quarta-feira, fevereiro 13, 2013

Vamos afinar o olhar? Um convite da professora Tânia Callegaro



   A alegria da luz do sol quando abrimos uma janela. A melancolia de se ver uma criança partindo estrada afora. A apreensão de se acompanhar os passos rápidos de alguém que não podemos identificar. Imagem em movimento, seja na televisão, cinema ou video, sempre nos remete à vários sentimentos e interpretações.
Como utilizar este rico valor simbólico do audiovisual em ações culturais nas bibliotecas?

   A professora Tânia Callegaro estuda este processo e aponta alguns caminhos em seu artigo “Baile Perfumado” (Brasil, 1996, direção de Paulo Caldas e Lino Ferreira), onde explora possibilidades de leitura do filme sobre o registro fotográfico de Lampião pelo fotógrafo libanês Benjamin Abrahão. “Escolhi este filme por que ele trabalha com a questão da memória. Foram essas imgens do fotógrafo que sustentaram Lampião como herói. E, como sabia demais, foi morto. É a construção de nossa história” durante o governo Vargas. Além disso, a professora acrescenta que “Baile Perfumado” apresenta um novo Lampião, rompendo com a imagem difundida à época de fora-da-lei e revelando um homem comum,  consumidor com gostos sofisticados, pois o famoso cangaceiro era grande apreciador de perfume francês e uísque. Naquele sertão nordestino dos anos 30 já se podia perceber o avanço da globalização veiculado por um capitalismo prioritariamente industrial e o aparecimento de um mascate libanês com uma máquina filmadora buscando registrar o cotidiano de Lampião faz uma feliz metáfora do contexto histórico.
Como saber tudo isso ao escolher um filme para fazer uma ação cultural na sua biblioteca?

   “Parta daquilo que você tem paixão, que te comove. Estamos falando de arte”, recomenda a professora Tânia. Ela afirma que não é essencial conhecer a parte técnica, mas a questão da montagem em cinema é o grande segredo. Afinal, “o significado se constrói na junção de todas as imagens”, completa. O seu público “vai desenvolver o pensamento cognitivo. Vai afinar o olhar”, completa.

   Para os profissionais que desenvolvem oficinas de leitura ou alfabetização em audiovisual é um novo norteador, já que há poucos títulos sobre esse tema no mercado.
   O artigo faz parte de uma coletânea com outros  nove textos de arte-educadores, cada um analisando um filme específico, e revelando diferentes modos para sua aplicação em ambientes de aprendizagem. Com organização da Professora Jurema Sampaio, e prefácio da consagrada arte-educadora Ana Mae Barbosa, “Usando filmes nas aulas de arte” se propõe a oferecer orientação a quem se dispõe a mediar a leitura de audiovisuais.




Quem é Tânia Callegaro

 
A professora Tânia Callegaro ministra a disciplina “Ação Cultural” no curso de Biblioteconomia e o curso de extensão Capacitação Técnica do Mediador Cultural da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). É Doutora e Mestre em Ciência da Comunicação pelo Departamento de Rádio, Cinema e TV, da ECA/USP, com Especialização em Arte Educação pela ECA/USP. Graduou-se em Educação Artística pelo Instituto Musical de São Paulo, IMSP. Atua desde 1975 como docente em instituições públicas e privadas do ensino médio, superior e pós-graduação. Tem experiência como coordenadora e pesquisadora em projetos de comunicação e educação desenvolvidas a distância via internet e presencial. Seu objetivo de pesquisa e trabalho centralizou-se  nos campos da comunicação coletiva, mediada pela tecnologia, arte e cultura.



Texto: Magali Machado

Crédito imagem professora Tânia:: Marli S. Vasconcelos

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