1953: Depoimentos, publicado em 2001 para a comemoração dos 65 anos da FESPSP. O artigo de abertura da obra, depoimento do Professor Angelo Del Vecchio, presidente do Conselho Superior da FESPSP, é leitura obrigatória para se entender o cenário político-social que originou a Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Acompanhe:

Anos de formação da ESP
Naquele 27 de abril de 1933, um grupo de intelectuais, entre os quais se encontravam Roberto Simonsen, Màrio de Andrade, Raul Briquet e Antonio de Almeida Prado, fundou a Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo, a qual tinha por objetivo construir uma elite de agentes públicos instruida nos métodos científicos mais atualizados” . Assim o Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP) e Presidente do Conselho Superior da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), Angelo Del Vecchio, começa a descrever o espírito reinante no momento histórico de fundação da FESPSP. O artigo discorre sobre os acontecimentos que culminaram com o surgimento da escola de ensino superior que se propunha da ser totalmente dedicada à Sociologia por que, acreditava-se, que esta era a “modalidade científica capaz de apresentar soluções aos problemas da modernização brasileira’, nas palavras do Professor Del Vecchio. Chama a atenção que, naqueles idos dos anos 30, a importância das pesquisas e ensino na área em busca daquele ideal era concreta. 

   Um exemplo curioso mencionado pelo Professor Del Vecchio diz respeito a uma pesquisa encabeçada pelo médico e psicólogo social baiano Artur Ramos. Contrariando uma tendência da psiquiatria, em que a análise utilizada à serviço de outras áreas, com a criminal,  baseava-se predominantemente em dados biológicos, Artur Ramos recusava-se a aceitar que um aluno da rede pública de ensino, conhecida por sua excelência, pudesse ser avaliado apenas pelo seu QI nos testes de aptidão. Este fato suscitava a crença de que tais alunos fossem considerados anormais, ou seja, inaptos para aprender. Incomodado com esta perspectiva, Artur Ramos inovou em seu estudo de investigação do fato: debruçando-se para examinar as condições socio-economicas das famílias daqueles alunos, trouxe para a Sociologia um objeto comum apenas à Psiquiatria, o que resultou em uma revisão totalmente radical das avaliações de alunos da rede pública. A pesquisa de Ramos deu origem ao livro “A criança-problema” e demonstra que os alunos, antes considerados anormais, tinham, na realidade, dificuldades de adaptação ao ambiente escolar.

   Pode-se entender também pelo texto do Professor Del Vecchio as “influências” citadas no título, que se referem, em parte, à porção norte-americana germinada na condução da escola no período do recorte. Sucintamente, a escola sofreu a influência de uma corrente de pensamento da Universidade de Columbia, pelos professores Horace Davis e  Samuel Lowrie, de 1933 a 1939, e subsequentemente, essa influência transferiu-se para o polo da  Escola de Chicago, através do professor Donald Pierson, de 1940 a 1953, quando, efetivamente, a Escola Livre de Sociologia e Política ganhou notoriedade. E é da Escola de Chicago, sinômino de sociologia urbana, que vem a principal força intelectual que trouxe a Biblioteconomia para o Brasil, pois ela também era, reconhecidamente, o centro intelctual da Biblioteconomia nos Estados Unidos (ORTEGA, 2004). Considerando-se que, notadamente, no Brasil de Vargas o país transitaria da esfera de influência francesa para a americana, é compreensível que a Escola de Chicago tenha se inclinado sobre a educação superior em São Paulo, já que a Universidade de São Paulo, contemporânea da FESPSP, era beneficiária de verbas do governo para a concretização de um projeto de caráter educacional francês.
Assim, em última instância, podemos enxergar este braço de influência da Escola de Biblioteconomia de Chicago no desenvolvimento do curso de Biblioteconomia da FESPSP. Mas, esta é outra história, oportunamente contada aqui pelo próprio Rubens Borba de Moraes.



Referências bibliográficas:

KANTOR, Iris; MACIEL, Débora A.; SIMÕES, Júlio Assis (Org.). A escola livre de sociologia e política: anos de formação 1933-1953: Depoimentos. 2.ed. São Paulo, SP: Editora Sociologia e Política, 2009. 292 p.

ORTEGA, Cristina D. Relações históricas entre Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação. In: DataGramaZero, v. 5, n.5, out. 04. Disponível em: http://www.dgz.org.br/out04/Art_03.htm Acessado em 09 de fev. 2013.


Festa comemorativa aos 80 anos da FESPSP conta com bandas de Soul-Funk, Maracatu, Samba e cenas da peça teatral O Homem do Princípio ao Fim



Na próxima segunda-feira, dia 27 de maio a Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) completa 80 anos e em comemoração a esta data será realizada a festa FESPSP 80 anos: tradição, respeito e reconhecimento.
Para a programação estão escalas bandas compostas pelos próprios alunos da Fundação. Os estilos musicais variam entre Samba com os Filhos da Terra, Maracatu com o Arrastão do Beco e por último a banda de Soul-Funk, Funk Brasil.
A festa também contará com intervenções teatrais do elenco de O Homem do Princípio ao Fim, da Cia Bará, que está em cartaz na FESPSP. Serão apresentadas algumas das principais cenas da peça, como o torturado, o homem e o seu amor e uma cena de Maria Farar com um poema de brecht.
O evento é gratuito e aberto ao público. Para participar, basta comparecer no dia 27 de maio, à partir das 18h, ao campus da FESPSP, localizado na Rua General Jardim, 522 – Vila Buarque (próximo a estação de metrô República).


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