quarta-feira, maio 02, 2018

Coluna nova: Pequenos na Biblio. - Por Jaciara Oliveira e Ana Clara.

A aluna Jaciara Oliveira do 5º semestre de Biblioteconomia inicia uma nova coluna cheia de fofura e um ponto de vista novo: as crianças e seu contato com bibliotecas, os livros e a informação. A entrevista com sua (maravilhosa) convidada especial é simplesmente imperdível!



Olá queridos e queridas,

Eu sou a Jaciara e junto com minha pequena, Ana Clara, e ocuparei um espacinho aqui no blog da Monitoria.

Quando resolvi participar da Monitoria, fiquei pensando em como poderia contribuir. Afinal, precisaria arrumar tempo, algo cada vez mais escasso na minha vida. Fora isso, deveria ser algo prazeroso, pessoal, e aliar algo do meu dia a dia com minha vida acadêmica. Conversando com nossa Monitora (salve, salve) Marina, falei sobre a vontade em contar para os coleguinhas sobre as experiências da minha filha no mundo dos livros. 

A ideia inicial seria a de relatar as expressões e impressões da Ana Clara ao entrar em uma biblioteca pela primeira vez. Não deu muito certo ainda, ela é tímida e econômica ao dar sua opinião. 

Tentei outra abordagem. 

Pedi que me falasse sobre algum livro que leu recentemente e do qual tenha gostado. Aí os olhinhos brilharam, o sorriso cresceu e a língua soltou: O Mundo no Black Power de Tayó, da Kiusam de Oliveira. Pedi que me falasse sobre o livro e porque gostou tanto. O resultado é um bate-papo curtinho, mas muito fofo. Fiz questão de preservar a integridade de suas respostas sem fazer uso de edição.


Fonte: Google Imagens


Monitoria: O que você mais gosta de ler?

Ana Clara: Eu gosto de ler contos de fada, gibis, gosto de passatempos, palavras cruzadas, caça-palavras e vários livros. Mas meu preferido é o gibi.

M: Tem algum livro que você gosta muito e que você acha importante outras crianças lerem e aprenderem com ele?

AC:Eu ganhei o Mundo no Black Power de Tayó.

M: Você gosta deste livro? Por que?

AC: Sim. Porque ela era uma menina africana que todo mundo falava que o cabelo dela era ruim. Porque era um black power, era cheio de cachinhos e não era igual os cabelos que outras mulheres tem, outras meninas tem. Não é aquele cabelo que você pode passar a chapinha que ele é liso. É um black power.

M: E o que você acha do black power?

AC: Legal.  Lindo.

M: O que mais de mensagem você acha que O Mundo no Black Power de Tayó traz?

AC: Bom, tem gente que é preconceituosa. Eu não sou.

M: Porque você acha que as pessoas são preconceituosas?

AC: Não sei.

M: Assim, na história do livro, onde você acha que tem o preconceito?

AC: Numa parte em que ela estava na escola e todo mundo falava mal do cabelo dela. Aí ela respondia: “meu cabelo é muito bom, vocês estão com dor de cotovelo porque não podem carregar o mundo no cabelo como eu posso”.

M: Legal Ana, qual você acha que é a grande mensagem do livro?

AC: O cabelo. Porque as pessoas tem mania de achar que o cabelo de tal pessoa é ruim. Mas não é. O cabelo de todo mundo é bom.

M: Você acha que todo mundo é igual?

AC: Não.

M: Não???

AC: Não. Já pensou mãe, se todo mundo fosse igual? Seria chato não. As pessoas são diferentes.

M: Perfeito. E se as pessoas são diferentes e possuem diferenças, o que as outras pessoas devem fazer?

AC: Tomar conta da própria vida.

Ana Clara e seu livro favortio - Arquivo pessoal
                                 

P.s. Obrigada de nada, Ana Clara.



Sobre a obra:
O livro O mundo no black power de Tayó conta a história de uma bela menininha de 6 anos que gosta de brincar, adora animais e se orgulha da pele e dos olhos negros, dos seus traços marcantes e, especialmente, de seu cabelo black power, que enfeita dos mais variados e criativos jeitos: com cordões, estrelas, laços e às vezes livre e vasto como o universo.

O nome Tayó, que vem do idioma africano ioruba e significa “da alegria”, espelha a forma como a garota se relaciona com todos a sua volta e com suas raízes ancestrais. Vencedora do Prêmio ProAC de Cultura Negra em 2012, a obra traz uma bela mensagem de valorização de nossas raízes culturais.

A autora apresenta uma personagem cheia de autoestima, capaz de enfrentar as agressões dos colegas de classe, que dizem que seu cabelo é "ruim". Mas como pode ser ruim um cabelo "fofo, lindo e cheiroso"? "Vocês estão com dor de cotovelo porque não podem carregar o mundo nos cabelos", responde a garota para os colegas.  Com essa narrativa, a autora transforma o enorme cabelo crespo de Tayó numa metáfora para a riqueza cultural de um povo e para a riqueza da imaginação de uma menina sadia.

A autora, Kiusam de Oliveira, é pedagoga e especialista em psicologia pela Universidade de São Paulo, ativista das causas feminista e negra, e atua com formação de educadores e educadoras há mais de 15 anos. Escreveu também Omo-Oba: histórias de princesas (Belo Horizonte: Mazza, 2009), selecionado pelo Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) 2010, do Ministério da Educação (MEC).

Prêmio  ProAC Cultura Negra 2012 – Selecionado para o Acervo Básico da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) 2014 – Categoria Criança.

(Este trecho foi composto por recortes feitos deste site e deste)

3 comentários:

  1. Parabéns! Livros são pontes para outros mundos. Eu também aprendi a gostar de livros lendo gibis quando era criança. Essa garota vai longe...

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  2. Parabéns Ana Clara. Todos possuímos belezas diferentes.

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