sexta-feira, dezembro 08, 2017

Coluna: Onde Estão os Bibliotecários? Por Grazielli de Moraes.



Hoje a entrevista é com Andréa Andira, 43 anos – de professora de Artes, pintora, empreendedora, designer gráfica à “bibliotecária”.

Formada em 2014 pela FESPSP. Atualmente trabalha no Museu Afro Brasil, no núcleo da Salvaguarda exercendo atividades de Documentação Museológica.

“Entre duas graduações, eu fiz o curso de Especialização Estudos de Museu de Arte, organizado e realizado pelo Museu de Arte Contemporânea da USP. No momento estou na etapa final do Mestrado, no Programa Interunidades em Museologia, também pela USP... minha pesquisa dialoga com as áreas de Museologia, Documentação Artística e História da Arte, ou seja, agrega todas as minhas formações.  Eu estudo a formação do IDART, um Centro de Documentação e Pesquisas sobre as variadas expressões artísticas ocorridas na cidade, criado em meados dos anos 70 e hoje extinto. Curiosamente e felizmente, a sua criadora era crítica de arte e bibliotecária, formada na primeira turma de biblio da FESP e teve contato próximo com os idealizadores da Escola, nos anos 40, como Sérgio Milliet e Rubens Borba de Moraes. Isso tudo tem me fascinado”.
(Andréa Andira)





Escolheu a biblioteconomia por “uma questão de adequação profissional”, já que já atuava na área de documentação, porem lhe faltava uma base teórica e técnica para aprimorar o resultado de seu trabalho.

Já foi pesquisadora de Artes Visuais no Centro Cultural de São Paulo.



“... atividade na qual saíamos a campo pra acompanhar e registrar os eventos e produções artísticas da cidade, entrevistar artistas, curadores. Esses registros geravam um volume documental considerável, documentação que os próprios pesquisadores eram responsáveis por selecionar, organizar e “pré-catalogar”. Foi por aí que eu entrei na área e foi uma experiência essencial na minha formação. Depois, trabalhei apenas com a catalogação desses documentos (textos, matérias jornalísticas, fotografias, etc.), que integram, juntamente com a documentação constituída no antigo IDART, o acervo do Arquivo Multimeios do Centro Cultural São Paulo. Também fui estagiária no Núcleo de Documentação e Pesquisa da Fundação Energia e Saneamento, atuando no tratamento arquivístico da coleção. Fui freelancer no site casa.com da Editora Abril, catalogando e indexando as imagens sobre arquitetura, design e decoração de sua base de dados. Ultimamente tenho me arriscado a dar aulas sobre organização e tratamento de acervos museológicos, dentro do Curso de Extensão “Centros de Documentação e Memória” da FESP, organizado pela professora Simone Fernandes. Tem sido uma parceria deliciosa”.
(Andréa Andira)

Para Andréa, a Biblioteconomia é uma área técnica que prepara o profissional para o mercado de trabalho. Para se expandir e se desenvolver, porém, deve abrir e dialogar com outras áreas e disciplinas.

“Achei enriquecedora a convivência com pessoas que tiveram outras formações e que atuam em áreas tão diversas, como aluna da FESPSP. Algumas trocas foram bastante generosas”.
(Andréa Andira)

A Biblioteconomia agrega muito no exercício das funções que ela desempenha, sobretudo no que diz respeito à essência da área, que a seu ver é o fazer técnico.

“Quer dizer, quando é preciso repensar ou rever as formas de catalogação, o controle de terminologias, a formatação de uma base de dados, ainda que sobre um acervo museológico, muitas vezes é em sua base teórica que buscamos respostas”.
(Andréa Andira)


Mesmo em meio a “crise” ela acredita que a biblioteconomia tem um mercado promissor, para isso é necessário que enquanto profissionais sempre nos atualizemos e estejamos atentos às novas necessidades do mercado.

 

“Sinto uma carência de reflexões, de produções acadêmicas que questionem e analisem o seu caráter técnico e metodológico... é fundamental que a área se comunique com outras disciplinas. A interdisciplinaridade veio pra ficar. É importante que os profissionais atentem a isso, pra que não fiquem falando sozinhos. Buscar formações complementares e com viés menos técnico e mais reflexivo e humanístico pode ser saudável”.
(Andréa Andira)
  




Quanto ao Órgão de Classe – CRB ela menciona ter pouco a opinar, já que não é filiada ao conselho, por não atuar como bibliotecária propriamente dita.


“Entretanto, pelo que venho acompanhando, o órgão é bastante atuante e rigoroso em observar e atender as demandas da área”.
(Andréa Andira)

Atualmente Andréa menciona que está muito feliz com o que faz.

“Trabalhar com acervos de arte me ensina e me completa a cada dia. Há momentos que não consigo definir que profissional eu sou. Hoje me autodenomino documentalista. Mas também sou pesquisadora, um pouco professora, e até o final deste ano também serei museóloga. Admiro quem consegue ser versátil. Também gostaria de ser”.
(Andréa Andira)

E como de costume em nossa coluna, ela deixou um recado aos novos integrantes da área:

“Busquem inovar, o tempo todo. A área precisa de inovação e de revisão, periodicamente. Qualquer área precisa. Questionem os tais paradigmas, sempre”.
(Andréa Andira)



Lembre-se: se quiser participar da coluna ou conhecer algum profissional da área que atue com algo diferente, escreva-nos: monitorcientificofabci@gmail.com



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